Quarta-feira, Agosto 12, 2026
Cidades

DO ROBLOX À PRISÃO: HOMEM É PRESO EM PINDAMONHANGABA SUSPEITO DE ALICIAR MENINA DE 11 ANOS PELA INTERNET


Uma investigação que começou depois que uma mãe descobriu conversas mantidas pela filha de apenas 11 anos pela internet terminou com um homem de 43 anos preso em Pindamonhangaba nesta quarta (12). Segundo o Ministério Público de Minas Gerais, o investigado teria utilizado redes sociais, aplicativos de mensagens e até a plataforma de jogos Roblox para conquistar a confiança da criança e obter imagens e vídeos de conteúdo íntimo.

A operação foi realizada pelo Ministério Público de Minas Gerais por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos, o Gaeciber, e da 26ª Promotoria de Justiça de Belo Horizonte. A investigação tramita sob sigilo judicial por envolver uma criança de 11 anos, moradora de Belo Horizonte. A Justiça expediu um mandado de prisão preventiva e outro de busca e apreensão contra o investigado.

Segundo as apurações, o homem teria se aproximado da menina através de diferentes ambientes virtuais. Entre as ferramentas citadas oficialmente pelo MPMG estão redes sociais, aplicativos de mensagens e jogos eletrônicos, incluindo o Roblox. A suspeita é de que ele oferecia créditos e outras vantagens relacionadas aos jogos em troca do envio de imagens e vídeos íntimos.

Ainda de acordo com o Ministério Público, depois de estabelecer uma relação de confiança com a criança, o suspeito teria passado a solicitar conteúdos de natureza sexual por canais privados de comunicação. A investigação busca agora reconstruir toda a extensão desses contatos e verificar os materiais armazenados nos dispositivos eletrônicos apreendidos durante a operação.

O caso chegou às autoridades por iniciativa da mãe da menina. Segundo o MPMG, ela percebeu as conversas mantidas pela filha, reuniu informações e apresentou o material que permitiu o início da investigação. A partir desses dados e de diligências de inteligência, as equipes conseguiram identificar o homem e chegaram até Pindamonhangaba, onde ele foi localizado.

A ação no Vale do Paraíba reuniu forças de dois estados. Participaram da operação o Gaeciber e a Promotoria de Justiça de Belo Horizonte, com apoio do Gaeco Regional do Vale do Paraíba, do Batalhão de Ações Especiais de Polícia de São Paulo e de policiais militares e civis de Minas Gerais cedidos ao grupo especializado.

Durante o cumprimento do mandado de busca, os agentes encontraram três telefones celulares, uma CPU, um disco rígido e outros materiais eletrônicos. Todos os equipamentos deverão ser encaminhados para análise pericial. A expectativa é de que os exames possam revelar conversas, arquivos, contas utilizadas, registros de acesso e outros elementos capazes de esclarecer a dinâmica dos contatos investigados.

Informações divulgadas posteriormente detalharam que entre os aparelhos recolhidos estariam um iPhone 13 e dois celulares da Xiaomi, além de um disco rígido Toshiba com capacidade de 1 terabyte. Esses dispositivos passam a ter importância central para a continuidade da investigação, já que poderão conter informações sobre o período em que o suspeito teria mantido contato com a criança.

A operação ganhou outro desdobramento quando os agentes encontraram armas e munições no imóvel. Segundo o Ministério Público, foram localizadas duas armas de fogo e 48 munições, situação que resultou também na prisão em flagrante do investigado, além da prisão preventiva que já havia sido determinada pela Justiça no âmbito da investigação sobre o crime virtual.

Publicação regional que acompanhou o caso informou que as armas seriam de fabricação artesanal e calibre 22. Também teriam sido encontradas 48 munições intactas e quatro já deflagradas. O material deverá integrar os procedimentos policiais decorrentes da apreensão realizada no endereço.

Após a operação, o homem foi conduzido para a Delegacia Central de Pindamonhangaba, onde permaneceu à disposição da Justiça. A identidade do investigado não foi divulgada pelas autoridades e nenhum dado capaz de permitir a identificação da menina foi tornado público.

O caso permanece sob sigilo e a investigação não terminou com a prisão. Os equipamentos eletrônicos ainda serão examinados e as autoridades deverão aprofundar a análise dos contatos digitais atribuídos ao investigado. Entre os pontos que poderão ser esclarecidos pela perícia estão a duração das conversas, quais plataformas foram utilizadas, a existência de arquivos armazenados e se há elementos relacionados a outras pessoas ou possíveis vítimas. A eventual existência de outros casos, entretanto, ainda não foi confirmada oficialmente.

O Gaeciber, responsável pela investigação em conjunto com a Promotoria de Justiça, é uma estrutura especializada do Ministério Público mineiro voltada ao combate de delitos cometidos ou investigados no ambiente digital. Entre suas áreas de atuação estão crimes relacionados ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes na internet, além de outras modalidades de criminalidade cibernética.

A prisão em Pindamonhangaba mostra ainda como investigações iniciadas a partir de uma ocorrência em outro estado podem avançar por meio do rastreamento de informações digitais e da atuação integrada entre diferentes forças de segurança. Neste caso, a vítima está em Belo Horizonte, enquanto o homem investigado foi identificado e localizado a centenas de quilômetros, no Vale do Paraíba.

O Ministério Público informou que a análise pericial dos celulares, computador, disco rígido e demais materiais apreendidos será uma das próximas etapas da investigação. O procedimento continuará sob sigilo para preservar a criança e permitir o aprofundamento das diligências.

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