ACIDENTE NA UFLA TERMINA EM AMPUTAÇÃO: ESTUDANTE DE 22 ANOS TEM BRAÇO PRESO EM MÁQUINA E CASO É INVESTIGADO
Um grave acidente ocorrido dentro da Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, terminou com a amputação de parte do braço esquerdo de uma estudante de 22 anos do curso de Zootecnia. A jovem se feriu enquanto manuseava uma máquina utilizada para triturar capim e precisou ser socorrida em uma operação complexa realizada por equipes de emergência. A Polícia Civil abriu investigação para esclarecer como o equipamento estava sendo utilizado, quais orientações haviam sido repassadas à estudante e se houve eventual responsabilidade de terceiros.
O acidente aconteceu na manhã de quarta-feira, 14 de outubro, nas dependências da Faculdade de Zootecnia e Medicina Veterinária da UFLA. Segundo as informações apuradas, a estudante estava acompanhada por um aluno de doutorado e por um técnico administrativo quando ocorreu o acidente. Aos investigadores, ela teria relatado informalmente que aquela seria a primeira vez em que utilizava o equipamento.
A principal linha inicial sobre a dinâmica aponta que uma peça da roupa da estudante teria sido puxada pela máquina. A blusa teria ficado presa no mecanismo, fazendo com que o braço esquerdo também fosse arrastado para a parte interna do triturador. A sequência provocou ferimentos extremamente graves no membro.
O Corpo de Bombeiros e o Samu foram acionados para o atendimento. Quando as equipes chegaram, encontraram a estudante ainda presa ao equipamento e com sangramento intenso. Parte da máquina precisou ser desmontada para permitir a retirada da jovem sem ampliar os ferimentos já existentes.
O resgate exigiu a utilização de ferramentas e uma atuação cuidadosa das equipes. Mesmo diante da gravidade da situação, a estudante permaneceu consciente durante parte do atendimento. Após ser retirada do equipamento, ela recebeu os primeiros cuidados e foi encaminhada para atendimento hospitalar.
A jovem passou por cirurgia e chegou a permanecer internada em Unidade de Terapia Intensiva. Posteriormente, apresentou evolução no quadro clínico e foi transferida para um quarto. As informações divulgadas apontavam que seu estado era estável.
A identidade da estudante não foi tornada pública. A própria universidade informou que optou por preservar a privacidade da jovem e de seus familiares enquanto presta apoio durante o período de recuperação.
A Polícia Civil passou a investigar as circunstâncias do acidente para definir se houve apenas um episódio acidental ou se algum procedimento de segurança deixou de ser observado. Uma das questões centrais é saber quais orientações foram fornecidas antes que a estudante começasse a manusear o triturador.
O delegado Ailton Pereira, responsável pela investigação, informou que as pessoas que estavam no local serão ouvidas. O depoimento da própria estudante também deverá integrar o inquérito quando houver condições para isso.
Os investigadores pretendem analisar ainda o laudo elaborado pela perícia no local e o exame de corpo de delito realizado na jovem. O conjunto dessas informações deverá ajudar a esclarecer a dinâmica exata e indicar se houve falha de procedimento, ausência de treinamento, problema no equipamento ou qualquer outra circunstância relevante.
A presença de um aluno de doutorado e de um técnico administrativo no momento do acidente também deverá ser considerada na apuração. A Polícia Civil quer saber quem estava responsável pela atividade, quais procedimentos eram exigidos e se havia algum protocolo específico para a utilização da máquina.
Até o momento, nenhuma pessoa foi apontada oficialmente como responsável pelo ocorrido. A investigação ainda está em fase de coleta de elementos e a eventual responsabilização dependerá do resultado dos depoimentos, perícias e demais documentos reunidos.
A Universidade Federal de Lavras também abriu uma apuração interna sobre o acidente. A investigação preliminar está sendo conduzida pela unidade responsável pela correição dentro da instituição.
Logo depois da ocorrência, a universidade informou que providenciou o isolamento e a preservação do local, permitindo o trabalho das equipes de perícia e evitando alterações no cenário onde o acidente aconteceu.
A UFLA também afirmou que estava mobilizada para prestar assistência à estudante e aos familiares. A instituição, no entanto, não antecipou conclusões sobre o que poderia ter provocado o acidente e informou que aguardaria o andamento das apurações.
O caso agora segue em duas frentes. Enquanto a estudante continua sua recuperação após a cirurgia e a amputação, Polícia Civil e universidade buscam reconstruir todos os momentos anteriores ao acidente para determinar se as regras de segurança foram cumpridas e se havia orientação suficiente para o uso do equipamento.
Até a última atualização, não havia conclusão oficial sobre responsabilidade de terceiros, defeito na máquina ou falha de procedimento. A resposta deverá depender dos laudos técnicos e dos depoimentos que ainda serão incorporados à investigação.

Foto: Eduardo Marins/EPTV

