Sábado, Maio 30, 2026
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SUMIRAM APÓS ENTRAR EM CARRO PRETO: DEIC INVESTIGA POSSÍVEL EXECUÇÃO DE TRÊS AMIGOS EM TAUBATÉ


O desaparecimento de três amigos em Taubaté passou a ser tratado como um dos casos mais graves investigados pela Deic, a Delegacia Especializada de Investigações Criminais. Miguel Kauã Lourenço Alves Braga, de 19 anos, Allisson Alves Braga, de 30 anos, e Rafael Vitor de Souza, de 20 anos, desapareceram no dia 5 de maio, na região do Jardim Sandra Maria, após, segundo testemunhas, entrarem em um carro preto nas proximidades de uma rotatória na entrada do bairro. Desde então, os três não foram mais vistos.

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o desaparecimento tenha ligação com o tráfico de drogas. As investigações apontam que os jovens teriam ido ao encontro de integrantes de um grupo ligado à venda de entorpecentes na região do Condomínio Residencial Sérgio Lucchiari e do Residencial Benedito Capeleto. A partir dessa linha de apuração, a Deic investiga a possibilidade de execução e ocultação dos corpos.

O caso é tratado como prioridade pelos investigadores. Desde o desaparecimento, a Polícia Civil tem analisado depoimentos, informações repassadas por testemunhas, denúncias anônimas e possíveis imagens que possam ajudar a reconstruir o trajeto dos três amigos antes do sumiço. Um dos principais pontos da apuração é identificar o carro preto no qual eles teriam entrado e descobrir quem estava no veículo.

Segundo relatos colhidos durante a investigação, Miguel, Allisson e Rafael foram vistos pela última vez entrando nesse automóvel. A suspeita é de que o encontro tenha sido marcado com pessoas ligadas ao tráfico. Depois disso, os jovens desapareceram sem deixar pistas concretas. Para a polícia, a dinâmica do caso levanta a possibilidade de que os três tenham sido levados para outro ponto, mortos e depois ocultados.

Durante as buscas, investigadores chegaram a verificar áreas suspeitas após denúncias sobre possíveis covas clandestinas. Até o momento, porém, nada foi encontrado. A Polícia Civil também confirmou que os três desaparecidos possuem passagens relacionadas ao tráfico de drogas, informação que reforçou a principal linha de investigação, embora não esclareça, por si só, a motivação do desaparecimento.

Em meio às apurações, a Deic de Taubaté prendeu em flagrante um jovem de 19 anos suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas. Ele foi localizado na quinta-feira, 28, no Condomínio Residencial Sérgio Lucchiari, no bairro Barreiro. Segundo a polícia, o rapaz tentou fugir correndo entre os blocos do condomínio ao perceber a aproximação das equipes, mas foi alcançado.

Com o suspeito, os policiais encontraram uma sacola e uma pochete contendo drogas e equipamentos usados pelo tráfico. Foram apreendidos 190 pinos de cocaína, 136 pedras de crack, 15 porções de maconha, dinheiro em espécie e um rádio comunicador HT, equipamento usado para monitorar a movimentação policial. Ainda segundo a investigação, o jovem costumava ostentar armas de fogo e grandes quantias em dinheiro nas redes sociais.

O rapaz foi autuado em flagrante por tráfico de drogas e permaneceu preso à disposição da Justiça. A prisão ocorreu dentro do contexto das investigações conduzidas pela Deic, que busca entender a estrutura criminosa atuante na região e apurar se há ligação entre integrantes do tráfico e o desaparecimento dos três amigos.

Enquanto a investigação avança, as famílias vivem dias de angústia. Marcela Laís, mãe de Miguel, contou que já procurou o filho em hospitais, delegacias e até no Instituto Médico Legal. A incerteza sobre o paradeiro do jovem aumentou o sofrimento da família, que segue cobrando respostas. “Estou acabada, com uma angústia muito grande no meu coração. Só quero achar meu filho”, disse.

A avó de Rafael, dona Geralda, também relatou o desespero diante da falta de notícias. “Eu só quero meu filho de volta. Independente da notícia, eu só quero ele de volta”, afirmou. Adriano, irmão de Allisson e parente de Miguel, contou que tem participado de buscas em áreas de mata e que não consegue mais dormir desde o desaparecimento. “Não tenho resposta, não consigo dormir. Trabalho chorando”, relatou.

A Polícia Civil segue trabalhando para identificar quem participou do encontro que antecedeu o desaparecimento, localizar o carro preto citado pelas testemunhas e descobrir o que aconteceu com Miguel, Allisson e Rafael. A apuração também busca esclarecer se os três foram vítimas de uma emboscada, se houve execução ligada ao tráfico e onde os corpos podem ter sido ocultados, caso essa hipótese seja confirmada.

Até o momento, os três continuam desaparecidos. Informações que possam ajudar a investigação podem ser repassadas de forma anônima pelo telefone 181, do Disque Denúncia, ou pelo 190 da Polícia Militar.

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