VEREADOR DE TAUBATÉ VESTE ESTRELA AMARELA USADA NA PERSEGUIÇÃO NAZISTA COM A FRASE “NÃO VACINADO” E PROVOCA DEBATE SOBRE O PASSAPORTE SANITÁRIO
Uma camiseta utilizada pelo vereador Alberto Barreto (PRD) durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Taubaté, na terça-feira (3 de novembro), chamou a atenção pela referência a um dos símbolos mais conhecidos da perseguição nazista contra os judeus. O parlamentar compareceu ao Legislativo vestindo uma Estrela de Davi amarela com a inscrição “não vacinado”, em uma manifestação contra as exigências de comprovação de vacinação adotadas durante a pandemia de Covid-19. A escolha remete a um símbolo de identificação obrigatória imposto a judeus pelo regime de Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial.
Alberto Barreto, que exerce seu segundo mandato na Câmara de Taubaté, utilizou a camiseta para questionar o chamado passaporte sanitário, documento exigido em determinados locais e atividades durante a pandemia. A estrela amarela usada na roupa reproduz a referência visual de um distintivo imposto pelos nazistas aos judeus em territórios sob seu controle, como parte de uma política de discriminação, segregação e perseguição.
Durante a Segunda Guerra Mundial, milhões de judeus foram obrigados a utilizar identificações visíveis em suas roupas. A medida integrava um conjunto de políticas antissemitas que restringiam direitos, promoviam a exclusão social e facilitavam a identificação das pessoas perseguidas. O Holocausto resultou no assassinato de aproximadamente seis milhões de judeus europeus pelo regime nazista e seus colaboradores.
A utilização desse símbolo em manifestações contra políticas de vacinação não é inédita. Durante a pandemia, participantes de protestos em diferentes países adotaram versões da estrela amarela para criticar restrições impostas a pessoas não vacinadas. A prática recebeu críticas de organizações de combate ao antissemitismo, que apontaram a inadequação de equiparar medidas sanitárias à perseguição sistemática e ao extermínio promovidos pelo nazismo.
Questionado sobre a escolha da camiseta, Alberto Barreto afirmou que pretendia chamar a atenção para os riscos de práticas estatais de identificação e segregação de determinados grupos. Segundo o vereador, sua manifestação não teve como objetivo estabelecer uma comparação direta entre a exigência de vacinação e o extermínio de judeus, mas destacar o que considera mecanismos de restrição às liberdades individuais.
“Minha intenção nunca foi fazer uma comparação direta com o extermínio em si, mas sim chamar a atenção para o processo de estigmatização, identificação e segregação que precede o colapso das liberdades individuais”, declarou o parlamentar ao explicar sua posição.
Barreto também argumentou que processos históricos de exclusão começam quando o Estado estabelece distinções entre grupos de cidadãos. Para ele, as regras relacionadas ao passaporte sanitário representaram um exemplo desse mecanismo, ao criar condições diferentes de acesso a determinados espaços e atividades conforme a situação vacinal das pessoas. Trata-se da interpretação política apresentada pelo vereador, sem que isso estabeleça equivalência histórica entre as medidas sanitárias e os crimes cometidos pelo regime nazista.
O parlamentar integra o Partido Renovação Democrática (PRD) e foi reeleito vereador em 2024, com 2.536 votos. Além de exercer seu segundo mandato, participa de comissões permanentes da Câmara Municipal, incluindo a Comissão de Ética. Sua manifestação ocorreu durante uma sessão legislativa, dando visibilidade institucional à mensagem estampada na camiseta.
Até as informações disponíveis, não havia confirmação de abertura de procedimento disciplinar relacionado ao episódio, nem manifestação oficial da presidência da Câmara de Taubaté ou de entidades judaicas especificamente sobre a atitude do vereador. A justificativa apresentada por Alberto Barreto permanece como seu posicionamento público sobre o uso da Estrela de Davi amarela e a crítica às exigências de vacinação durante a pandemia.

Foto: Reprodução/TV Câmara de Taubaté

