Sexta-feira, Setembro 11, 2026
Cidades

TREZE DIAS DEPOIS: JOVEM SE APRESENTA, CONFESSA MORTE DE KAUÃ E É PRESO EM SÃO JOSÉ


Luan Azevedo Lima, de 18 anos, alegou que era ameaçado pelo adolescente de 16 anos; polícia ainda procura a arma e investiga a participação de um segundo envolvido

Treze dias depois do assassinato de Kauã Vinícius Silva Pereira, de 16 anos, um dos investigados pelo crime apresentou-se à Polícia Civil e, segundo os investigadores, confessou ter efetuado os disparos que mataram o adolescente. Luan Azevedo Lima (foto), de 18 anos, foi preso temporariamente na manhã de sexta-feira, 11 de setembro, em São José dos Campos.

O comparecimento aconteceu após diligências realizadas pela Delegacia de Homicídios para localizar o jovem. A investigação havia recebido informações de que Luan poderia estar em Itajubá, no Sul de Minas Gerais. Depois das buscas, a defesa entrou em contato com a Polícia Civil e providenciou a apresentação do investigado.

Em depoimento, conforme informado pela polícia, Luan confessou a autoria dos disparos e declarou que teria agido porque estaria sendo ameaçado por Kauã. Essa é a versão apresentada pelo investigado e ainda deverá ser confrontada com os depoimentos, as imagens, os laudos periciais e os demais elementos reunidos no inquérito.

A prisão temporária de Luan já havia sido decretada pela Justiça por um período de 30 dias. A medida foi determinada após uma representação da Delegacia de Homicídios, com manifestação favorável do Ministério Público, diante dos indícios que apontavam a possível participação do jovem no assassinato.

A decisão judicial considerou que a prisão seria necessária para o avanço das diligências, para a realização de eventuais reconhecimentos e para o esclarecimento da dinâmica do crime. O documento também mencionou informações de que pessoas relacionadas à apuração poderiam estar sendo ameaçadas.

O assassinato aconteceu por volta das 4h45 de sábado, 29 de agosto, na Rua Manoel Meneses Leal, em frente ao Conjunto Residencial Galo Branco, região leste de São José dos Campos. Moradores acionaram a Polícia Militar após ouvirem disparos durante a madrugada.

Quando os policiais chegaram, encontraram Kauã caído na via pública, com ferimentos provocados por tiros nas regiões da cabeça e do pescoço. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e da Guarda Civil Municipal já estavam no endereço, mas a equipe médica apenas pôde constatar a morte.

A rua foi isolada para os trabalhos da Polícia Científica. Naquela madrugada, o homicídio foi registrado inicialmente com autoria desconhecida, e os investigadores começaram a reunir depoimentos, imagens e informações sobre a movimentação registrada pouco antes dos disparos.

Testemunhas relataram que um Volkswagen Gol teria passado pela região nos momentos anteriores ao assassinato. Segundo as primeiras informações reunidas pela polícia, ocupantes do veículo efetuaram os tiros contra Kauã e fugiram logo depois.

O boletim de ocorrência descreveu o carro como um Volkswagen Gol prata. Outras informações divulgadas no início da apuração mencionaram um veículo escuro, divergência que ainda precisaria ser esclarecida por meio da análise das imagens e dos depoimentos.

Uma gravação analisada durante as diligências teria registrado uma discussão antes dos disparos. As imagens mostram a passagem de um veículo e uma situação de desentendimento envolvendo Kauã, mas não foram divulgados detalhes suficientes para estabelecer toda a sequência do homicídio.

A investigação avançou rapidamente e identificou Luan como um dos suspeitos. No mesmo dia do crime, a Justiça decretou sua prisão temporária, mas ele não foi encontrado nos endereços inicialmente procurados. Havia a possibilidade de que tivesse deixado o estado de São Paulo.

O avô de Kauã foi ouvido durante os primeiros levantamentos e relatou que o adolescente fazia uso de entorpecentes e poderia estar envolvido com a venda de drogas. Ele mencionou a possibilidade de o homicídio ter relação com o tráfico, mas afirmou que o neto não havia contado à família sobre ameaças específicas. O relato permanece como uma informação a ser verificada e não representa uma conclusão sobre a motivação do assassinato.

A declaração apresentada agora por Luan acrescenta uma nova versão ao inquérito. A Polícia Civil deverá apurar a origem das supostas ameaças alegadas pelo investigado, quando teriam ocorrido e se existem mensagens, testemunhas ou outros elementos que confirmem esse relato.

Os investigadores também trabalham para localizar a arma utilizada no crime. Até a apresentação de Luan, não havia informação sobre a apreensão do armamento nem sobre a realização de confronto balístico com os projéteis ou vestígios encontrados pela perícia.

A apuração não foi encerrada com a confissão atribuída ao jovem. A Delegacia de Homicídios ainda tenta identificar e localizar uma segunda pessoa que pode ter participado do assassinato. A possível função desse envolvido, incluindo se estava no veículo ou se também efetuou disparos, não foi divulgada.

Segundo a Polícia Civil, Luan já havia sido apreendido anteriormente em uma ocorrência envolvendo disparos de arma de fogo contra uma companhia da Polícia Militar no Jardim Diamante, em São José dos Campos. Na época, ele ainda era adolescente e respondeu ao caso por meio de medida socioeducativa.

Luan completou 18 anos no início de 2026. Por já ser maior de idade quando Kauã foi assassinado, responde à investigação criminal como adulto. Após os procedimentos policiais, ele deverá ser encaminhado para uma unidade prisional de Caçapava e permanecerá à disposição da Justiça.

A prisão é temporária e não representa uma condenação. O prazo de 30 dias poderá ser utilizado pela Polícia Civil para aprofundar as diligências, confrontar o depoimento de Luan com as provas já reunidas e esclarecer a eventual participação de outra pessoa.

A investigação permanece concentrada em três pontos centrais: verificar a motivação alegada pelo suspeito, localizar a arma empregada no homicídio e identificar o segundo envolvido. A confissão atribuída a Luan representa um avanço, mas ainda não responde a todas as perguntas sobre a morte de Kauã Vinícius Silva Pereira.

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