DUAS MORTES, DOIS JÚRIS E “CHUMBINHO”: “VOVÓ DO VENENO” ESTÁ PRESA EM TREMEMBÉ
Elizabete Eugênio Arrabaça, conhecida em reportagens policiais como “Vovó do Veneno”, está presa preventivamente em Tremembé, no Vale do Paraíba, enquanto aguarda dois julgamentos diferentes por crimes que ganharam repercussão nacional. A aposentada é acusada pelas mortes da própria filha, Nathália Garnica, e da nora, Larissa Talle Leôncio Rodrigues, em casos distintos que têm como ponto em comum a suspeita de envenenamento por uma substância popularmente conhecida como “chumbinho”.
A prisão preventiva de Elizabete está em vigor desde agosto de 2025. Desde então, o nome dela passou a aparecer em diferentes investigações conduzidas no interior de São Paulo, principalmente após o avanço das apurações relacionadas à morte de Larissa, professora de pilates de 37 anos, em Ribeirão Preto.
Larissa morreu em março de 2025. Exames toxicológicos apontaram a presença de substância associada ao chamado “chumbinho”, e o caso passou a ser investigado como homicídio. O Ministério Público sustenta que Elizabete teria participado do crime juntamente com o filho, o médico Luiz Antônio Garnica, que era marido da vítima.
Segundo a acusação, a morte de Larissa teria relação com questões patrimoniais e com um relacionamento extraconjugal mantido pelo médico. A tese apresentada é de que o crime teria sido planejado para evitar uma possível divisão de bens. Elizabete e Luiz negam participação no homicídio.
O caso avançou na Justiça e os dois foram encaminhados ao Tribunal do Júri. Em outubro de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a decisão que determina o julgamento de mãe e filho. Ainda não há data definida para a sessão.
Enquanto o processo de Larissa avançava, outro episódio dentro da família passou a ser reexaminado. Nathália Garnica, filha de Elizabete, havia morrido em fevereiro de 2025, na cidade de Pontal. Inicialmente, a morte foi atribuída a causas naturais.
Com o surgimento das suspeitas no caso de Larissa, a Polícia Civil decidiu aprofundar também a apuração sobre a morte de Nathália. O corpo foi exumado e submetido a novos exames, que apontaram a presença de substância tóxica compatível com o chamado “chumbinho”.
A partir daí, Elizabete também passou a responder judicialmente pela morte da própria filha. Em setembro de 2026, a Justiça determinou que ela seja levada ao Tribunal do Júri nesse processo separado.
No caso de Nathália, a acusação sustenta que a motivação teria relação com questões financeiras. O Ministério Público aponta que Elizabete enfrentava dificuldades econômicas e dependia da ajuda da filha. A defesa nega a acusação e também contesta versões de que a aposentada tivesse problemas com jogos ou dívidas.
Assim, Elizabete deverá enfrentar dois julgamentos distintos. Em um deles, responderá sozinha pela morte da filha. No outro, será julgada juntamente com o filho Luiz Antônio Garnica pela morte da nora.
Os processos seguem caminhos separados, embora os dois casos tenham levado os investigadores a examinar possíveis semelhanças no uso de substância tóxica. A responsabilidade criminal em cada episódio ainda será decidida pelos jurados.
O caso ganhou novo destaque após o jornalista e escritor Ullisses Campbell anunciar que Elizabete será uma das personagens de seu próximo livro sobre Tremembé. A obra deverá abordar casos de presos envolvidos em crimes de grande repercussão.
Campbell também divulgou informações sobre aspectos da vida pessoal da aposentada, como supostas dívidas, jogos, empréstimos com agiotas e outros episódios envolvendo possível uso de veneno. Parte dessas alegações é contestada pela defesa e nem todas aparecem confirmadas nas decisões judiciais públicas conhecidas.
Entre os relatos divulgados pelo escritor estão ainda uma suposta tentativa de homicídio contra uma amiga e um possível episódio envolvendo envenenamento de animal. Esses pontos devem ser tratados com cautela, pois não possuem o mesmo grau de confirmação pública dos processos relacionados às mortes de Nathália e Larissa.
O que está confirmado até o momento é que Elizabete permanece presa preventivamente em Tremembé e será submetida a dois Tribunais do Júri. As datas dos julgamentos ainda não foram marcadas.
O filho dela, Luiz Antônio Garnica, também segue preso preventivamente e aguarda julgamento no caso Larissa. Mãe e filho negam envolvimento na morte da professora de pilates.
A história de Elizabete volta agora ao centro das atenções por reunir dois processos graves, duas vítimas da mesma família e acusações de envenenamento que continuam sendo analisadas pela Justiça.


