Quinta-feira, Setembro 10, 2026
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UM MORTO, OUTRO INTERNADO E FREIOS SOB SUSPEITA: ACIDENTE COM VIATURA DA GCM AINDA CERCA MORTE DE BRAYAN DE PERGUNTAS


Três dias depois da colisão que matou Brayan Willian dos Santos Ferreira da Silva, de 16 anos, a ocorrência envolvendo uma motocicleta e uma viatura da Guarda Civil Municipal de São José dos Campos continua cercada por pontos ainda não esclarecidos. O adolescente que conduzia a moto, também de 16 anos, permanecia internado nesta quinta-feira, 10 de setembro, enquanto a Polícia Civil aguardava laudos para reconstruir a dinâmica do acidente.

Brayan estava na garupa da motocicleta e morreu no local. O condutor sofreu ferimentos e foi encaminhado ao Hospital Municipal da Vila Industrial, onde continuava recebendo atendimento. Não foram divulgadas informações atualizadas sobre a gravidade das lesões nem uma previsão de alta.

Quando deixar o hospital, o adolescente deverá ser apresentado à Vara da Infância e da Juventude de São José dos Campos. Ele foi apreendido pela Polícia Civil por atos infracionais análogos aos crimes de receptação, adulteração de sinal identificador de veículo, desobediência e condução sem habilitação.

A sequência que terminou em morte começou na tarde de segunda-feira, 7 de setembro, na região do Campo dos Alemães. Segundo a versão apresentada pela Prefeitura de São José dos Campos, agentes da GCM avistaram dois adolescentes em uma motocicleta sem placa. O condutor também estaria sem capacete.

Os guardas deram ordem de parada, mas o motociclista não teria obedecido. A partir daquele momento, começou um acompanhamento que, conforme a administração municipal, durou aproximadamente 20 minutos e atravessou bairros da região sul da cidade.

A ocorrência terminou no Residencial Dom Pedro I. Imagens obtidas durante a investigação mostram a motocicleta e a viatura passando pela Rua Alice Arbex pouco antes do acidente. A colisão aconteceu na Rua Dionísio Alves da Silva, onde os dois veículos acabaram atingindo o muro de uma residência.

Com o impacto, os dois adolescentes foram atingidos. Brayan, que estava na garupa, sofreu ferimentos fatais e morreu antes que pudesse ser levado a um hospital. O outro jovem foi socorrido com vida.

Um guarda municipal que estava na viatura também ficou ferido. Conforme as informações registradas, ele sofreu uma lesão na cabeça e precisou ser encaminhado para atendimento hospitalar. Não foram divulgadas informações sobre seu estado de saúde atual.

O agente que conduzia a viatura apresentou à polícia uma informação que se tornou central para a investigação. Em depoimento, ele afirmou que tentou reduzir a velocidade ao perceber que a motocicleta diminuía para fazer uma curva, mas os freios do veículo oficial não teriam respondido.

A versão será submetida à análise técnica da Polícia Científica. Os peritos deverão examinar o sistema de frenagem, as condições mecânicas da viatura, os danos causados pela batida e outros componentes que possam ajudar a determinar se ocorreu uma falha antes da colisão.

A Prefeitura informou que a viatura havia passado por um procedimento de verificação antes de ser liberada para o trabalho. Segundo o secretário de Proteção ao Cidadão, Rafael Silva, os guardas municipais são obrigados a fazer um checklist dos veículos antes de iniciar o serviço. Naquele dia, não foi registrado qualquer problema no sistema de freios.

A existência de duas versões que precisam ser tecnicamente confrontadas aumentou a importância da perícia. De um lado, o condutor da viatura afirma que o sistema não respondeu no momento da curva. Do outro, a administração municipal informa que os freios funcionavam normalmente durante a inspeção realizada antes da saída do veículo.

A previsão divulgada é que o laudo sobre o sistema de frenagem seja concluído em até 15 dias. O resultado poderá indicar se havia defeito mecânico anterior ao acidente, se alguma avaria foi provocada pela própria colisão ou se o sistema estava em condições normais de funcionamento.

A Polícia Civil também analisa vídeos gravados ao longo do percurso. Além das imagens da viatura acompanhando a motocicleta, os investigadores tiveram acesso a registros dos dois adolescentes com o veículo horas antes do acidente.

A apuração deverá considerar a velocidade desenvolvida pelos dois veículos, a distância mantida durante o acompanhamento, as características das ruas percorridas, a visibilidade, as condições do pavimento e os procedimentos adotados pelos agentes da Guarda Civil Municipal.

A motocicleta envolvida no acidente era uma Royal Enfield Classic 350 preta e estava sem a placa de identificação. Conforme o boletim de ocorrência, o veículo havia sido furtado 11 dias antes, na noite de 27 de agosto, no Campo dos Alemães.

O proprietário teria deixado a moto estacionada e, quando retornou, percebeu que ela havia desaparecido. O veículo somente foi recuperado depois da colisão no Dom Pedro I.

A investigação deverá esclarecer como a motocicleta furtada chegou aos adolescentes e se eles tinham conhecimento da origem do veículo. O fato de Brayan estar na garupa também será analisado separadamente da conduta atribuída ao jovem que estava na direção.

Familiares de Brayan afirmaram que ele não participou do furto e não sabiam que a motocicleta era produto de crime. A irmã do adolescente contou que, pouco antes de sair de casa, ele havia separado os objetos que usaria no trabalho no dia seguinte. “Não era bandido”, declarou ao defender a memória do irmão.

A família também cobra esclarecimentos sobre a atuação dos agentes e a causa da colisão. A avó de Brayan pediu justiça e afirmou que os parentes esperam respostas sobre os últimos minutos do adolescente.

Brayan foi sepultado na terça-feira, 8 de setembro, um dia após o acidente. Familiares e amigos se despediram do adolescente enquanto a Polícia Civil reunia depoimentos, imagens e vestígios para tentar esclarecer o que ocorreu durante os cerca de 20 minutos de acompanhamento.

A apuração não se limita à alegada falha nos freios. Os investigadores também deverão analisar o momento da abordagem, a desobediência à ordem de parada, o percurso realizado, a forma como a viatura se aproximou da motocicleta e a posição dos veículos no instante da colisão.

Paralelamente ao inquérito policial, o caso deverá ser analisado pela Corregedoria da Guarda Civil Municipal. O procedimento interno terá a finalidade de verificar se os protocolos operacionais foram seguidos pelos agentes durante todo o acompanhamento.

O adolescente que conduzia a motocicleta ainda não havia prestado depoimento formal sobre a ocorrência porque permanecia hospitalizado. Sua versão poderá ser colhida depois da autorização médica e deverá integrar a investigação sobre a origem da moto e a dinâmica da colisão.

Até a última atualização, não havia conclusão sobre a responsabilidade pelo acidente. Também não estava confirmado se uma falha mecânica provocou a batida. A Polícia Civil aguarda os laudos periciais, enquanto o adolescente permanece internado e a família de Brayan espera respostas sobre a morte do jovem.

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