Quinta-feira, Julho 16, 2026
Capa

TRÂNSITO MATA QUASE UMA PESSOA POR DIA NO VALE E MOTOCICLISTAS VIRAM MAIORIA ENTRE AS VÍTIMAS


O trânsito no Vale do Paraíba deixou um rastro de dor no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, 194 pessoas morreram em acidentes na região, segundo dados do Infosiga, sistema do Governo do Estado de São Paulo que monitora os óbitos viários. O número representa uma pequena queda em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 197 mortes, mas ainda revela uma realidade grave: em seis meses, quase 200 famílias perderam alguém nas ruas, avenidas, estradas e rodovias do Vale.

A redução foi de apenas três mortes, o que mostra que o problema permanece praticamente estável e longe de um cenário de segurança. Na prática, a região continuou registrando, em média, mais de uma morte por dia quando considerado o recorte dos últimos 12 meses. Entre julho de 2025 e junho de 2026, foram 396 mortes no trânsito, média de 1,08 óbito diário.

O dado mais preocupante está sobre duas rodas. Das 194 mortes registradas no primeiro semestre deste ano, 103 envolveram motociclistas, o equivalente a 53% de todas as vítimas fatais. No mesmo período do ano passado, os motociclistas representavam 41% dos óbitos. A mudança mostra que, mesmo com leve queda no total geral de mortes, a participação de quem anda de moto cresceu de forma expressiva.

Os motociclistas aparecem como o grupo mais vulnerável no trânsito regional. A exposição direta do corpo, a falta de proteção estrutural, o uso intenso da moto para trabalho, deslocamentos rápidos, entregas e viagens curtas aumentam o risco de ferimentos graves em caso de colisão. Quando há excesso de velocidade, ultrapassagens perigosas, desatenção, desrespeito à sinalização ou disputa por espaço com veículos maiores, o resultado pode ser fatal.

Além dos motociclistas, o levantamento aponta 33 mortes de pedestres, 26 de ocupantes de automóveis, 20 de ciclistas e seis de caminhoneiros no primeiro semestre. Os números mostram que a violência no trânsito atinge diferentes perfis, mas tem se concentrado de maneira alarmante entre aqueles que circulam de moto.

As estradas e rodovias seguem como os locais mais letais. Neste ano, 52% das mortes foram registradas nesse tipo de via, acima dos 49,7% verificados no primeiro semestre de 2025. O dado reforça a necessidade de atenção redobrada em trechos de maior velocidade, onde qualquer erro pode ter consequências irreversíveis.

Entre as cidades com maior número de mortes no trânsito no primeiro semestre, São José dos Campos aparece no topo, com 40 óbitos. Em seguida estão Taubaté, com 31, Jacareí, com 16, Pindamonhangaba e Caçapava, com 14 cada, Ubatuba, com 12, e Guaratinguetá, com 11. Os números refletem tanto o volume de circulação quanto a gravidade das ocorrências em vias urbanas e rodoviárias.

O mês de maio acendeu um alerta ainda maior. A região registrou 46 mortes no trânsito, o maior número mensal desde junho de 2019, quando houve 51 óbitos. Junho apresentou queda, com 32 mortes, uma redução de 30,43% em relação a maio, mas ainda manteve o semestre em patamar elevado.

Especialistas em segurança viária apontam que o enfrentamento desse cenário passa por fiscalização, educação no trânsito, manutenção das vias, respeito aos limites de velocidade, uso correto de equipamentos de proteção, direção defensiva e atenção permanente de motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres. No caso das motos, a vulnerabilidade exige ainda mais prudência, especialmente em cruzamentos, rodovias, ultrapassagens e deslocamentos noturnos.

Os dados do Infosiga mostram que o Vale conseguiu reduzir ligeiramente o número total de mortes, mas não conseguiu diminuir a gravidade do problema. A queda de três óbitos em relação ao ano passado não muda o tamanho da tragédia. O trânsito continua matando, e os motociclistas passaram a representar mais da metade das vítimas fatais.

Cada número dessa estatística representa uma vida interrompida, uma família atingida e uma ausência permanente. No Vale do Paraíba, o primeiro semestre de 2026 termina com uma mensagem dura: a violência no trânsito segue fazendo vítimas em ritmo preocupante, e a segurança sobre duas rodas precisa ser tratada como prioridade.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

error: Content is protected !!