Sábado, Junho 6, 2026
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TRAIÇÃO, BABÁ DE JACAREÍ E PRISÃO PERPÉTUA: AMERICANO É CONDENADO POR MATAR A ESPOSA EM PLANO QUE CHOCOU OS EUA


Um caso marcado por traição, morte e uma trama que chocou os Estados Unidos terminou com a condenação do ex-agente da Receita Federal americana Brendan Banfield à prisão perpétua. A sentença foi proferida nesta sexta-feira, 5, pela Justiça dos Estados Unidos, após um julgamento que revelou detalhes do assassinato de Christine Banfield, esposa do condenado, e de Joseph Ryan. No centro da investigação também aparece a brasileira Juliana Peres Magalhães, natural de Jacareí, que trabalhava como babá da família e mantinha um relacionamento amoroso com o patrão.

Segundo a acusação, Brendan Banfield e Juliana viviam um romance extraconjugal e teriam participado de um plano para eliminar Christine Banfield. O crime ocorreu em fevereiro de 2023, na região de Frying Pan, no Condado de Fairfax, no estado da Virgínia. Na época, Juliana trabalhava na residência da família e cuidava da filha pequena do casal. O caso ganhou grande repercussão internacional pela combinação de elementos que envolveram adultério, planejamento, mortes violentas e a presença de uma criança de apenas dois anos na casa no momento dos assassinatos.

De acordo com informações da CNN Internacional, Banfield foi condenado por homicídio duplo, crimes relacionados ao uso de armas de fogo e por colocar uma criança em situação de risco. A filha dele e de Christine estava dentro da residência quando os crimes aconteceram, ponto que aumentou ainda mais a gravidade do caso durante o julgamento.

A condenação de Brendan ocorreu poucos meses depois de Juliana Peres Magalhães também ser sentenciada nos Estados Unidos. Em fevereiro deste ano, a brasileira recebeu pena de 10 anos de prisão após admitir culpa por homicídio culposo pela morte de Joseph Ryan. Ela fechou um acordo com a Promotoria americana e aceitou colaborar com as investigações, tornando-se peça decisiva para a condenação do ex-agente federal.

Durante o julgamento, Juliana descreveu o relacionamento que mantinha com Brendan Banfield e relatou detalhes do suposto plano elaborado pelos dois. Segundo a acusação, o casal teria criado um perfil falso em uma plataforma ligada a fetiches sexuais para atrair Joseph Ryan até a casa da família. A presença de Ryan no imóvel teria sido usada como parte da trama criminosa.

Ainda conforme o depoimento da brasileira, Banfield teria atirado contra Joseph Ryan e matado a própria esposa a facadas dentro da residência. Juliana afirmou também que efetuou um disparo contra Ryan ao perceber que ele ainda estava vivo após os primeiros ataques. A versão apresentada por ela passou a ser considerada uma das principais bases da acusação contra Brendan.

O caso já havia causado impacto desde o início pela brutalidade dos crimes, mas ganhou novos contornos com a revelação de fotos íntimas, trocas de mensagens e registros que, segundo a Promotoria, indicariam planejamento prévio. Durante o julgamento, também foi apontado que Juliana e Banfield teriam frequentado estandes de tiro meses antes das mortes, elemento usado pela acusação para reforçar a tese de preparação.

Inicialmente, Juliana poderia enfrentar uma pena muito maior. Após meses sem colaborar com as investigações, ela mudou a versão dos fatos, fechou acordo com a Promotoria e passou a fornecer informações sobre a participação de Banfield. Com isso, a acusação contra ela foi reduzida para homicídio culposo. Mesmo com recomendação para que fosse considerada a pena já cumprida, a juíza Penney S. Azcarate decidiu aplicar a pena máxima prevista no acordo, de 10 anos de prisão.

Durante a audiência em que recebeu sua sentença, a brasileira pediu desculpas às famílias das vítimas e reconheceu a gravidade de suas escolhas. “Sei que meu remorso não trará paz a vocês. Me perdi em um relacionamento e deixei meus valores e princípios para trás”, declarou.

A mudança de versão de Juliana foi um dos pontos centrais do processo. Após a prisão, ela chegou a escrever cartas assumindo a responsabilidade pelos fatos, o que, segundo a investigação, teria sido uma tentativa de proteger o amante. Mais tarde, porém, passou a afirmar que Brendan Banfield planejou os assassinatos para encerrar o casamento sem enfrentar perdas financeiras em um eventual divórcio.

A nova versão apresentada pela brasileira foi aceita pelos investigadores e ajudou a sustentar a acusação que resultou na condenação definitiva de Brendan à prisão perpétua. Para a Promotoria, o testemunho de Juliana foi decisivo para reconstruir a sequência dos crimes, explicar a relação entre os envolvidos e demonstrar a existência de um plano.

Natural de Jacareí, Juliana Peres Magalhães acabou se tornando personagem central de um dos casos criminais mais comentados dos Estados Unidos nos últimos anos. A brasileira, que havia ido ao país para trabalhar como babá, terminou condenada a 10 anos de prisão depois de admitir participação no episódio. Já Brendan Banfield, apontado pela acusação como o principal responsável pela trama e pelas mortes, recebeu a pena máxima.

Com a sentença desta sexta-feira, o caso chega a um desfecho judicial pesado para o ex-agente federal, mas permanece marcado pela tragédia deixada para as famílias de Christine Banfield e Joseph Ryan. Duas vidas foram interrompidas dentro de uma casa onde também estava uma criança pequena, em uma história que começou com um relacionamento proibido e terminou com uma condenação à prisão perpétua.

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