Sábado, Outubro 17, 2026
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MÉDICO E A PRÓPRIA MÃE VÃO A JÚRI POR MORTE DE ESPOSA: GARNICA ESTÁ PRESO EM POTIM E RELATO APONTA MEDO DE MORRER NA CADEIA


O médico Luiz Antônio Garnica, acusado de envolvimento na morte da esposa, Larissa Rodrigues, de 37 anos, permanece preso na Penitenciária de Potim, no Vale do Paraíba, enquanto aguarda julgamento pelo Tribunal do Júri. O caso, que ganhou repercussão nacional desde 2025, voltou a chamar atenção após novas informações divulgadas pelo jornalista e escritor Ullisses Campbell sobre a rotina do médico dentro do sistema prisional. Segundo Campbell, Garnica estaria vivendo momentos de forte tensão, com medo de morrer dentro da cadeia, dificuldades para dormir e episódios frequentes de choro. Essas informações sobre seu estado emocional, porém, não foram confirmadas de maneira independente por fontes oficiais.

Garnica não será julgado sozinho pela morte da esposa. A própria mãe dele, Elizabete Arrabaça, também foi encaminhada ao Tribunal do Júri no processo que apura a morte de Larissa. Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público, mãe e filho teriam participado do envenenamento da vítima, encontrada morta no apartamento onde morava com o marido, no bairro Jardim Botânico, em Ribeirão Preto, em março de 2025. Exames toxicológicos posteriormente identificaram a presença de uma substância popularmente conhecida como “chumbinho” no organismo da professora de pilates.

A investigação passou a tratar o caso como homicídio depois dos resultados dos exames e de outros elementos levantados pela Polícia Civil. Segundo o Ministério Público, a morte teria sido planejada dentro de um contexto envolvendo questões patrimoniais e um relacionamento extraconjugal mantido pelo médico. A acusação sustenta que Garnica teria interesse em evitar uma divisão de bens caso o casamento terminasse. Essa versão, entretanto, ainda será analisada pelo Tribunal do Júri e é contestada pelas defesas dos acusados.

O médico também responde por fraude processual. A acusação afirma que ele teria alterado o cenário encontrado no apartamento ao realizar limpeza do imóvel após localizar Larissa sem vida. A conduta, segundo o Ministério Público, teria interferido na preservação da cena antes da chegada das autoridades. Garnica nega participação no homicídio e sua defesa também contesta as demais acusações.

O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve, em outubro de 2026, a decisão que determina que Garnica e Elizabete sejam julgados pelo Tribunal do Júri. Os recursos apresentados pelas defesas não impediram o prosseguimento do processo para julgamento popular. Até o momento, entretanto, ainda não foi divulgada uma data para a realização do júri.

Enquanto aguarda essa etapa, Garnica permanece custodiado na Penitenciária de Potim. Foi justamente sua rotina dentro da unidade que voltou a colocar o caso em evidência. Segundo Ullisses Campbell, o médico estaria autorizado a deixar temporariamente o presídio para realizar atendimentos médicos em outras unidades do sistema penitenciário do Vale do Paraíba, inclusive em presídios da região de Tremembé.

Campbell afirmou que a formação profissional do acusado e a prestação de assistência médica a detentos teriam colocado Garnica em uma condição diferente dentro do ambiente prisional. Ainda segundo o jornalista, essa função teria ajudado o médico a manter uma relação menos hostil com outros presos. A Secretaria da Administração Penitenciária, no entanto, não apresentou confirmação pública detalhada sobre frequência, locais e condições desses supostos atendimentos.

Apesar dessa situação, Garnica estaria vivendo sob forte insegurança. Conforme o relato divulgado pelo jornalista, o acusado demonstraria medo de sofrer algum tipo de violência dentro da unidade, sobretudo diante da natureza da acusação pela qual responde. Campbell também afirmou que o médico teria problemas para dormir e episódios de choro.

Ainda segundo as informações atribuídas ao jornalista, comentários feitos por outros detentos sobre crimes contra mulheres teriam aumentado o temor do acusado. A possibilidade de receber uma pena elevada caso seja condenado também estaria entre os fatores de preocupação. Qualquer estimativa sobre quantidade de anos de prisão, entretanto, é apenas uma possibilidade neste momento, já que o júri ainda não aconteceu e eventual pena dependerá da decisão dos jurados e da dosimetria realizada pela Justiça.

O caso se tornou ainda mais complexo com as mudanças de versão ocorridas durante a investigação. Em determinado momento, Luiz Antônio Garnica passou a atribuir à própria mãe a responsabilidade pela morte de Larissa. Ele também levantou suspeitas sobre a participação de Elizabete em outra morte ocorrida dentro da própria família.

Trata-se do caso de Nathália Garnica, irmã de Luiz e filha de Elizabete. Nathália morreu em fevereiro de 2025 e, inicialmente, a morte havia sido atribuída a um infarto. Com o avanço das investigações envolvendo Larissa, porém, o caso passou a ser novamente analisado.

O corpo de Nathália foi exumado e submetido a novos exames. As análises apontaram a presença de substância compatível com o chamado “chumbinho”. A descoberta levou a uma investigação independente e, posteriormente, Elizabete também foi encaminhada ao Tribunal do Júri pela morte da própria filha.

Os dois processos são distintos. Em um deles, Garnica e Elizabete respondem pela morte de Larissa. No outro, a mãe do médico responde pela morte de Nathália. As responsabilidades individuais ainda serão analisadas judicialmente e os acusados têm direito à defesa durante todas as etapas do processo.

Antes de ser preso, Luiz Antônio Garnica trabalhava como médico ortopedista e também atuava na área de medicina esportiva em Ribeirão Preto. Ele foi preso preventivamente em maio de 2025, juntamente com a mãe, depois que a investigação passou a apontá-los como suspeitos no caso envolvendo Larissa.

A prisão preventiva foi mantida enquanto o processo avançava. Com a decisão que encaminhou mãe e filho ao Tribunal do Júri, Garnica permanece custodiado aguardando a definição da data em que os jurados irão analisar as provas apresentadas pela acusação e pela defesa.

O processo relacionado à morte de Larissa tramita sob segredo de justiça, o que limita a divulgação pública de determinados documentos e detalhes da investigação. O que está confirmado é que a Justiça entendeu haver elementos suficientes para que a acusação seja submetida ao Tribunal do Júri, responsável por decidir casos envolvendo crimes dolosos contra a vida.

As novas informações sobre a rotina prisional do médico foram divulgadas por Ullisses Campbell, jornalista e escritor conhecido por trabalhos envolvendo crimes de grande repercussão e personagens do sistema penitenciário. Ele também anunciou que pretende abordar a história de Garnica em um novo volume de seu livro sobre Tremembé.

Campbell ganhou projeção por obras relacionadas a casos como os de Suzane von Richthofen, Elize Matsunaga, Flordelis e do Maníaco do Parque. Suas pesquisas também serviram como base para produções audiovisuais sobre presos que se tornaram conhecidos nacionalmente.

Apesar da repercussão dos novos relatos, ainda não existe confirmação oficial sobre todas as informações envolvendo a rotina de Garnica dentro da Penitenciária de Potim. A possível atuação dele em atendimentos médicos, o medo relatado, os episódios de choro e as dificuldades para dormir permanecem, até o momento, atribuídos ao relato de Campbell.

Enquanto isso, o médico continua preso preventivamente e aguarda a marcação do julgamento. A mãe, Elizabete, também deverá enfrentar o Tribunal do Júri pela morte de Larissa e, separadamente, pela morte da própria filha. A responsabilidade criminal de cada acusado só será definida após o julgamento dos respectivos processos.

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