CARRO COM PLACAS DE TAUBATÉ TERIA DADO APOIO A ATAQUE CONTRA IRMÃO DE ELOÁ, TENENTE DA ROTA BALEADO NA CABEÇA
A investigação sobre o atentado contra o tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, irmão mais velho de Eloá Pimentel, ganhou um novo elemento ligado ao Vale do Paraíba. Segundo a Polícia Civil, o carro que teria dado apoio aos criminosos envolvidos na emboscada ostentava placas de Taubaté e foi flagrado por câmeras de monitoramento em pontos estratégicos antes da ação criminosa.
Ronickson foi baleado na cabeça no sábado, dia 27, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, enquanto estava parado em um semáforo. O ataque é tratado pela Polícia Civil como tentativa de homicídio qualificado. Para os investigadores, a dinâmica indica uma ação planejada, com monitoramento prévio da rotina do policial e apoio logístico aos executores.
As imagens analisadas pela polícia mostram que o veículo de apoio já estava nas proximidades da academia frequentada pelo tenente. Um dos suspeitos teria chegado de moto, entrado rapidamente no carro para pegar equipamentos, como capacete, e depois se juntado ao atirador em uma motocicleta usada na execução da emboscada. A moto utilizada no crime havia sido roubada e circulava com placa clonada.
Durante as diligências, os policiais também apreenderam um capacete com digitais parciais e uma luva nas proximidades da motocicleta abandonada. Esses materiais devem passar por análise e podem ajudar na identificação de outros envolvidos no atentado. A presença do carro com placas de Taubaté passou a ser considerada uma peça importante para entender a rota, a preparação e a estrutura usada pelos criminosos.
A Polícia Civil montou uma força-tarefa especial para esclarecer o caso e prender os envolvidos. Até o momento, dois suspeitos apontados como responsáveis por monitorar a rotina do tenente e dar apoio logístico aos atiradores foram localizados e presos na Zona Leste de São Paulo. A investigação ainda busca identificar todos os participantes da ação, a motivação do atentado e a origem dos veículos utilizados.
O major da Polícia Militar Marcos Verardino, responsável pela Rota, afirmou acreditar que o crime foi premeditado. A linha de apuração considera que Ronickson pode ter sido seguido antes de ser atacado, já que os criminosos sabiam os horários e deslocamentos do policial. O uso de carro de apoio, motocicleta roubada, placa clonada e equipamentos reforça a suspeita de planejamento.
Após ser baleado, o tenente da Rota foi socorrido e passou por cirurgia neurológica de emergência no ABC Paulista. Ele segue internado em estado grave, porém considerado estável pelos médicos. O caso mobilizou equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar, além de gerar forte repercussão por envolver um oficial da Rota e por sua ligação familiar com um dos crimes mais conhecidos do país.
Ronickson é irmão mais velho de Eloá Cristina Pimentel, morta aos 15 anos em 2008, após ser mantida em cárcere privado pelo ex-namorado Lindemberg Alves em Santo André. O caso teve repercussão nacional e marcou profundamente a história recente da segurança pública brasileira. A nova violência envolvendo a família voltou a chamar atenção para o nome de Eloá e para a trajetória de Ronickson na Polícia Militar.
Lindemberg Alves, condenado a 39 anos pela morte de Eloá, foi transferido em abril deste ano da Penitenciária 2 de Tremembé para uma unidade prisional em Potim, no Vale do Paraíba, conhecida por receber presos de grande repercussão. A transferência não foi apontada pela investigação como relacionada ao atentado contra Ronickson, mas voltou a ser lembrada diante da repercussão do caso.
Com o avanço das apurações, a Polícia Civil tenta reconstruir cada passo da emboscada. O carro com placas de Taubaté, a motocicleta roubada, os objetos apreendidos e as imagens de câmeras devem ajudar os investigadores a entender como o ataque foi organizado. Enquanto isso, Ronickson permanece internado, e a força-tarefa segue em busca de respostas sobre quem mandou, quem executou e por que o tenente da Rota foi alvo dos criminosos.


