Quinta-feira, Julho 16, 2026
Cidades

ANESTÉSICOS DESVIADOS DE HOSPITAL VIRAM PEÇA-CHAVE EM INVESTIGAÇÃO DE MORTE EM BARRA MANSA


Medicamentos que deveriam permanecer sob controle rigoroso dentro de um hospital passaram a ocupar o centro de uma investigação grave em Barra Mansa. Um enfermeiro de 41 anos foi preso pela Polícia Civil, nesta quarta-feira, 15 de julho, suspeito de desviar anestésicos de uso restrito do Hospital São João Batista, em Volta Redonda, e fornecer substâncias a um homem de 43 anos encontrado morto dentro de casa, no bairro Santa Rosa.

A vítima trabalhava como técnico em radiologia no próprio Hospital São João Batista. Segundo a Polícia Civil, apesar de atuar na unidade, a função exercida por ele não permitia acesso aos medicamentos anestésicos controlados, destinados exclusivamente ao ambiente hospitalar e a procedimentos médicos. A investigação aponta que essas substâncias teriam sido obtidas por meio do enfermeiro preso, que atuava no CTI do hospital.

O homem de 43 anos foi encontrado morto no dia 4 de julho, dentro da residência onde morava, em Barra Mansa. Inicialmente, o corpo foi removido para verificação do óbito diante da suspeita de autoextermínio. Com o avanço das investigações, porém, a Polícia Civil passou a apurar a origem dos medicamentos que teriam sido utilizados no dia da morte e chegou ao enfermeiro como suspeito de fornecer as substâncias de forma irregular.

Um dos pontos decisivos da apuração foi a análise do celular da vítima. De acordo com a Polícia Civil, os dados extraídos do aparelho revelaram conversas que indicariam negociações para a aquisição dos medicamentos. As mensagens, segundo a investigação, também apontam que o enfermeiro teria conhecimento da finalidade para a qual as substâncias seriam usadas, o que agravou a suspeita contra ele.

A polícia informou ainda que, em uma das conversas, o investigado teria oferecido uma substância mais forte caso o primeiro uso não tivesse o efeito pretendido. A informação passou a integrar o inquérito e será analisada junto com outros elementos, como perícias, depoimentos e materiais apreendidos. Por se tratar de um caso sensível, as autoridades seguem apurando com cautela todos os detalhes sobre a dinâmica da morte.

As investigações também apontam que o enfermeiro desviava medicamentos anestésicos de uso controlado e restrito do Hospital São João Batista. A suspeita é de que os produtos eram retirados irregularmente da unidade médica e vendidos de forma clandestina. A Polícia Civil apura se a prática ocorreu de maneira isolada ou se havia participação de outras pessoas no esquema.

Durante a operação, agentes cumpriram mandado de prisão e de busca e apreensão contra o investigado. Também foram realizadas diligências no Hospital São João Batista. Na residência do enfermeiro, no bairro São Geraldo, em Volta Redonda, os policiais apreenderam medicamentos que, em tese, teriam sido desviados do hospital. Todo o material será submetido à perícia.

O enfermeiro foi encaminhado à delegacia de Barra Mansa, responsável pela investigação, e ficou à disposição da Justiça. Segundo a Polícia Civil, ele poderá responder por crimes como peculato, morte sem assistência, induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio com resultado morte, além de delitos relacionados à falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais, conforme o andamento do inquérito.

A apuração continua para identificar se outros funcionários ou pessoas ligadas ao hospital tiveram participação na retirada, distribuição ou comercialização irregular dos medicamentos. A Polícia Civil também busca esclarecer toda a cadeia de acesso às substâncias, desde a saída do hospital até o possível fornecimento à vítima.

O caso acende um alerta sobre a gravidade do desvio de medicamentos hospitalares controlados. Produtos de uso restrito exigem armazenamento, controle, registro e aplicação dentro de protocolos rígidos justamente pelo risco que representam fora do ambiente médico. Quando saem clandestinamente de uma unidade de saúde, deixam de ser instrumentos de tratamento e passam a representar perigo à vida.

A morte do técnico em radiologia segue sob investigação. A prisão do enfermeiro abre uma nova etapa no caso, com foco na origem dos medicamentos, nas conversas encontradas no celular da vítima, na possível comercialização irregular e na identificação de todos os envolvidos. Para a Polícia Civil, a prioridade agora é esclarecer se houve desvio sistemático dentro do hospital e qual foi o grau de participação do investigado na sequência que terminou com a morte em Barra Mansa.

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