Quinta-feira, Agosto 6, 2026
Plantão Policial

FALSA CURA, SEXO E AMEAÇAS: MÃE E FILHA DENUNCIAM LÍDER RELIGIOSO POR ANOS DE ABUSOS EM JACAREÍ


O discurso de cura espiritual e física teria escondido uma sequência de crimes sexuais, ameaças e perseguição em Jacareí, no Vale do Paraíba. Uma jovem de 22 anos e sua mãe, de 43, denunciaram à Polícia Civil um líder religioso que, segundo os relatos, teria utilizado a confiança conquistada dentro de um ambiente religioso para convencê-las e coagi-las a manter encontros sexuais periódicos com ele.

De acordo com o registro policial, o investigado afirmava que as duas mulheres precisavam passar por tratamentos para alcançar uma suposta cura. O procedimento apresentado por ele, no entanto, envolveria contatos sexuais realizados quinzenalmente. O caso foi registrado como estupro, violação sexual mediante fraude, perseguição e ameaça. Medidas protetivas de urgência também foram solicitadas em favor das vítimas.

O homem mantinha um terreiro de Umbanda nos fundos da própria residência, onde também ministrava aulas de capoeira. Mãe e filha frequentavam o local desde 2018, período em que teriam desenvolvido uma relação de proximidade e confiança com o investigado.

A mãe participava das aulas oferecidas no imóvel. A jovem, por sua vez, chegou a trabalhar em um lava-rápido e também alugou uma propriedade pertencente ao homem. Esses vínculos teriam mantido as vítimas próximas ao suspeito durante vários anos.

Segundo a denúncia apresentada às autoridades, as primeiras importunações e investidas de natureza sexual contra a jovem teriam começado em 2022. A situação teria se agravado no ano seguinte, quando o investigado supostamente a levou até o terreiro em um momento no qual o espaço estava vazio.

Nesse episódio, ocorrido em 2023, a jovem relatou que teria sido forçada, mediante coação, a manter relação sexual com o líder religioso. A partir dos anos seguintes, ele teria passado a sustentar que os contatos sexuais faziam parte de um tratamento necessário para a cura espiritual e física dela.

Conforme o relato policial, os encontros continuaram até a primeira quinzena de fevereiro de 2026. Durante esse período, a jovem teria sido convencida de que precisava se submeter regularmente ao suposto tratamento apresentado pelo homem.

A descoberta de que as duas poderiam estar sendo vítimas do mesmo esquema ocorreu depois de uma conversa entre mãe e filha. Ao compartilharem as experiências vividas com o investigado, elas perceberam que o homem teria usado discursos semelhantes de cura para manter contatos sexuais com ambas.

A comparação dos relatos revelou, segundo a denúncia, que o mesmo método teria sido utilizado contra as duas mulheres. O homem recorreria à posição de liderança religiosa e à confiança depositada pelas frequentadoras do local para apresentar os atos como parte de procedimentos espirituais ou físicos.

Depois de identificarem a suposta fraude, mãe e filha decidiram deixar de frequentar o centro religioso. O afastamento, porém, não teria colocado fim à situação. Segundo o boletim policial, a jovem passou a ser perseguida pelo investigado após romper o vínculo com o local.

O homem teria começado a rondar a residência dela e a enviar mensagens de maneira insistente. Em uma das situações relatadas, ele teria entrado na casa da jovem utilizando uma cópia da chave do imóvel.

A mãe também afirmou ter sido ameaçada para que não procurasse a polícia. A intimidação teria ocorrido depois que as duas mulheres descobriram que o mesmo discurso de tratamento e cura era usado pelo investigado com ambas.

Diante da gravidade dos relatos, a ocorrência foi registrada por estupro, violação sexual mediante fraude, perseguição e ameaça. A Polícia Civil deverá apurar a cronologia dos episódios, analisar possíveis mensagens e verificar outros elementos capazes de confirmar as denúncias apresentadas pelas vítimas.

As investigações também deverão esclarecer se outras mulheres frequentadoras do espaço religioso tiveram experiências semelhantes. Até o momento, não há informação pública sobre novas denunciantes, cumprimento de mandado de busca, apreensão de aparelhos eletrônicos ou eventual pedido de prisão contra o investigado.

A identidade do homem não foi divulgada. Também não foram informados o bairro onde funcionava o espaço, a data em que mãe e filha procuraram a polícia ou se o investigado já foi chamado para prestar depoimento.

O pedido de medidas protetivas será analisado pela Justiça. As providências podem estabelecer restrições de aproximação e contato, conforme a avaliação judicial sobre o risco enfrentado pelas vítimas. Até a atualização disponível, não havia confirmação pública de que as medidas já tinham sido concedidas.

O caso permanece sob investigação, e as acusações ainda dependerão da reunião de provas, da conclusão do inquérito policial e da análise do Ministério Público e da Justiça. O investigado terá direito à defesa durante o procedimento.

Mulheres em situação de violência podem buscar orientação e denunciar pelo Ligue 180, serviço gratuito da Central de Atendimento à Mulher. Em São Paulo, ocorrências também podem ser registradas pela Delegacia Eletrônica, que oferece atendimento para casos de violência contra a mulher.

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