TEVE ALTA, VOLTOU AO HOSPITAL NO DIA SEGUINTE E MORREU: CREMERJ INVESTIGA CASO DE INFLUENCIADORA DE 33 ANOS
Uma sequência de acontecimentos entre uma cirurgia, a alta hospitalar, o retorno à unidade de saúde e a morte poucos dias depois colocou o caso da influenciadora digital Marta Kelly de Oliveira Silva, de 33 anos, no centro de uma investigação médica. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, o Cremerj, informou que abrirá uma sindicância para apurar as circunstâncias do atendimento prestado à influenciadora em Volta Redonda e esclarecer o que aconteceu entre o procedimento realizado na quarta-feira (12) e sua morte, confirmada na noite de segunda-feira (17).
Marta passou por um procedimento cirúrgico em uma unidade particular de Volta Redonda e recebeu alta no dia seguinte, quinta-feira (13). A sequência dos fatos, porém, mudou rapidamente. Na sexta-feira (14), apenas um dia depois de deixar o hospital, ela apresentou complicações e precisou retornar para atendimento médico. O quadro evoluiu e a influenciadora permaneceu internada, inclusive em unidade de terapia intensiva, até a confirmação da morte.
A causa oficial do óbito ainda não foi divulgada. Também não existe, até o momento, qualquer conclusão de que tenha ocorrido erro médico. É justamente para analisar as circunstâncias do caso que o Cremerj instaurará a sindicância.
A investigação do Conselho deverá buscar respostas para uma série de questões relacionadas à assistência prestada antes, durante e depois da cirurgia. Entre os elementos que podem ser analisados estão as condições clínicas de Marta antes da intervenção, exames realizados, avaliação pré-operatória e anestésica, indicação do procedimento, extensão da cirurgia, critérios utilizados para a alta hospitalar, evolução após a saída da unidade e as medidas adotadas quando a paciente retornou com complicações.
Outro ponto que poderá ser esclarecido pela sindicância é exatamente o que aconteceu entre a alta e a nova internação. Marta deixou o hospital na quinta-feira e precisou retornar na sexta-feira. A proximidade entre os dois acontecimentos passou a gerar questionamentos nas redes sociais, principalmente depois da confirmação da morte.
Apesar da repercussão, não há até agora confirmação oficial de que a cirurgia tenha provocado diretamente o óbito. Da mesma forma, não existe conclusão pública indicando negligência, imprudência ou imperícia por parte dos profissionais envolvidos.
A família também busca respostas.
Advogados que representam o marido de Marta informaram que aguardam o acesso à documentação médica para analisar tecnicamente o atendimento prestado à influenciadora. A intenção é reunir prontuários, exames e registros hospitalares antes de qualquer conclusão sobre as causas do agravamento do quadro.
A defesa da família também pediu cautela diante das informações que passaram a circular nas redes sociais. Desde a morte da influenciadora, diferentes versões sobre os procedimentos realizados começaram a ser divulgadas, algumas mencionando lipoaspiração, abdominoplastia e cirurgia nas mamas.
Até o momento, porém, não existe confirmação pública consolidada sobre todos os procedimentos realizados. Por esse motivo, qualquer relação entre uma cirurgia específica e a morte ainda depende da documentação médica e das conclusões das investigações.
O Hospital Unimed Volta Redonda confirmou que Marta realizou procedimento na unidade, recebeu alta e posteriormente retornou ao hospital. A instituição afirmou que segue protocolos assistenciais e ressaltou que informações médicas relacionadas à paciente são protegidas por sigilo.
A médica apontada como responsável pelo procedimento também foi procurada para prestar esclarecimentos. Até a última atualização divulgada sobre o caso, não havia manifestação pública detalhada da profissional sobre as circunstâncias da cirurgia, da alta ou das complicações apresentadas posteriormente.
Marta Kelly era conhecida principalmente pelo conteúdo relacionado à maternidade, à família e à rotina com os filhos. Ela acumulava aproximadamente 230 mil seguidores no Instagram e compartilhava parte da vida familiar com o público.
A influenciadora era casada com Marcus Vinicius e mãe de três filhos, Théo, Ravi e Filippo. O casal estava junto havia aproximadamente 15 anos e também produzia conteúdo para a internet por meio do canal Família Aprendendo, no YouTube, que reunia centenas de milhares de inscritos.
Após a morte da esposa, Marcus publicou uma mensagem emocionada e afirmou que ainda pretende explicar aos seguidores o que aconteceu, mas que precisaria de tempo para enfrentar o momento de luto. Ele também destacou que pretende preservar a memória de Marta para os filhos e seguir cuidando das crianças da maneira que ela gostaria.
A morte provocou uma grande onda de mensagens de despedida e solidariedade nas redes sociais. Seguidores que acompanhavam há anos a rotina da família passaram a deixar homenagens nas publicações da influenciadora e do marido.
Marta foi velada e sepultada na terça-feira (18), no Cemitério Portal da Saudade, em Volta Redonda.
Paralelamente ao luto da família, cresce agora a expectativa pelas conclusões técnicas que poderão esclarecer o que aconteceu durante os cinco dias entre a realização do procedimento e a morte da influenciadora.
A abertura de uma sindicância pelo Cremerj não significa punição automática nem reconhecimento de falha profissional. O procedimento serve justamente para reunir documentos, analisar condutas e verificar se houve alguma irregularidade ética ou médica.
Também poderá ser necessário avaliar se existiam fatores de risco anteriores à cirurgia, como estava o quadro clínico no momento da alta e quais sinais levaram Marta a procurar novamente o hospital no dia seguinte.
Em casos dessa natureza, a eventual responsabilização médica depende de uma análise técnica detalhada. A ocorrência de uma complicação ou mesmo de uma morte após um procedimento cirúrgico, por si só, não comprova erro médico. Para isso, seria necessário demonstrar eventual conduta inadequada e estabelecer uma relação entre essa conduta e o resultado ocorrido.
Por enquanto, o ponto central permanece sem resposta: o que provocou a piora do estado de saúde de Marta depois da cirurgia e qual foi a causa efetiva de sua morte.
A resposta poderá surgir a partir da análise do prontuário, dos exames, dos registros do atendimento realizado após a alta e da própria sindicância aberta pelo Conselho Regional de Medicina.
Enquanto isso, o caso permanece cercado de perguntas. Marta entrou no hospital para realizar um procedimento cirúrgico na quarta-feira (12), recebeu alta na quinta-feira (13), retornou com complicações na sexta-feira (14) e morreu na noite de segunda-feira (17), aos 33 anos. Agora, família e órgãos responsáveis aguardam os documentos e as análises técnicas que poderão esclarecer cada etapa dessa sequência.


