GUERRA DO TRÁFICO EM TAUBATÉ: OPERAÇÃO PRENDE LÍDERES, APREENDE ARMA E EXPÕE DISPUTA QUE PODE TER ALIMENTADO HOMICÍDIOS
Uma das maiores operações policiais do ano em Taubaté colocou em evidência a guerra pelo controle do tráfico de drogas na região do Belém, na parte alta da cidade. A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira, dia 11, a Operação Complexo da Vila, mobilizando centenas de agentes para cumprir mandados contra uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, associação para o tráfico, participação em organização criminosa e possível envolvimento em homicídios registrados no município.
A ação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Investigações Criminais, a Deic de Taubaté, e resultou na prisão de nove pessoas. Ao todo, foram cumpridos os sete mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça, além de 42 mandados de busca e apreensão. Entre os presos está o homem apontado pela investigação como líder do grupo, conhecido pelo apelido de “Ceará”, localizado pelos policiais no bairro Continental.
A ofensiva teve participação de equipes da Deic de Taubaté, das Delegacias Seccionais de Taubaté e São José dos Campos, da Polícia Militar, das Guardas Civis Municipais de Taubaté e Pindamonhangaba, além de apoio aéreo durante as diligências. A mobilização mostra a dimensão da investigação e o grau de preocupação das forças de segurança com a atuação do grupo criminoso.
Segundo a Polícia Civil, a organização criminosa atuava principalmente na região do Belém, onde controlaria pontos de venda de drogas e exerceria intimidação sobre moradores. O nome da operação faz referência à forma como os próprios integrantes identificavam a área de atuação do grupo, chamada internamente de “Complexo da Vila”.
Além dos sete investigados que tiveram as prisões temporárias decretadas, outras duas pessoas foram presas durante a operação. Uma delas possuía mandado de prisão por crime patrimonial. A outra foi presa em flagrante por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
Durante as buscas, os policiais apreenderam uma pistola calibre 9 milímetros, 13 munições, 53 porções de maconha, uma porção da droga a granel e diversos aparelhos celulares. Os materiais apreendidos serão analisados pelas equipes de investigação e poderão ajudar a identificar outros integrantes, confirmar a estrutura do grupo e aprofundar a apuração sobre crimes violentos registrados em Taubaté.
Um dos alvos foi localizado em um condomínio residencial no bairro Chácaras Cataguá. No imóvel, os policiais encontraram uma pistola Taurus calibre 9 milímetros com numeração suprimida, munições, drogas, dinheiro e um telefone celular. Conforme registrado no boletim de ocorrência, o investigado afirmou que mantinha a arma por causa de conflitos com um grupo rival, informação que reforça a linha de investigação sobre disputas internas e violência ligada ao tráfico.
De acordo com o delegado Diego Paiva Motta, responsável pela investigação, o grupo apresentava estrutura organizada, divisão de funções e atuação permanente na venda de entorpecentes. A Polícia Civil também apura a ligação da organização com homicídios e outros crimes violentos ocorridos na cidade.
“Trata-se de um grupo que, diante da estabilidade, permanência e divisão de tarefas entre seus integrantes, se dedicava à atividade ilícita do tráfico de entorpecentes e também a outros crimes graves, como homicídios e outros delitos violentos na região”, afirmou o delegado.
A investigação aponta que parte da violência registrada na região pode estar ligada a disputas entre integrantes do próprio tráfico. Segundo o delegado, inquéritos em andamento indicam que homicídios recentes podem ter sido motivados por desavenças internas envolvendo o controle de pontos de venda de drogas.
“O tráfico de drogas é o principal fator. Por meio de uma investigação prévia robusta e de atividades de inteligência policial, conseguimos identificar os líderes e organizadores do tráfico local. Os homicídios aumentam porque existem conflitos e desavenças entre integrantes do próprio grupo criminoso”, explicou.
A Polícia Civil também investiga se uma das armas apreendidas durante a operação pode ter relação com homicídios ligados ao tráfico. Segundo os investigadores, o armamento já havia sido exibido em redes sociais por um indivíduo preso anteriormente pela própria Deic. A perícia deverá verificar se a arma foi utilizada em crimes violentos e se há conexão com ocorrências recentes em Taubaté.
Para os investigadores, a retirada de armas de circulação e a prisão dos principais integrantes do grupo podem contribuir para reduzir os índices de violência na região. A avaliação é de que a atuação da organização criminosa não se limitava ao comércio de drogas, mas também produzia reflexos diretos na segurança dos moradores, especialmente em áreas onde havia disputa por território.
A Operação Complexo da Vila é resultado de meses de trabalho do Setor de Entorpecentes da Deic de Taubaté. O avanço da investigação permitiu mapear lideranças, identificar pontos de atuação, reunir elementos contra os investigados e representar à Justiça pelas prisões temporárias e mandados de busca.
As investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes da organização criminosa e aprofundar a apuração sobre a participação do grupo em homicídios e demais crimes violentos registrados no município. Os celulares apreendidos devem passar por perícia e podem revelar conversas, contatos, movimentações, ordens internas e possíveis conexões com outros crimes.
A operação expõe um cenário de disputa que vinha preocupando as autoridades: o tráfico de drogas como motor de conflitos, intimidação e mortes. Com os líderes presos, armas apreendidas e novas provas em análise, a Polícia Civil espera avançar na responsabilização dos envolvidos e interromper a escalada de violência ligada ao chamado “Complexo da Vila”.

