“ESTAVA TREMENDO TUDO”: VENEZUELANA EM SÃO JOSÉ RECEBE LIGAÇÃO DA MÃE DURANTE TERREMOTOS QUE RACHARAM CASA DA FAMÍLIA EM CARACAS
A venezuelana Francelis Guerra, moradora de São José dos Campos, viveu momentos de angústia na noite de quarta-feira, dia 24, ao receber uma ligação desesperada da mãe, que mora em Caracas, na Venezuela. Do outro lado da linha, a família relatava o medo provocado pelos fortes terremotos que atingiram o país e deixaram um rastro de destruição, mortes, feridos e desaparecidos.
Francelis assistia ao jogo do Brasil quando a mãe voltou a ligar poucos minutos depois de uma primeira conversa. A voz assustada denunciava a gravidade do momento. Segundo a venezuelana, a mãe dizia que tudo estava tremendo. A ligação, feita em meio ao pânico, transformou a distância entre São José dos Campos e Caracas em uma espera angustiante por notícias e confirmações sobre a segurança dos familiares.
Os abalos atingiram a Venezuela em sequência e, segundo informações divulgadas, foram registrados dois terremotos em menos de um minuto, com magnitudes de 7,5 e 7,2. Os tremores são apontados como os mais fortes a atingir o país em cerca de 100 anos. O impacto foi sentido em diferentes regiões, com prédios e casas danificados, estruturas comprometidas e equipes de emergência mobilizadas para socorrer vítimas e procurar sobreviventes.
Apesar do susto, os familiares de Francelis não tiveram ferimentos graves. A casa onde a mãe mora, no entanto, ficou com rachaduras após os tremores. As marcas nas paredes passaram a representar o medo vivido por quem estava no local e também a preocupação de quem acompanha tudo de longe, sem poder agir diretamente para ajudar.
Francelis vive em São José dos Campos desde 2017 e acompanha à distância a situação da família na capital venezuelana. Para ela, a tragédia trouxe um sentimento de impotência. Mesmo em segurança no interior de São Paulo, a venezuelana relata o coração apertado ao ver imagens de destruição, saber de pessoas desaparecidas e imaginar o desespero de quem enfrentou os tremores de perto.
Segundo ela, Caracas registrou muitos danos, com prédios desabados, moradores precisando de ajuda e famílias em busca de notícias. O epicentro do principal terremoto teria sido registrado a cerca de 160 quilômetros da capital venezuelana, mas os efeitos foram sentidos de forma intensa na cidade e em outras regiões do país.
Em São José dos Campos, a situação também mobilizou outros venezuelanos que vivem no município e acompanham, com preocupação, os desdobramentos da tragédia. De acordo com dados do Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 181 venezuelanos moravam na cidade. Para muitos deles, as notícias vindas da Venezuela chegam acompanhadas de medo, saudade e da difícil sensação de estar longe em um momento de emergência.
As buscas por vítimas continuam no país, com centenas de equipes de emergência mobilizadas para localizar sobreviventes entre os escombros. Enquanto isso, Francelis e outros venezuelanos que vivem no Brasil seguem tentando contato com familiares, acompanhando atualizações e enfrentando a angústia de uma tragédia que, mesmo a milhares de quilômetros, atinge diretamente suas histórias e raízes.
A ligação da mãe, feita em meio ao tremor, resumiu o desespero de uma noite marcada pelo medo. Para Francelis, a frase “estava tremendo tudo” não foi apenas um relato sobre o terremoto, mas o retrato de uma família tentando se manter firme diante de uma tragédia que abalou casas, cidades e corações.

Foto: Reprodução/TV Vanguarda/Arquivo pessoal
