Domingo, Julho 12, 2026
Cidades

TERCEIRA MORTE CONFIRMA DIMENSÃO DA TRAGÉDIA COM ÔNIBUS DE MARIANA QUE SEGUIA PARA APARECIDA NA BR 267


A tragédia que atingiu uma excursão de Mariana rumo ao Santuário Nacional de Aparecida ganhou mais um capítulo de dor neste domingo, 12 de julho. Morreu a terceira vítima do grave acidente entre um ônibus de turismo e um caminhão carregado com leite na BR 267, entre Conceição do Rio Verde e Cambuquira, no Sul de Minas. A vítima foi identificada como Maria Geralda Severiano Honorato, de 60 anos, que estava internada no Hospital São Sebastião, em Três Corações, após ter passado por cirurgia ortopédica.

Maria Geralda havia sido socorrida com vida depois da colisão registrada na madrugada de sábado, 11 de julho, mas não resistiu aos ferimentos. A morte dela aumentou o peso da tragédia para a cidade de Mariana, que já chorava a perda de outras duas mulheres que estavam no ônibus. O que começou como uma viagem de fé, com destino a Aparecida, terminou em luto, hospitais, despedidas e sobreviventes tentando voltar para casa depois de uma madrugada marcada por desespero na rodovia.

Com a confirmação da terceira morte, o acidente passou a ter três vítimas fatais. Além de Maria Geralda Severiano Honorato, também morreram Geralda Aparecida de Souza Oliveira, de 41 anos, esposa do motorista do ônibus, e Maria Aparecida Gonçalves, de 57 anos. Geralda Aparecida foi sepultada no Cemitério dos Palmeiras, no distrito de Cabanas, em Ponte Nova, na Zona da Mata mineira. Maria Aparecida Gonçalves foi sepultada no Cemitério Santana, em Mariana. Segundo a Prefeitura de Mariana, o corpo de Maria Geralda também deve ser velado no Cemitério Santana, com sepultamento após o velório.

A Prefeitura de Mariana divulgou nota lamentando profundamente os óbitos provocados pela tragédia. A administração municipal afirmou que se solidariza com os familiares, amigos e com toda a comunidade marianense, profundamente abalada pelas perdas. A manifestação de pesar ocorreu enquanto parte dos sobreviventes retornava à cidade e outras vítimas ainda se recuperavam dos ferimentos.

O acidente aconteceu por volta das 3h de sábado, no km 338 da BR 267. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o ônibus de dois andares transportava 41 passageiros e um motorista. O grupo havia saído de Mariana, na Região Central de Minas Gerais, com destino ao Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo. A viagem, que tinha caráter religioso, foi interrompida de forma violenta no trecho entre Conceição do Rio Verde e Cambuquira.

A colisão envolveu o ônibus e um caminhão carregado com leite, que seguia no sentido contrário. A dinâmica inicial apontada pelas autoridades indica que uma estrutura do caminhão teria se desprendido na rodovia. O motorista do ônibus não conseguiu desviar e atingiu a peça. O impacto destruiu parte da dianteira do coletivo e deixou um cenário de destruição, com vítimas feridas, passageiros em estado de choque e equipes de emergência mobilizadas ainda durante a madrugada.

Relatos de sobreviventes revelaram o desespero vivido dentro do ônibus. Uma passageira contou que muitos ocupantes cochilavam no momento do impacto e que tudo aconteceu muito rápido. Segundo ela, os passageiros escutaram uma explosão e, logo depois, perceberam a gravidade do acidente. O choque deixou pessoas feridas, vítimas presas e ocupantes tentando entender o que havia acontecido no meio da rodovia.

Equipes do Corpo de Bombeiros, do Samu e de apoio foram acionadas para atender a ocorrência. As vítimas foram encaminhadas para hospitais de Três Corações e Lambari. No Hospital São Sebastião, em Três Corações, ficaram os casos que exigiam maior atenção médica, incluindo pacientes que passaram por cirurgia e pessoas em estado mais grave. Em Lambari, passageiros com ferimentos leves receberam atendimento no Hospital São Francisco de Paulo.

Depois do atendimento médico, ao menos 24 passageiros que receberam alta permaneceram acolhidos no Salão Nobre do Cassino, em Lambari. O local foi preparado pela prefeitura para receber os sobreviventes, que tiveram à disposição colchonetes, cobertores, alimentação e acompanhamento de profissionais de saúde. O abrigo temporário funcionou como ponto de apoio para quem havia escapado da tragédia, mas ainda não tinha condições imediatas de voltar para casa.

Neste domingo, os passageiros que tiveram alta finalmente retornaram para Mariana. A empresa responsável pela viagem disponibilizou um ônibus para transportar o grupo de volta à cidade de origem. O embarque marcou uma etapa difícil para os sobreviventes, que deixaram Lambari carregando lembranças do acidente, preocupação com os feridos que continuaram internados e a dor pela morte das três mulheres.

A volta para Mariana ocorreu em meio a um clima de comoção. Para muitos passageiros, o retorno não representou apenas o fim de uma viagem interrompida, mas o início de um processo de recuperação física e emocional. O grupo saiu para uma peregrinação e voltou marcado por uma tragédia que mobilizou cidades, hospitais, equipes de resgate e familiares.

A Polícia Civil informou que realizou perícia no local do acidente. Os corpos das duas vítimas que morreram ainda na rodovia foram encaminhados ao Posto Médico Legal, onde passaram por exames. A morte de Maria Geralda, ocorrida posteriormente no hospital, também passa a integrar o conjunto de informações analisadas na apuração.

As causas e circunstâncias da colisão continuam sendo investigadas. A apuração deverá esclarecer como a estrutura do caminhão se desprendeu, quais eram as condições do veículo de carga, como ocorreu o impacto com o ônibus e se houve algum fator mecânico, operacional ou externo que contribuiu para a tragédia. Também devem ser considerados os relatos dos sobreviventes, a perícia no trecho e as informações reunidas pelas equipes que atenderam a ocorrência.

A tragédia na BR 267 deixou marcas em diferentes cidades mineiras. Mariana perdeu três moradoras em uma viagem que tinha destino religioso. Ponte Nova recebeu o sepultamento de uma das vítimas. Três Corações e Lambari atenderam os feridos. Conceição do Rio Verde e Cambuquira passaram a fazer parte da rota de uma ocorrência que comoveu a região.

Enquanto os sobreviventes retornam para casa, familiares se despedem das vítimas e aguardam respostas sobre o que provocou a colisão. A excursão que saiu de Mariana rumo a Aparecida não chegou ao destino planejado. No caminho, a fé deu lugar ao impacto, à correria das equipes de socorro, ao silêncio dos hospitais e ao luto de uma cidade inteira.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

error: Content is protected !!