Quinta-feira, Julho 16, 2026
Capa

TESTEMUNHA-CHAVE PODE REVELAR O QUE ACONTECEU COM BERENICE ANTES DO DESAPARECIMENTO EM UBATUBA


A investigação sobre o desaparecimento da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar Faria, de 60 anos, entrou em uma fase considerada decisiva pela Polícia Civil. Os investigadores buscam localizar uma testemunha apontada como peça fundamental para esclarecer uma suposta agressão sofrida pela vítima pouco antes de desaparecer em Ubatuba. O relato dessa pessoa pode ajudar a reconstruir os últimos momentos de Berenice e confrontar versões apresentadas por pessoas ligadas ao caso.

Segundo informações apuradas durante a investigação, a testemunha teria presenciado uma agressão contra a cozinheira e ainda não foi ouvida oficialmente. Para a Polícia Civil, esse depoimento pode ser determinante para confirmar ou afastar uma das linhas investigadas, que aponta que Berenice teria sido atacada após ser acusada, sem apresentação de provas, de retirar mercadorias do estabelecimento onde trabalhava.

A principal investigada é a empresária Eliane Alves dos Santos, patroa de Berenice, que está presa temporariamente. De acordo com a denúncia analisada pela polícia, Eliane teria agredido a funcionária após a acusação. A testemunha procurada teria presenciado a cena e até tentado interromper a violência, mas teria recuado diante da intensidade das agressões. Todas essas informações ainda são tratadas como parte da investigação e dependem de confirmação por depoimentos, perícias e demais provas reunidas no inquérito.

Ainda conforme essa linha investigativa, após a suposta agressão, Berenice teria ficado desacordada e em estado grave. Na sequência, Eliane teria determinado que um homem conhecido pelo apelido de “Ney”, apontado como seu sobrinho, levasse a cozinheira em uma caminhonete, sob a justificativa de encaminhá-la a um hospital. Durante o trajeto, segundo a mesma versão, o veículo teria sido interceptado por dois homens ainda não identificados, e Berenice teria sido transferida para um carro vermelho.

A polícia também apura a informação de que a caminhonete teria retornado ao estabelecimento depois disso, numa tentativa de aparentar que nada havia acontecido. Essa narrativa, no entanto, ainda está sendo analisada e será confrontada com laudos periciais, registros de câmeras, depoimentos, dados de localização, materiais apreendidos e demais elementos técnicos.

Berenice desapareceu depois de trabalhar em um restaurante em Ubatumirim, no Litoral Norte de São Paulo. A cozinheira, que era de Igaratá, estaria negociando a rescisão do contrato e pretendia voltar para perto da família. O desaparecimento, inicialmente tratado como ausência de paradeiro, passou a ser investigado como homicídio pela Polícia Civil, embora o corpo da vítima ainda não tenha sido localizado.

Na última semana, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão e de prisão temporária contra Eliane Alves dos Santos. Durante a operação, os policiais relataram que, ao chegarem à residência da investigada, perceberam que um aparelho celular supostamente utilizado por ela teria sido arremessado pela janela em direção a um terreno vizinho. Apesar das buscas, o telefone não foi localizado.

No cumprimento dos mandados, foram apreendidas três armas de fogo, dois aparelhos celulares, o passaporte da investigada e dois veículos. Um dos automóveis passou a ser analisado após surgirem informações de que poderia ter sido usado na ocultação do corpo ou no desaparecimento da cozinheira. O outro chamou atenção dos investigadores por apresentar reparo recente compatível, segundo o boletim de ocorrência, com dano provocado por disparo de arma de fogo.

Todo o material apreendido será submetido à perícia. A análise dos celulares, veículos, armas e demais vestígios poderá ajudar a Polícia Civil a entender a dinâmica do desaparecimento e identificar possíveis envolvidos. As imagens de câmeras e registros de deslocamento também são considerados importantes para montar a linha do tempo do caso.

A busca pela testemunha ganhou prioridade justamente porque ela pode preencher uma lacuna fundamental na investigação. Se o relato for confirmado, poderá ajudar a esclarecer se Berenice foi agredida antes de desaparecer, quem participou da ação e qual teria sido o destino da cozinheira depois de ser retirada do local onde trabalhava.

Enquanto a testemunha não é localizada, a Polícia Civil segue ouvindo pessoas ligadas ao caso e analisando os materiais apreendidos. A família de Berenice acompanha a investigação em meio à angústia pela falta de respostas. O caso, que começou com o desaparecimento de uma trabalhadora que queria retornar para casa, agora reúne prisão temporária, suspeita de homicídio, suposta agressão, veículos apreendidos, armas recolhidas e uma testemunha que pode mudar o rumo da apuração.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

error: Content is protected !!