DE PERSEGUIÇÃO NOS EUA A GOLPE EM HOTEL DE LUXO: PRESO PELO ICE É ACUSADO DE ESTELIONATO EM CAMPOS DO JORDÃO
O nome de Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla, conhecido como “Don”, voltou a aparecer em um caso que liga polícia internacional, suspeitas criminais e uma acusação de golpe em plena alta temporada de inverno em Campos do Jordão. Detido pela polícia migratória dos Estados Unidos, o ICE, após uma perseguição, ele também responde na Justiça brasileira a uma denúncia de estelionato envolvendo uma hospedagem em hotel de luxo na cidade da Serra da Mantiqueira.
Segundo o ICE, Felipe seria ex-chefe das facções Primeiro Comando da Capital, o PCC, e Comando Vermelho, o CV. No entanto, autoridades de São Paulo e do Rio de Janeiro não reconhecem o homem preso nos Estados Unidos como chefe dessas facções. No Brasil, o mandado de prisão citado contra ele é relacionado ao crime de extorsão. Agora, outro processo chama atenção: uma acusação de que ele teria aplicado um golpe de R$ 9.217,25 em um dos hotéis mais luxuosos de Campos do Jordão.
De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo, o caso teria ocorrido em julho de 2018, durante a alta temporada de inverno, período em que Campos do Jordão recebe grande fluxo de turistas atraídos pelo clima frio, pela gastronomia, pela rede hoteleira e pelo charme que tornou a cidade conhecida como a “Suíça Brasileira”.
A denúncia aponta que Felipe teria se hospedado no hotel durante duas diárias, em uma reserva feita para um casal. O valor total da hospedagem era de R$ 9.217,25, com pagamento realizado por cartão de crédito. Segundo o processo, o check-in e o check-out teriam ocorrido normalmente entre os dias 7 e 9 de julho daquele ano.
O problema apareceu depois da estadia. Conforme o Ministério Público, a operadora do cartão contestou a transação sob a alegação de que o titular não reconhecia a compra. Com isso, o valor foi estornado, e o hotel ficou com o prejuízo de mais de R$ 9,2 mil.
Ainda segundo a denúncia, o gerente do hotel relatou à polícia que uma apuração interna indicou que um veículo BMW X6, avaliado à época em cerca de R$ 200 mil e registrado em nome de Felipe, deu entrada no estabelecimento. Esse dado foi citado como um dos elementos usados para reforçar a suspeita de que ele teria usufruído da hospedagem, apesar de o pagamento ter sido cancelado posteriormente.
O caso foi denunciado à Justiça como estelionato, crime previsto no artigo 171 do Código Penal. O processo tramita na Justiça de Campos do Jordão e, até o momento, não há sentença. Por isso, Felipe é tratado como acusado no caso, com direito à defesa no decorrer do processo.
A acusação em Campos do Jordão ganhou maior repercussão após a prisão de Felipe nos Estados Unidos. A detenção feita pelo ICE ocorreu em meio a informações divulgadas pela autoridade migratória norte-americana, que o apontou como ex-liderança de facções criminosas brasileiras. No entanto, essa classificação não foi confirmada pelas autoridades paulistas e fluminenses, que não o reconhecem oficialmente como chefe do PCC ou do Comando Vermelho.
A relação entre o caso internacional e o processo em Campos do Jordão chama atenção pelo contraste entre o destino turístico de luxo e as acusações criminais atribuídas ao investigado. A cidade, tradicionalmente procurada por turistas durante o inverno, aparece no processo como palco de uma hospedagem de alto valor que teria terminado em prejuízo para o hotel.
A Justiça deverá analisar os elementos apresentados pelo Ministério Público, incluindo os dados da reserva, a contestação do pagamento, o relato do gerente e as informações sobre o veículo que teria dado entrada no hotel. A defesa de Felipe poderá se manifestar nos autos antes de qualquer decisão final.
Até a última atualização, não havia sentença no processo de estelionato em Campos do Jordão. O caso segue em tramitação e deverá ser analisado pela Justiça, que definirá se a acusação será comprovada ou não.

Felipe Linares De Oliveira Dell Aquilla, o Don — Foto: Divulgação

