“MEU FILHO NÃO PARA DE CHORAR”: PINSCHER É MORTO POR PITBULL EM PRAÇA E FAMÍLIA VIVE DRAMA EM SÃO JOSÉ
O que era para ser uma noite comum em família, acompanhando uma partida de futebol em uma praça do bairro Monte Castelo, em São José dos Campos, terminou em desespero, correria e luto. Léo, um cachorro da raça pinscher, morreu após ser atacado por uma pitbull na Praça Francisco Escobar, na noite de sábado, dia 27. O ataque aconteceu diante de moradores, crianças e da própria família do animal, que agora tenta lidar com a dor da perda.
A tutora do pinscher, Mislene, contou que estava com os dois cães no colo quando a pitbull, que circulava solta pela praça, avançou sobre eles. Ela conseguiu proteger uma das cachorras, mas Léo caiu no chão e acabou atacado. A cena, segundo moradores, provocou pânico entre as pessoas que estavam no local.
Emocionada, Mislene relatou que o filho presenciou a morte do animal e ficou profundamente abalado. “Ela estraçalhou meu cachorrinho. Meu filho já tem dois dias que não para de chorar pedindo o cachorro”, disse a tutora, em entrevista à Rede Vanguarda. A frase resume a dor de uma família que perdeu não apenas um animal de estimação, mas um companheiro de convivência, afeto e rotina.
Moradores que estavam na praça disseram que o ataque gerou correria. Crianças que brincavam no local e outros frequentadores teriam se refugiado dentro da quadra esportiva até que a cadela fosse contida. Uma moradora relatou que a cena foi desesperadora e que algumas crianças tentaram afastar o animal com bicicletas, sem conseguir interromper o ataque.
Quem conseguiu conter a pitbull foi Everton, pai de uma criança que estava na quadra. Ele contou que, ao saber que se tratava de um pitbull, pegou uma barra de ferro para proteger o filho. Segundo ele, ao se aproximar, a cadela pulou em sua direção, mas não o mordeu. Everton conseguiu segurá-la pela coleira e percebeu que o animal estava muito agitado por causa da correria.
O tutor da pitbull afirmou, em entrevista à reportagem, que a cadela escapou de casa quando ele saiu para colocar o lixo para fora. Segundo ele, o animal teria ficado escondido atrás de um carro e saiu correndo quando o portão foi aberto. O homem disse ainda que a cadela foi resgatada das ruas e que nunca havia apresentado comportamento agressivo.
De acordo com o tutor, a pitbull sempre foi dócil e carinhosa com pessoas, e o ataque teria sido um acontecimento inesperado. Ele afirmou que nunca imaginou uma reação como a registrada na praça. Apesar da explicação, o episódio reacendeu a discussão sobre guarda responsável, principalmente quando se trata de animais de grande porte e forte capacidade física.
O caso mobilizou o Corpo de Bombeiros e a Guarda Civil Municipal. A ocorrência foi registrada, e o ataque é investigado pela Polícia Civil. Não houve informação de pessoas feridas, mas o episódio deixou moradores assustados e uma família devastada pela morte do pinscher.
A morte de Léo não foi um caso isolado em São José dos Campos. Este é o quarto ataque envolvendo cães registrado na cidade em 2026. Em fevereiro, uma idosa de 69 anos morreu após ser atacada por dois pitbulls enquanto caminhava no Jardim Primavera 2. No fim de maio, uma mulher de 48 anos e o cachorro dela ficaram feridos depois que um bull terrier escapou de uma residência no Jardim das Indústrias. Na sexta-feira, dia 26, um pug morreu após ser atacado por dois pitbulls que escaparam de uma casa na zona leste.
A sequência de casos aumenta a preocupação de moradores e tutores. Praças, calçadas e espaços públicos são locais de convivência coletiva, frequentados por crianças, idosos, famílias e animais de pequeno porte. Quando um cão escapa ou circula sem controle, o risco pode se transformar rapidamente em tragédia.
Especialistas em comportamento animal e segurança pública costumam reforçar que a responsabilidade não está apenas no porte ou na raça do cão, mas principalmente na forma como o animal é conduzido, contido e supervisionado. O tutor precisa garantir que portões estejam fechados, que o animal não tenha acesso livre à rua e que, em espaços públicos, esteja com guia e controle adequado.
Para a família de Mislene, porém, a discussão agora vem depois da dor. Léo não voltou para casa. O filho da tutora segue chorando pelo cachorro. E uma praça que deveria ser espaço de lazer se transformou em cenário de trauma para quem viu o ataque.
A Polícia Civil deverá apurar as circunstâncias do caso. Enquanto isso, moradores do Monte Castelo cobram mais cuidado e responsabilidade para evitar que novos ataques aconteçam. Em São José dos Campos, a morte do pinscher reforça um alerta que já vinha sendo repetido em outros episódios: animal em via pública exige controle, vigilância e responsabilidade permanente do tutor.


