Sábado, Setembro 12, 2026
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COM BOM HUMOR, PADRE MARLON MÚCIO SURPREENDE AO PUBLICAR FOTO REAL DOS ANOS 80: “ESSA AÍ É SEM IA”


Depois de enfrentar sucessivas internações e transformar sua luta contra uma doença ultrarrara em uma trajetória pública de fé e esperança, padre Marlon Múcio voltou a surpreender seus seguidores. Desta vez, não foi com um relato sobre hospitais, medicamentos ou tratamentos, mas com uma lembrança bem-humorada de sua juventude.

O sacerdote entrou na brincadeira das imagens inspiradas nos anos 1980 que ganhou espaço nas redes sociais. Enquanto muitas pessoas estão utilizando inteligência artificial para recriar roupas, cabelos e cenários daquela década, padre Marlon preferiu recorrer ao próprio arquivo e publicou uma fotografia verdadeira do período.

“Então vocês querem uma foto minha dos anos 80? Essa aí é sem IA, gente. O que acharam?”, escreveu o religioso ao apresentar o registro aos seguidores.

A postagem chamou a atenção pela espontaneidade e mostrou mais uma vez o bom humor que acompanha o sacerdote mesmo diante dos graves problemas de saúde enfrentados ao longo dos últimos anos. A fotografia revelou um jovem Marlon muito antes de ele se tornar conhecido nacionalmente pela atuação religiosa, pela defesa das pessoas com doenças raras e pela batalha diária para continuar vivendo.

O momento descontraído ganha um significado especial quando colocado ao lado da história recente do padre. Somente em 2025, Marlon informou ter procurado atendimento hospitalar 21 vezes. Oito dessas internações ocorreram em Unidades de Terapia Intensiva. Naquele mesmo ano, ele também precisou passar por uma cirurgia.

As dificuldades continuaram em 2026. Em março, o sacerdote permaneceu internado durante 17 dias. Em maio, voltou a enfrentar um quadro delicado provocado por um processo infeccioso, foi sedado e permaneceu sob assistência contínua em uma UTI de São Paulo. Padre Marlon deixou a terapia intensiva no dia 14 e recebeu alta hospitalar no dia seguinte, com orientação para descansar e prosseguir com a recuperação.

No começo de setembro, o religioso apareceu novamente em um leito de UTI do Hospital viValle, em São José dos Campos. Em um vídeo publicado nas redes sociais, falou emocionado sobre os cuidados recebidos e agradeceu às pessoas que permanecem ao seu lado durante os períodos de tratamento.

Padre Marlon convive com a Deficiência do Transportador de Riboflavina, conhecida pela sigla RTD e também chamada de Síndrome de Brown-Vialetto-van Laere. A doença genética e progressiva compromete os neurônios motores e sensoriais, provocando fraqueza muscular e dificuldades relacionadas à audição, visão, mastigação, deglutição, locomoção e respiração.

Os primeiros sintomas surgiram ainda na infância, mas o diagnóstico correto somente foi obtido na vida adulta. Foram nove anos de investigações, consultas com cerca de 100 médicos e seis diagnósticos equivocados até que a RTD fosse identificada em 2019. Para controlar os efeitos da doença, o padre utiliza ventilação mecânica durante as 24 horas do dia e mantém uma rotina que chegou a incluir 315 comprimidos diariamente.

Mesmo diante das limitações físicas e das frequentes passagens por hospitais, o sacerdote não abandonou sua missão religiosa. Nascido em Carmo da Mata, Minas Gerais, em 9 de abril de 1973, Marlon Múcio foi ordenado padre da Diocese de Taubaté em 2000. Dois anos depois, fundou a Comunidade Missão Sede Santos, responsável pelo desenvolvimento de projetos religiosos e sociais.

A experiência vivida durante a busca por um diagnóstico também levou o sacerdote a ampliar sua atuação em defesa dos pacientes com doenças raras. Em 2023, ele fundou em Taubaté a Casa de Saúde Nossa Senhora dos Raros, instituição especializada no atendimento gratuito desse público. Padre Marlon também atua como escritor, pregador, missionário digital, radialista e produtor de conteúdo.

Sua trajetória ganhou as telas no documentário “Milagre Vivo”, lançado em 2024. A produção apresenta o cotidiano do sacerdote, sua convivência com a doença e o trabalho realizado em favor das pessoas que enfrentam condições raras.

A fotografia dos anos 1980 revelou um capítulo anterior às internações, aos aparelhos e à longa rotina de medicamentos. Ao brincar que a imagem era “sem IA”, padre Marlon mostrou que o bom humor continua sendo uma de suas marcas, inclusive depois de atravessar períodos críticos de saúde.

Em meio a uma tendência dominada pela tecnologia, o religioso surpreendeu ao mostrar que não precisava criar uma versão artificial de seu passado. A lembrança estava guardada em uma fotografia real, assim como permanece registrada sua história de resistência, fé e luta pela vida.

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