CONFRONTO NA MANSÃO: ALVO DA POLÍCIA FEDERAL MORRE DURANTE OPERAÇÃO CONTRA TRÁFICO INTERNACIONAL EM IGARATÁ
Uma operação da Polícia Federal contra uma organização criminosa suspeita de enviar toneladas de cocaína para a Europa terminou com a morte de um dos principais investigados na manhã de quinta feira (23), em Igaratá. Rildo dos Reis Cerqueira, conhecido como R7, foi baleado durante o cumprimento de um mandado de prisão em uma casa de alto padrão situada em um condomínio às margens da represa.
Segundo a Polícia Federal, Rildo reagiu à abordagem e efetuou disparos contra os agentes que participavam da Operação Commodity. Houve confronto, e o investigado acabou atingido. Ele recebeu os primeiros socorros no próprio local, mas não resistiu aos ferimentos. Nenhum policial ficou ferido durante a ação.
A residência onde ocorreu o confronto chamou a atenção pela estrutura e pelos bens encontrados na área externa. Imagens divulgadas pela Polícia Federal mostram um imóvel de luxo com piscina, barcos e diversas motos aquáticas, em uma região valorizada próxima à represa de Igaratá.
Até o momento, a Polícia Federal não informou se as embarcações e motos aquáticas foram apreendidas, nem divulgou uma relação detalhada dos objetos recolhidos no imóvel. Também não foram apresentados o valor estimado da residência, o nome do condomínio ou informações sobre quem aparece oficialmente como proprietário da casa e dos bens encontrados no local.
Rildo era alvo de um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça no âmbito da Operação Commodity. Ele era apontado em reportagens baseadas em informações policiais como integrante do Primeiro Comando da Capital, o PCC. A nota oficial da Polícia Federal, no entanto, não detalhou a posição que ele teria ocupado dentro da organização criminosa investigada.
A dinâmica completa do confronto deverá passar por perícia. Não foram divulgados o tipo de arma que teria sido utilizada pelo investigado, o calibre, a quantidade de disparos efetuados ou o número de agentes envolvidos diretamente na abordagem.
A Polícia Federal também não informou quais objetos foram apreendidos dentro da residência, se havia outras pessoas no imóvel ou se alguma testemunha acompanhou o momento da troca de tiros.
A Operação Commodity foi deflagrada para desarticular uma organização criminosa transnacional suspeita de enviar cocaína para países europeus por meio de portos brasileiros. Segundo a investigação, o grupo teria movimentado aproximadamente 6,5 toneladas da droga desde 2021.
A estrutura criminosa utilizava contêineres com cargas aparentemente regulares para esconder os entorpecentes. A cocaína era camuflada em produtos como sacos de café, cimento e argamassa, além de passar por processos de adulteração química para dificultar sua localização durante fiscalizações.
De acordo com a Polícia Federal, a organização mantinha ramificações na América do Sul, Europa e Ásia, além de vínculos operacionais com o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho.
Os investigadores também apuram um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de fachada, emissão de notas fiscais sem operações reais, operadores clandestinos de criptomoedas, holdings patrimoniais, imóveis de alto padrão e bens de luxo.
A estrutura encontrada em Igaratá passou a integrar o cenário de uma investigação que tenta identificar o patrimônio adquirido ou utilizado pelos envolvidos. A presença da casa de luxo, da piscina, dos barcos e das motos aquáticas reforçou a atenção sobre os bens ligados aos alvos, mas ainda não há confirmação de que todo o patrimônio mostrado nas imagens pertença diretamente a Rildo.
A Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens dos investigados até o limite de R$ 1 bilhão. O valor representa o teto autorizado para as medidas patrimoniais e não significa que essa quantia já tenha sido localizada ou recuperada pelas autoridades.
Ao todo, a Operação Commodity cumpriu 13 mandados de prisão preventiva e 44 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Santa Catarina. Até a última atualização, nove pessoas haviam sido presas, além da morte registrada durante a abordagem em Igaratá.
Um dos mandados também foi cumprido em uma empresa exportadora de limões localizada em Urânia, no interior paulista. A Polícia Federal ainda não detalhou qual seria a relação da empresa com o esquema investigado ou quais materiais foram recolhidos no endereço.
A operação faz parte da Missão Redentor II e contou com o apoio de forças integradas de combate ao crime organizado de São Paulo e Minas Gerais.
Os investigados poderão responder, de acordo com a participação atribuída a cada um, pelos crimes de organização criminosa transnacional, tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.
A defesa de Rildo dos Reis Cerqueira não havia apresentado posicionamento público até a última atualização. A morte durante a operação, assim como as circunstâncias do confronto, deverá ser analisada pelas autoridades responsáveis e pelos órgãos de perícia.


