Terça-feira, Outubro 27, 2026
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JUSTIÇA MANTÉM PRESO MOTORISTA QUE ATROPELOU DUAS CRIANÇAS EM ILHABELA; ELE ADMITE TER BEBIDO E ALEGA QUE ENTROU EM PÂNICO DURANTE CARREATA


A Justiça de São Paulo decidiu manter preso o caminhoneiro Cardjon Peixoto, de 56 anos, investigado por atropelar duas crianças durante uma carreata política em Ilhabela, no Litoral Norte paulista. O caso aconteceu na tarde de sábado (24), no bairro Barra Velha, quando um automóvel com adesivos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançou sobre uma área destinada à circulação de pedestres e ciclistas, atingindo uma menina de 9 anos e um menino de 6 anos. O motorista admitiu ter consumido bebida alcoólica, mas negou qualquer intenção de atingir as vítimas. Em sua versão, afirmou que foi hostilizado por participantes da manifestação, entrou em pânico e confundiu os pedais do acelerador e do freio. A explicação, entretanto, não levou à sua libertação. Após audiência de custódia realizada no domingo (25), a Justiça manteve a prisão preventiva, enquanto a Polícia Civil investiga o caso como dupla tentativa de homicídio qualificado, embriaguez ao volante e omissão de socorro.

O atropelamento aconteceu durante uma carreata de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), realizada em meio à movimentação das eleições presidenciais. Segundo os registros policiais, o automóvel conduzido por Cardjon estava em uma região de trânsito lento quando avançou sobre a calçada e a ciclovia, atingindo as duas crianças, que caminhavam acompanhadas por uma adulta. O impacto provocou ferimentos nos menores e mobilizou equipes de atendimento de emergência. As vítimas foram socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhadas para avaliação médica.

A menina de 9 anos sofreu as lesões mais graves. Conforme as informações médicas divulgadas, ela apresentou fraturas na tíbia e na fíbula da perna direita, precisando passar por uma cirurgia. A Prefeitura de Ilhabela informou, na segunda-feira (26), que a criança apresentava evolução clínica favorável e permanecia internada, recebendo medicamentos para controle da dor e prevenção de infecções. A possibilidade de alta hospitalar dependia de sua recuperação. O pai da menina, Jerrimar da Silva, declarou que a filha estava se recuperando bem.

O menino de 6 anos sofreu ferimentos na perna esquerda, incluindo inchaço, vermelhidão e escoriações. Após receber atendimento médico e permanecer em observação, ele foi liberado do hospital. Apesar de algumas publicações terem identificado as crianças como irmãos, as informações disponíveis apresentam divergências sobre o parentesco, motivo pelo qual não é possível confirmar que pertençam à mesma família.

Um dos principais pontos investigados pela Polícia Civil envolve as condições do motorista no momento do atropelamento. De acordo com as autoridades, Cardjon admitiu ter ingerido bebida alcoólica, mas recusou realizar o teste do bafômetro. Durante a ocorrência, os policiais encontraram uma lata de cerveja aberta dentro do veículo, contendo aproximadamente 200 mililitros de líquido. Também foram relatados sinais de embriaguez, posteriormente apontados em avaliação médica. O automóvel utilizado no episódio não pertencia ao investigado.

Em depoimento, o caminhoneiro afirmou que não participava da carreata e que estava no local para buscar um colega. Segundo sua versão, o trânsito estava prejudicado pela manifestação e algumas pessoas teriam passado a hostilizá-lo por causa dos adesivos políticos existentes no carro. Ele alegou que a situação provocou medo e nervosismo, fazendo com que confundisse o acelerador com o freio de um veículo automático. A defesa sustenta que o atropelamento não foi intencional e que o episódio deve ser enquadrado como lesão corporal culposa na direção de veículo automotor.

A advogada Fabiane Vilela apresentou os argumentos da defesa e solicitou a liberdade do investigado, além da possibilidade de concessão de fiança. Os advogados também manifestaram solidariedade às crianças e aos familiares, afirmando que acompanham o caso e adotam as medidas jurídicas consideradas cabíveis. A alegação de que o motorista teria sido hostilizado antes do atropelamento, entretanto, ainda depende de confirmação pelos elementos reunidos na investigação.

Outro aspecto analisado pelas autoridades é a conduta do motorista após atingir as crianças. Conforme o boletim de ocorrência, testemunhas relataram que ele não teria parado imediatamente para prestar socorro e que houve uma tentativa de deixar o local, impedida por pessoas que acompanhavam a movimentação. Cardjon apresenta uma versão diferente, afirmando que tentou ajudar as vítimas, mas teria sido cercado e agredido por manifestantes. As divergências deverão ser examinadas pela Polícia Civil com base nos depoimentos e nas demais provas.

Na audiência de custódia realizada no domingo (25), o juiz Júlio Branchini decidiu manter a prisão do investigado. A decisão levou em consideração as circunstâncias do atropelamento, especialmente o fato de o veículo ter avançado sobre um espaço utilizado por pedestres e ciclistas. A Justiça entendeu que estavam presentes os requisitos para a manutenção da prisão preventiva, medida que poderá ser reavaliada durante o andamento do processo.

A Polícia Civil solicitou a realização de perícia no automóvel, exames de corpo de delito nas crianças e a preservação de imagens de câmeras de segurança e de equipamentos corporais utilizados por policiais. Esses elementos poderão contribuir para esclarecer a dinâmica do atropelamento, a velocidade e a trajetória do veículo, além das versões apresentadas pelo investigado e pelas testemunhas.

A investigação também deverá examinar se houve alguma motivação política relacionada ao episódio. Embora o automóvel apresentasse adesivos de Lula e o atropelamento tenha ocorrido durante uma carreata de apoiadores de Flávio Bolsonaro, esses elementos, isoladamente, não comprovam que o motorista tenha agido com intenção de atingir participantes da manifestação. Até o momento, a existência de uma motivação política deliberada não foi estabelecida como conclusão da investigação.

Cardjon Peixoto permanece preso preventivamente, investigado por dupla tentativa de homicídio qualificado, embriaguez ao volante e omissão de socorro. Até as informações divulgadas nesta terça-feira (27), não havia confirmação de denúncia formal apresentada pelo Ministério Público ou de uma data para julgamento. A menina de 9 anos seguia em recuperação após a cirurgia, enquanto o menino de 6 anos já havia recebido alta hospitalar.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

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