ESQUECIDA E TRANCADA EM ÔNIBUS ESCOLAR, MENINA DE 4 ANOS PASSA HORAS SOZINHA EM CUNHA: “FIQUEI QUIETINHA ESPERANDO”
Uma menina de apenas 4 anos passou horas sozinha dentro de um ônibus do transporte escolar municipal de Cunha, no interior de São Paulo, após não desembarcar na creche onde deveria estudar. A criança permaneceu dentro do veículo, estacionado na garagem da prefeitura, e só foi encontrada no fim da tarde de quarta-feira (28), quando funcionários retornaram ao local para buscar o ônibus e realizar o transporte dos estudantes. O episódio, registrado na Polícia Civil como maus-tratos, provocou questionamentos sobre os procedimentos de segurança adotados no transporte de crianças pequenas e motivou cobranças por esclarecimentos à administração municipal.
Segundo o boletim de ocorrência, a menina embarcou no ônibus por volta das 12h30, na Rua Plínio Pereira Coelho, no bairro Várzea Gouveia, com destino à Creche Municipal Argeu Pinto da Fonseca, localizada no bairro Falcão. Entretanto, quando o veículo chegou à unidade escolar, a criança não desembarcou. Sem que sua permanência fosse percebida, o ônibus seguiu para a garagem municipal, onde ela ficou durante o período em que deveria estar na escola.
De acordo com informações divulgadas pela vereadora Elaine Nogueira (Republicanos), que acompanha o caso, a menina teria permanecido aproximadamente três horas e meia dentro do coletivo, entre 13h e 16h30. Durante esse intervalo, a criança não participou das atividades escolares e permaneceu sem a supervisão dos profissionais responsáveis pelo transporte. A situação somente foi descoberta quando funcionários foram buscar o veículo para realizar o trajeto de retorno dos alunos, no fim da tarde.
Um dos detalhes mais marcantes do episódio surgiu no relato da própria menina à mãe. Ao ser questionada sobre o que havia acontecido, a criança, ainda muito pequena para compreender completamente a situação, relatou que havia ficado quietinha, esperando. Ela também mencionou que o motorista a teria levado para longe, declaração que integra as informações divulgadas sobre o caso e cuja interpretação depende da apuração das autoridades. O relato chama atenção para o período em que a menina permaneceu dentro do ônibus sem conseguir retornar à creche ou à companhia de familiares.
A mãe tomou conhecimento do ocorrido por intermédio da coordenadora da unidade escolar, quando compareceu à creche para buscar a filha. A informação de que a criança havia passado o período de aulas dentro de um ônibus levou o episódio ao conhecimento das autoridades policiais. O boletim de ocorrência foi registrado na quinta-feira (29), na Delegacia de Polícia de Cunha, com a natureza de maus-tratos. O documento menciona um motorista e um monitor que atuavam no transporte escolar naquele dia, mas a ocorrência foi inicialmente registrada com autoria desconhecida, sem atribuição definitiva de responsabilidade criminal.
O caso também ganhou repercussão na Câmara Municipal. A vereadora Elaine Nogueira afirmou ter recebido informações de familiares sobre o episódio e anunciou que buscaria esclarecimentos junto à Prefeitura de Cunha. Segundo a parlamentar, outras reclamações relacionadas ao transporte escolar já haviam chegado ao seu conhecimento, embora não tenha sido demonstrada ligação direta dessas manifestações anteriores com o caso da menina. Elaine também informou que estava providenciando um requerimento para solicitar explicações oficiais sobre o ocorrido e os procedimentos adotados pelos responsáveis pelo serviço.
Um dos principais pontos a serem esclarecidos é a ausência de uma conferência que identificasse a criança ainda dentro do veículo após o desembarque dos demais estudantes. A situação levanta questionamentos sobre a atuação dos profissionais responsáveis pelo transporte e sobre os mecanismos de controle da chegada dos alunos às unidades escolares. Conforme as informações divulgadas, a secretária municipal responsável pelo setor afirmou que o monitor não realizou a vistoria do ônibus. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias dessa falha e identificar eventuais responsabilidades.
Em manifestação oficial, a Prefeitura de Cunha declarou preocupação com o episódio e reconheceu a apreensão provocada na família e na comunidade. A administração municipal informou que os fatos serão apurados com seriedade e responsabilidade, mediante a verificação das circunstâncias e a escuta dos envolvidos. O município também anunciou que pretende avaliar possíveis responsabilidades e aperfeiçoar os procedimentos do transporte escolar para evitar que situações semelhantes se repitam.
A prefeitura acrescentou que permanece à disposição dos familiares para prestar esclarecimentos e reafirmou o compromisso com a segurança dos estudantes da rede municipal. Até as informações divulgadas nesta sexta-feira (30), não havia confirmação pública de afastamento, demissão ou aplicação de penalidades aos profissionais mencionados na ocorrência. O caso foi encaminhado à autoridade policial responsável para as providências investigativas cabíveis, enquanto a identidade da menina e de seus familiares permanece preservada.

Foto: Andressa Lorenzetti/Rede Vanguarda

