Quinta-feira, Agosto 6, 2026
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GOLPE DE R$ 205 MILHÕES NO CAIXA DO CRIME: OPERAÇÃO MIRA GRUPO LIGADO AO PCC NO VALE DO PARAÍBA


Uma ofensiva de grande porte contra o crime organizado atingiu em cheio o patrimônio de um grupo investigado por ligação com o Primeiro Comando da Capital, o PCC, no Vale do Paraíba. A Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias e a indisponibilidade de bens que podem alcançar R$ 205,7 milhões, durante a segunda fase da Operação Armagedom, deflagrada na manhã desta quinta-feira, dia 6 de agosto.

A ação mobilizou integrantes do Ministério Público do Estado de São Paulo, da Polícia Civil e da Polícia Militar para o cumprimento de 24 mandados de busca e apreensão. As ordens judiciais foram expedidas pela Justiça de São José dos Campos após o avanço das investigações sobre a atuação da organização criminosa na região.

Além das buscas, a operação determinou o afastamento de sigilos telemáticos, o bloqueio de contas bancárias e a indisponibilidade de imóveis, veículos, empresas e outros patrimônios vinculados aos investigados. Somadas, as medidas financeiras e patrimoniais podem atingir R$ 205,7 milhões.

Segundo o Ministério Público, o grupo é investigado pela possível prática de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro. Os suspeitos teriam concedido empréstimos com juros considerados abusivos e utilizado ameaças, intimidações e outros meios de pressão para cobrar as dívidas das vítimas.

As investigações apontam que o esquema continuou funcionando mesmo depois das prisões e condenações ocorridas na primeira fase da Operação Armagedom, realizada em novembro de 2024. De acordo com os investigadores, parte dos envolvidos teria mantido as atividades ilegais e ampliado o patrimônio apesar das medidas adotadas anteriormente pelas autoridades.

Um dos principais investigados teve a prisão preventiva decretada. Segundo a apuração, ele seria uma das lideranças da organização e continuava comandando as ações do grupo mesmo enquanto cumpria prisão domiciliar.

A investigação identificou imóveis residenciais e comerciais, veículos de alto padrão, empresas e outros bens que teriam sido utilizados para esconder recursos obtidos de forma ilícita. As autoridades também localizaram receitas superiores a R$ 48 mil por mês provenientes de aluguéis ligados ao patrimônio investigado.

Entre os bens atingidos pelas decisões judiciais estão pelo menos 37 cavalos da raça Mangalarga Marchador vinculados ao principal alvo da operação. Os animais passaram a integrar o conjunto patrimonial colocado sob indisponibilidade durante a investigação.

O valor total bloqueado é considerado um dos maiores já determinados em uma investigação envolvendo uma organização criminosa na região do Vale do Paraíba. A medida busca impedir que os investigados movimentem, vendam ou transfiram os bens enquanto o processo de apuração continua.

As investigações tiveram início em 2021. Durante os anos seguintes, os agentes reuniram documentos, dados bancários, informações empresariais e outros elementos que indicariam a utilização de empresas de fachada e pessoas interpostas para ocultar a verdadeira origem e propriedade dos recursos.

As chamadas pessoas interpostas são aquelas que aparecem formalmente como proprietárias de empresas, veículos, imóveis ou contas, mas que, segundo a investigação, podem estar agindo em benefício de terceiros. Esse tipo de estrutura é frequentemente investigado em casos de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.

O Ministério Público também identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada pelos investigados. A suspeita é de que parte do dinheiro obtido por meio de agiotagem e extorsões tenha sido colocada em atividades aparentemente legais para dificultar o rastreamento dos recursos.

A segunda fase da Operação Armagedom é coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, do Ministério Público de São Paulo. A Polícia Civil participa da ofensiva por meio do Núcleo Especial de Combate à Criminalidade Organizada, o Neccold.

A ação também conta com o apoio do 3º Batalhão de Ações Especiais de Polícia, o Baep, unidade da Polícia Militar especializada em operações de maior complexidade e no enfrentamento de organizações criminosas.

Os materiais recolhidos durante o cumprimento dos mandados serão analisados pelos investigadores. Telefones celulares, computadores, documentos, registros financeiros e outros objetos eventualmente apreendidos poderão auxiliar na identificação de novos integrantes e na reconstrução do caminho percorrido pelo dinheiro.

A apuração também deverá esclarecer a participação individual de cada investigado, a origem dos bens bloqueados e a possível utilização de empresas e imóveis para ocultar recursos provenientes das atividades criminosas.

As autoridades ainda buscam identificar outras pessoas que possam ter participado do esquema ou permitido a movimentação e a ocultação do patrimônio. Novas medidas judiciais poderão ser solicitadas conforme a análise dos materiais apreendidos nesta segunda fase.

Os envolvidos são tratados como investigados, e as responsabilidades criminais individuais dependerão da conclusão das investigações e das decisões da Justiça.

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