Sábado, Maio 30, 2026
Plantão Policial

CARRO CONTRA O MURO E SUSPEITA DE FEMINICÍDIO: HOMEM É PRESO APÓS MULHER DIZER QUE MARIDO PROVOCOU BATIDA EM PINDAMONHANGABA


Um homem de 27 anos foi preso em flagrante em Pindamonhangaba após uma colisão de carro contra um muro ser tratada pela Polícia Civil como tentativa de feminicídio no contexto de violência doméstica. O caso aconteceu na quinta-feira, 28, por volta das 17h51, na Avenida Abel Corrêa Guimarães, no Residencial Campos Maia, e envolveu um GM Kadett cinza, ano 1991, que bateu contra a estrutura. A vítima, identificada pelas iniciais G.C.O.M., de 36 anos, afirmou que o marido, identificado como R.S.M., de 27 anos, teria provocado a colisão de forma intencional com o objetivo de atentar contra sua vida.

Segundo o boletim de ocorrência, policiais militares foram acionados via Copom para atender uma ocorrência inicialmente informada como acidente de trânsito com lesão corporal, mas no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. Ao chegarem ao local, os agentes encontraram o veículo GM Kadett já colidido contra o muro. O condutor havia sido socorrido por equipe de resgate, enquanto a passageira, G.C.O.M., era imobilizada pelo Corpo de Bombeiros e colocada em uma maca para encaminhamento ao atendimento hospitalar.

Ainda no local, de acordo com as informações colhidas pelos policiais, a vítima teria relatado que o próprio marido, condutor do carro, provocou deliberadamente a batida. Diante da gravidade da versão apresentada, foi solicitada escolta hospitalar para acompanhar R.S.M. até a unidade de saúde. Posteriormente, já no hospital, a mulher teria reiterado a um policial militar a mesma versão, afirmando novamente que o marido tentou matá-la por meio da colisão intencional do veículo.

Após receber atendimento médico, G.C.O.M. foi ouvida formalmente na delegacia. Em seu relato, ela afirmou que vinha sendo submetida a comportamentos agressivos e hostis por parte do marido dentro da convivência doméstica. A partir dos elementos reunidos, a ocorrência passou a ser registrada como tentativa de feminicídio, além de ameaça e violência doméstica com base na Lei Maria da Penha.

A Polícia Civil requisitou perícia técnica no local da batida, e o veículo envolvido foi apreendido administrativamente pela Polícia Militar. Também foi confeccionado Auto de Registro Fotográfico de Lesões Corporais, documento que, segundo o boletim, constatou a materialidade dos fatos investigados. O formulário de avaliação de risco de violência doméstica não foi realizado naquele momento por causa do estado de saúde da vítima, que apresentava lesões decorrentes do acidente.

A vítima foi informada sobre a possibilidade de requerer medidas protetivas de urgência, mas, naquele momento, declarou que ainda não gostaria de decidir sobre o pedido. Mesmo assim, foi orientada a procurar posteriormente a Delegacia de Defesa da Mulher de Pindamonhangaba caso opte por solicitar proteção judicial. O boletim também registra que ela foi cientificada sobre os direitos previstos na Lei Maria da Penha e sobre a rede de apoio disponível.

Na decisão registrada no boletim, a autoridade policial considerou configurado o flagrante e apontou que os elementos colhidos indicavam autoria e materialidade suficientes para a prisão. R.S.M. foi formalmente indiciado por tentativa de feminicídio e ameaça, com decretação da prisão em flagrante. A autoridade policial também deixou de arbitrar fiança, comunicando o caso ao Poder Judiciário e instaurando inquérito policial.

O caso seguirá sob investigação da Polícia Civil de Pindamonhangaba, que deverá aprofundar a apuração sobre a dinâmica da colisão, o histórico de violência doméstica relatado pela vítima, as circunstâncias anteriores ao acidente e os elementos técnicos da perícia no veículo e no local. O inquérito também deverá reunir os depoimentos, registros audiovisuais e documentos anexados ao boletim para esclarecer se a batida contra o muro foi provocada de forma intencional, como relatado por G.C.O.M. à polícia.

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