Viúva desabafa após morte em racha em Caçapava: “Tiraram nossos sonhos”
“Tiraram nossos sonhos. Ele era trabalhador, cuidava da nossa moto, da nossa vida. Infelizmente, esses dois rapazes destruíram todos os nossos planos. Eu posso continuar, mas ele não estará aqui para realizar tudo o que sonhamos juntos.”
O desabafo é de Nathália Plata, viúva de Jean Carlo Barbosa Máximo, de 31 anos, vítima de um racha que terminou em tragédia em Caçapava, no último domingo (5). Jean, que havia se despedido da esposa com um beijo pouco antes do acidente, prometeu avisar quando chegasse ao destino. Ele voltava ao antigo endereço do casal, de onde haviam se mudado no dia anterior, quando foi atingido por um dos veículos que disputavam corrida.
De acordo com o boletim de ocorrência, Jean tentava acessar a marginal da rua Vereador Geraldo Nogueira da Silva quando foi surpreendido por um dos carros em alta velocidade. O impacto foi violento: ele foi arremessado a cerca de 200 metros e morreu carbonizado, após a motocicleta pegar fogo. “Ele não teve tempo de desviar. O carro pegou ele em cheio, arrastou e tudo pegou fogo”, contou Nathália, em meio às lágrimas.
Desesperada, ela ainda tentou correr até o local do incêndio, mas foi contida por colegas de trabalho. “Gritava o nome dele, pedia a Deus que ele não tivesse morrido. O desespero era grande demais.”
Segundo a Polícia Civil, os irmãos Jorge Expedito Petrovic Luiz, de 26 anos, e Bruno Petrovic Luiz, de 34, disputavam um racha com carros de luxo quando um deles perdeu o controle da direção. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que um Caoa Chery Tiggo 7 sai da pista, atravessa uma cerca e provoca um incêndio na vegetação. Após o acidente, os dois fugiram sem prestar socorro, mas foram localizados e presos. Jorge não possuía carteira de habilitação, e há indícios de que ambos estivessem embriagados.
O caso foi registrado como homicídio doloso, embriaguez ao volante, direção sem habilitação e racha, e os irmãos seguem presos preventivamente enquanto as investigações continuam.
A viúva rebateu rumores de que a moto estaria com o farol apagado. “Meu marido era especialista em elétrica automotiva. Ele cuidava da moto e de tudo com muito zelo.”
Agora, Nathália tenta encontrar forças para seguir em frente. “Eu posso continuar, mas ele não estará aqui para realizar tudo o que sonhamos juntos”, lamentou.
As imagens do momento do impacto e do incêndio circulam nas redes sociais e estão sendo analisadas pela polícia para reforçar a acusação de racha e homicídio doloso — quando há intenção assumida de matar.


