JÁ CONDENADO POR MATAR OUTRA COMPANHEIRA, HOMEM VIRA RÉU POR ASSASSINAR TATIMARA A FACADAS APÓS DISCUSSÃO POR TIKTOK EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
A Justiça de São Paulo tornou réu um homem de 49 anos acusado de assassinar a companheira a facadas após uma discussão envolvendo ciúmes e uma publicação na rede social TikTok, em São José dos Campos, no Vale do Paraíba. O caso ganhou um novo desdobramento na segunda-feira (26), quando foi aceita a denúncia do Ministério Público contra José Menegildo Gomes, acusado de matar Tatimara Pereira da Silva, de 33 anos, dentro da residência onde viviam, no bairro Vila Tesouro. Um dos pontos mais graves revelados durante a investigação é que o acusado já havia sido condenado a 14 anos de prisão pelo homicídio qualificado de outra companheira, em um crime relacionado ao ano de 2005. Além de receber a denúncia, a Justiça decidiu manter José Menegildo preso preventivamente enquanto responde à nova acusação.
O assassinato de Tatimara aconteceu na segunda-feira (12), na residência onde ela estava vivendo com José Menegildo, na região da Vila Tesouro. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o casal teria iniciado uma discussão motivada por ciúmes e desentendimentos relacionados a uma publicação no TikTok. Durante o conflito, conforme a acusação, o homem teria utilizado uma faca para atingir a companheira diversas vezes, provocando ferimentos que resultaram em sua morte.
Mesmo gravemente ferida, Tatimara conseguiu pedir socorro. Uma vizinha ouviu os chamados e encontrou a mulher dentro do imóvel. Equipes de emergência foram acionadas, mas a vítima não resistiu. O laudo necroscópico apontou que a morte foi provocada por uma hemorragia interna decorrente dos golpes de faca. Tatimara tinha 33 anos e deixou duas filhas, de 16 e 11 anos.
As informações reunidas durante a investigação também revelaram que Tatimara havia retomado a convivência com José Menegildo poucos dias antes do assassinato. Segundo o relato de uma amiga e vizinha, a mulher havia voltado a morar com o companheiro aproximadamente oito dias antes do crime. A testemunha também descreveu comportamentos de ciúmes atribuídos ao acusado, circunstância que passou a integrar os elementos analisados pelas autoridades para esclarecer o contexto da violência.
A Polícia Militar foi acionada para atender à ocorrência e iniciou buscas pelo suspeito logo após o crime. José Menegildo foi encontrado poucos minutos depois, em uma praça nas proximidades da residência, sem camisa e com vestígios de sangue nas mãos. De acordo com os policiais, ele admitiu durante a abordagem que havia golpeado a companheira e indicou onde estava a faca utilizada no ataque. O objeto foi localizado próximo ao corpo da vítima e apreendido para os procedimentos periciais. Posteriormente, durante o interrogatório formal na delegacia, o investigado exerceu seu direito de permanecer em silêncio.
A investigação também incluiu a apreensão dos aparelhos celulares da vítima e do acusado, encaminhados para análise. O objetivo era reunir informações que pudessem auxiliar no esclarecimento da discussão anterior ao assassinato. A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) participou da apuração, que reuniu depoimentos, elementos periciais e o histórico criminal do investigado.
Foi justamente durante o levantamento dos antecedentes que surgiu uma informação de grande relevância para o caso. Segundo a delegada Christielle Colombo, José Menegildo já havia sido condenado pelo Tribunal do Júri pelo homicídio qualificado de outra companheira, em um processo relacionado a 2005. Na ocasião, recebeu uma pena de 14 anos de reclusão, cuja execução foi encerrada em 2019. O histórico foi considerado pela Justiça ao analisar a necessidade de manutenção da prisão preventiva no processo relacionado à morte de Tatimara.
Após a prisão em flagrante no dia 12 de outubro, José Menegildo passou por audiência de custódia, e a prisão foi convertida em preventiva no dia seguinte, 13 de outubro. Com o avanço da investigação, o Ministério Público apresentou denúncia por feminicídio, apontando que o crime teria ocorrido em contexto de violência doméstica e familiar, por razões relacionadas à condição do sexo feminino.
Na acusação, a Promotoria também apontou circunstâncias de motivo fútil, emprego de meio cruel e utilização de recurso que teria dificultado a defesa da vítima. Essas circunstâncias integram a denúncia e deverão ser examinadas pela Justiça ao longo do processo. O Ministério Público pediu ainda que o acusado seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.
Outro pedido apresentado pela Promotoria foi a fixação de uma indenização mínima de R$ 50 mil aos familiares de Tatimara, a título de reparação por danos morais. O valor solicitado ainda não representa uma indenização definitivamente concedida, pois depende de decisão judicial. O pedido foi apresentado juntamente com as medidas de responsabilização criminal requeridas pelo Ministério Público.
Na segunda-feira (26), a Justiça recebeu a denúncia e tornou José Menegildo formalmente réu no processo. A decisão também manteve a prisão preventiva, considerando a gravidade concreta dos fatos apontados, o risco de novos crimes e a necessidade de garantir que as testemunhas possam prestar depoimento sem constrangimentos. A condenação anterior por homicídio qualificado também foi mencionada na fundamentação judicial.
Com a decisão, o processo avança para uma nova etapa, na qual a acusação deverá apresentar as provas e a defesa terá oportunidade de contestá-las. A condição de réu não significa que José Menegildo já tenha sido condenado pela morte de Tatimara. A responsabilidade criminal será definida após o andamento do processo e eventual julgamento pelo Tribunal do Júri. Até as informações divulgadas nesta terça-feira (27), não havia data confirmada para o julgamento, e a defesa do acusado não havia apresentado manifestação pública localizada nas reportagens consultadas.

Foto: Reprodução/Rede Vanguarda

