TRAGÉDIA EM RESENDE: MÃE É PRESA SUSPEITA DE MATAR BEBÊ DE CINCO MESES POR ASFIXIA
Uma cena de dor, abandono e suspeita de violência contra uma criança indefesa chocou Resende, no Sul do Rio de Janeiro. Uma mulher de 29 anos foi presa em flagrante na terça-feira (30), suspeita de matar o próprio filho, um bebê de apenas cinco meses, por asfixia. O caso aconteceu no bairro Jardim Aliança e passou a ser tratado como homicídio após o laudo de necropsia apontar que a criança morreu por sufocação direta, descartando a hipótese de morte natural ou acidental.
Segundo a Polícia Civil, a mãe acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu, na segunda-feira (29), informando que o bebê estava sem sinais vitais. Uma equipe médica foi até o local e tentou reanimar a criança por cerca de 45 minutos, mas o bebê não resistiu. A partir do atendimento e da análise pericial, o caso deixou de ser tratado apenas como uma ocorrência de morte a esclarecer e passou a ser investigado como crime.
Em depoimento, a mulher afirmou que percebeu pela manhã que o filho apresentava choro rouco, recusava alimentação e estava com o corpo frio. Mesmo diante desses sinais, ela disse que apenas enrolou a criança em uma coberta e a colocou no carrinho onde o bebê dormia. O socorro, segundo a apuração, só foi acionado horas depois, por volta das 15h, quando a criança já não apresentava sinais vitais.
O laudo de necropsia foi decisivo para a prisão. Conforme as informações apuradas, o exame indicou insuficiência respiratória causada por obstrução das vias aéreas, caracterizada como sufocação direta. A perícia também apontou que o bebê apresentava magreza e sinais de desnutrição, o que ampliou a investigação para além da morte da criança, alcançando também as condições de cuidado dentro da residência.
As investigações apontam que o bebê permaneceu sob os cuidados exclusivos da mãe durante o período analisado, o que levou a Polícia Civil a descartar, até o momento, a participação de terceiros no homicídio. A mulher foi presa em flagrante por agentes da 89ª Delegacia de Polícia de Resende, após a conclusão do laudo pericial. O delegado Michel Floroschk informou que a prova técnica, somada aos demais elementos reunidos, indicou fortes indícios de autoria e materialidade do crime.
Durante diligências no imóvel onde a família vivia, os policiais encontraram um cenário considerado extremamente insalubre. A residência apresentava forte odor, lixo acumulado, fezes de animais, pinos vazios de cocaína e uma geladeira desligada com alimentos em estado de decomposição. Também não foram encontrados itens básicos adequados para os cuidados do bebê, e o carrinho onde a criança dormia estava em condições precárias de higiene.
O caso revelou ainda a situação de vulnerabilidade de outras duas crianças que viviam na casa, irmãs do bebê morto. Segundo relatos colhidos pela investigação, elas estavam em situação de abandono, com fome e infestadas de piolhos. Testemunhas relataram que as crianças não recebiam alimentação adequada e viviam em um ambiente incompatível com condições mínimas de higiene e cuidado.
A avó materna informou à polícia que a filha teria histórico de negligência, agressividade e envolvimento com drogas. Ela também relatou que as demais crianças viviam em situação de extrema vulnerabilidade. Diante do cenário encontrado, a Polícia Civil passou a investigar também os maus-tratos contra os filhos da suspeita.
A mulher foi autuada por homicídio qualificado e maus-tratos. Segundo as informações divulgadas, a qualificadora envolve asfixia e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além da causa de aumento de pena por se tratar de uma criança menor de 14 anos. O pai das crianças também será investigado pela suspeita de participação na negligência e nos maus-tratos. Conforme informado inicialmente, ele é considerado foragido da Justiça.
Após a prisão, a suspeita permaneceu à disposição da Justiça. As outras crianças foram colocadas sob os cuidados da avó. A investigação segue para esclarecer todos os detalhes da morte do bebê, a rotina da família, as condições de abandono no imóvel e a possível responsabilidade de outras pessoas na situação de negligência vivida pelas crianças.
O caso expõe uma tragédia familiar marcada por indícios de violência, abandono e falha extrema nos cuidados com crianças em situação de vulnerabilidade. A morte do bebê de cinco meses mobilizou a Polícia Civil e agora depende da continuidade das investigações, de novos depoimentos e da análise completa dos laudos para definir a responsabilização criminal da suspeita e de eventuais envolvidos.


