“QUERO JUSTIÇA”: FAMÍLIA SE DESPEDE DE GABRIEL E COBRA MOTORISTA QUE FUGIU APÓS ATROPELAMENTO NA DUTRA
A dor pela perda de Gabriel Guedes de Lima, de 38 anos, veio acompanhada de revolta para a família. Atropelado na madrugada de sexta-feira, 22, na rodovia Presidente Dutra, em Caçapava, ele morreu no local, sem que o motorista envolvido permanecesse para prestar socorro. Agora, parentes tentam transformar o luto em cobrança por respostas e pedem que o responsável seja identificado.
Gabriel foi atingido no km 128 da Dutra, na região da Vila São João, sentido São Paulo. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o veículo envolvido no atropelamento deixou o local antes da chegada das equipes. Quando a concessionária e os policiais chegaram ao trecho, Gabriel já estava morto na faixa de desaceleração da rodovia.
Em meio à despedida, a irmã dele, Sara Beatriz, falou sobre a dor de perder alguém que, segundo ela, era muito mais do que um irmão. “Eu perdi um amigo, perdi tudo. Ele era meu irmão, meu sangue”, disse, emocionada. Para a família, Gabriel era um “menino bom”, comunicativo, cheio de talentos e muito ligado às pessoas próximas.
Sara contou que Gabriel enfrentava dependência química e chegou a passar por clínica de recuperação, mas ressaltou que isso nunca apagou as qualidades que marcaram sua história. Ele gostava de desenhos, séries, tinha facilidade para aprender e trabalhou como eletricista. Também era apaixonado por skate, esporte em que chegou a se destacar antes de enfrentar problemas com drogas e álcool.
“Ele era um menino tão bom, comunicativo, aprendia rápido. Era um ótimo eletricista”, afirmou a irmã. Dentro de casa, Gabriel também era lembrado pelo carinho com os sobrinhos. Segundo a família, ele tatuou no corpo os nomes das quatro crianças, gesto que mostrava a ligação afetiva que mantinha com elas. “Era um tio excepcional, um irmão maravilhoso”, relatou Sara.
Além dos talentos no trabalho e no esporte, Gabriel também deixou lembranças simples e afetivas na rotina familiar. A irmã contou que ele tinha habilidade na cozinha e era conhecido pelo bolo de cenoura que preparava para os parentes. São memórias como essas que agora se misturam à indignação pela forma como ele morreu.
A família cobra a identificação do motorista que atropelou Gabriel e fugiu sem prestar socorro. “Quero descobrir quem foi, que pague pelo que aconteceu com o meu irmão. Não prestou socorro. Quero que pague. Nada vai acalmar o coração da mãe e do pai”, desabafou Sara.
O boletim de ocorrência aponta que não foram encontrados vestígios capazes de identificar o veículo, como peças, placa ou retrovisores. Inicialmente, Gabriel estava sem documentos, e o caso chegou a ser registrado sem identificação formal. A Polícia Civil requisitou exames necroscópico, toxicológico e de identificação datiloscópica.
O caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor e fuga de local de acidente, ambos previstos no Código de Trânsito Brasileiro. A investigação deve analisar imagens de câmeras da Dutra, registros da concessionária RioSP e possíveis danos em veículos que passaram pela região no horário do atropelamento.
Informações que possam ajudar a identificar o motorista podem ser repassadas anonimamente pelo Disque Denúncia, no telefone 181, ou diretamente à Polícia Rodoviária Federal.


