Quinta-feira, Maio 28, 2026
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DENGUE, UTI E REVOLTA: MORTE DE IDOSA NA SANTA CASA DE SÃO JOSÉ É QUESTIONADA PELA FAMÍLIA


A morte de uma idosa de 67 anos após complicações associadas à dengue virou motivo de dor, revolta e cobrança por respostas em São José dos Campos. Moradora do Jardim Satélite, na zona sul da cidade, B.M.G.N. morreu no dia 26 de abril de 2026, na Santa Casa, depois de um quadro clínico que se agravou durante a internação e terminou com passagem pela UTI, intubação, três paradas cardíacas e apontamento de dengue grave na certidão de óbito.

A família questiona a condução do atendimento e afirma que a paciente teria recebido inicialmente diagnóstico de influenza, mesmo após exames laboratoriais indicarem suspeita de dengue. Segundo a filha, a idosa procurou atendimento no dia 12 de abril, depois de apresentar febre alta, próxima dos 40°C, indisposição e sintomas compatíveis com a doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Ela foi atendida primeiro em uma UPA da cidade e, posteriormente, encaminhada à Santa Casa de São José dos Campos.

De acordo com os familiares, B.M.G.N. possuía histórico de problemas renais e reumatismo, além de fazer uso contínuo de medicamentos como anticoagulantes, corticoides e imunossupressores. A família relata que, durante a internação, o quadro evoluiu para dengue hemorrágica. A paciente passou a apresentar dificuldade respiratória intensa, episódios de taquicardia e precisou ser levada para a UTI. Exames teriam apontado acúmulo de líquido nos pulmões, e a idosa acabou intubada.

A certidão de óbito cita como causas da morte dengue grave, choque séptico, insuficiência respiratória aguda, infecção urinária hospitalar causada pela bactéria Pseudomonas aeruginosa, artrite reumatoide e hipertensão arterial sistêmica. Para a família, os apontamentos reforçam a necessidade de apuração sobre o atendimento recebido, principalmente diante da suspeita inicial de dengue e da infecção hospitalar registrada no documento.

A filha da vítima também afirma que a mãe já teria tido contato anterior com a mesma bactéria durante outro período de internação na Santa Casa. A família cobra explicações sobre a evolução do caso, o diagnóstico inicial e os procedimentos adotados até a morte da idosa. Para os familiares, a sequência de agravamento precisa ser analisada com rigor pelas áreas responsáveis.

Procurada por OVALE, a Santa Casa de São José dos Campos informou, em nota, que, em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, ao sigilo médico e à privacidade da paciente e de seus familiares, não divulga informações clínicas, dados de prontuário ou detalhes sobre atendimentos realizados. A instituição afirmou ainda que entrará em contato com a família para acolher a demanda apresentada e que o caso será analisado internamente pelas áreas competentes, com seriedade e transparência junto aos familiares.

A Santa Casa também informou que segue o fluxo determinado pelo Ministério da Saúde e que todos os casos de dengue identificados no hospital são notificados aos órgãos competentes. Até o momento, a morte de B.M.G.N. ainda não aparece nos painéis oficiais da Prefeitura de São José dos Campos e do Governo do Estado de São Paulo como óbito confirmado por dengue. Caso seja oficialmente confirmada pelas autoridades de saúde, poderá ser a segunda morte pela doença registrada no município em 2026.

Os dados oficiais mais recentes apontam uma morte confirmada por dengue em São José dos Campos neste ano, além de outros casos em investigação. O município registra 767 casos positivos da doença, sendo cinco classificados como graves. A confirmação de óbitos depende de análise técnica das autoridades de saúde, com avaliação de exames, histórico clínico, evolução do quadro e informações epidemiológicas.

Além das críticas ao atendimento médico, a filha da idosa também cobra providências contra possíveis focos do mosquito no Jardim Satélite. Ela cita uma cratera aberta nas proximidades do poliesportivo João do Pulo, região onde a família mora, e afirma que obras e buracos estariam acumulando água parada, favorecendo a proliferação do Aedes aegypti. Segundo a moradora, a mãe vivia em frente a um dos pontos com problema.

A morte de B.M.G.N. reúne duas frentes de cobrança da família: a apuração sobre o atendimento prestado durante a suspeita e evolução da dengue e a necessidade de ações contra possíveis criadouros do mosquito no bairro. O caso segue pendente de confirmação oficial como óbito por dengue pelas autoridades competentes.

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