Quarta-feira, Julho 1, 2026
Cidades

BILLY TINHA NOME: COORDENADOR DA FUNDAÇÃO CASA É ACUSADO DE MATAR CÃO COMUNITÁRIO ATROPELADO EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS


A morte de um cachorro que vivia havia cerca de dez anos em uma unidade da Fundação Casa em São José dos Campos gerou revolta, boletim de ocorrência e pedido de afastamento de um coordenador acusado de atropelar o animal propositalmente. O cão, chamado Billy, tinha 11 anos e era considerado um animal comunitário, cuidado por funcionários da própria unidade, onde vivia em uma casinha mantida no local. O caso ocorreu na noite de domingo (28) e ganhou repercussão após denúncias e publicações nas redes sociais ligadas à causa animal.

Segundo relatos de testemunhas, Billy era conhecido por servidores e trabalhadores da unidade. O animal teria sido acolhido no espaço ao longo dos anos e recebia cuidados de funcionários, que se revezavam para alimentá-lo e zelar por sua permanência no local. A rotina do cão, no entanto, passou a incomodar o coordenador acusado, que, de acordo com os relatos, já teria reclamado anteriormente dos latidos do animal, especialmente quando deixava a unidade de carro após o expediente.

A denúncia aponta que, por volta das 19h de domingo, Billy latiu no momento em que o coordenador saía do local com o veículo. Testemunhas afirmam que o funcionário acelerou o carro, atropelou o cão e o arrastou por cerca de dez metros. Ainda conforme os relatos, após o primeiro impacto, o coordenador teria engatado marcha à ré e arrastado o animal novamente, parando apenas depois de ser chamado por vigilantes que presenciaram a cena.

Entre as testemunhas citadas estão dois vigilantes de uma empresa terceirizada. Eles teriam acompanhado parte da ação e relatado que o motorista desceu do carro, verificou a situação do animal e deixou a unidade sem prestar socorro. A acusação é de que o atropelamento não teria sido acidental, mas intencional, motivado pela insatisfação anterior do coordenador com o comportamento do cachorro.

O caso foi registrado em boletim de ocorrência e deve ser encaminhado para apuração pela Polícia Civil. A denúncia também pede que a direção da Fundação Casa abra um processo administrativo interno para investigar a conduta do servidor. Quem acompanha o caso defende o afastamento imediato do coordenador enquanto os fatos são apurados, para preservar testemunhas, documentos e a própria lisura da investigação interna.

Funcionários da unidade, segundo a apuração, seriam contrários à permanência do coordenador no cargo após a morte do animal. Até o momento, há ao menos quatro testemunhas identificadas, mas parte delas teria receio de represálias. Esse ponto é considerado sensível, já que os relatos dessas pessoas podem ser fundamentais para esclarecer se houve dolo, ou seja, intenção de matar o animal, ou se a defesa do acusado sustentará outra versão para o ocorrido.

A morte de Billy também reacendeu o debate sobre a proteção de animais comunitários em espaços públicos e instituições. Animais que vivem por longo período em determinado local, são reconhecidos pela comunidade e recebem cuidados coletivos não podem ser tratados como objetos descartáveis. A acusação, caso confirmada, pode configurar crime de maus-tratos contra animal, previsto na Lei Federal nº 9.605/98, com agravantes a serem avaliadas pelas autoridades responsáveis.

A repercussão aumentou após publicação do ex-vereador Robertinho da Padaria, conhecido em São José dos Campos pela atuação na causa animal. A postagem deu visibilidade ao caso e cobrou apuração. Nas redes sociais, a morte de Billy passou a ser tratada por protetores e moradores como um episódio de crueldade que exige resposta das autoridades e da própria Fundação Casa.

Até o momento, não há confirmação pública de afastamento do coordenador, nem manifestação oficial divulgada pela Fundação Casa sobre eventual processo administrativo. Também não há informação sobre conclusão do inquérito policial. A reportagem segue acompanhando o caso e poderá atualizar as informações caso a instituição, a Polícia Civil ou os responsáveis pela denúncia apresentem novos esclarecimentos.

A morte de Billy deixou funcionários e defensores da causa animal indignados. O cachorro que por anos fez parte da rotina da unidade agora se tornou símbolo de cobrança por justiça, apuração rigorosa e respeito à vida animal. Para quem cuidava dele, Billy não era apenas um cão que vivia no pátio. Era um companheiro antigo, conhecido, alimentado e protegido por pessoas que agora pedem que sua morte não seja tratada como um simples acidente.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

error: Content is protected !!