173 ANIMAIS ENTRE GAIOLAS PEQUENAS, SUJEIRA E FERIMENTOS: OPERAÇÃO RESGATA ANIMAIS DE DUAS LOJAS EM VOLTA REDONDA
Uma operação realizada ontem, quinta-feira, 15 de outubro, em Volta Redonda, terminou com a apreensão de 173 animais mantidos em situação considerada de maus-tratos em dois estabelecimentos comerciais da cidade. A ação, batizada de “Animal Não é Produto”, foi coordenada pela Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Animal e contou com apoio da Secretaria Municipal de Ordem Pública, da Guarda Municipal, da Vigilância Sanitária e da perícia da Polícia Civil. Durante a fiscalização, as equipes encontraram diferentes espécies mantidas em condições inadequadas, com relatos de gaiolas pequenas, superlotação, ambientes fechados e sujos, além de animais feridos, o que levou à retirada imediata dos bichos dos locais vistoriados.
Entre os animais apreendidos estavam coelhos, galinhas, camundongos, canários-belgas, pombas, porquinhos-da-índia e pintinhos, além de outras espécies que também eram mantidas nos estabelecimentos. Segundo as informações divulgadas pela administração municipal, parte dos animais estava amontoada em espaços reduzidos e sem condições adequadas de higiene e bem-estar, cenário que motivou a intervenção dos órgãos de fiscalização. A situação chamou atenção não apenas pela quantidade de animais encontrados, mas também pela variedade de espécies concentradas nos dois comércios.
A operação foi desencadeada após denúncias encaminhadas ao Ministério Público. Segundo a Prefeitura de Volta Redonda, porém, o caso não começou apenas com a fiscalização realizada nesta semana. O responsável pelos estabelecimentos já havia sido notificado anteriormente e recebeu prazo para corrigir irregularidades identificadas em uma ação anterior. Mesmo assim, de acordo com o município, as adequações exigidas não teriam sido realizadas de forma suficiente, e os problemas persistiram até a nova vistoria de ontem.
A administração municipal informou ainda que uma fiscalização anterior também havia sido realizada na residência do mesmo responsável. Na ocasião, teriam sido encontrados animais mantidos em situação irregular e indícios de possíveis maus-tratos. Esse histórico passou a fazer parte do acompanhamento realizado pelas autoridades e reforçou a necessidade de uma nova operação nos estabelecimentos comerciais ligados ao responsável.
Com a persistência das irregularidades apontadas nas fiscalizações, diferentes órgãos foram mobilizados para a ação desta quinta-feira. A presença da Vigilância Sanitária, da Guarda Municipal, da Secretaria de Ordem Pública, da Secretaria de Proteção e Defesa Animal e da perícia da Polícia Civil permitiu uma avaliação conjunta das condições em que os animais eram mantidos e do ambiente dos estabelecimentos.
Segundo a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Animal, as equipes verificaram aspectos relacionados a espaço, higiene, acomodação e condições gerais de manutenção dos animais. A fiscalização constatou que havia bichos em gaiolas consideradas pequenas para a quantidade existente, outros mantidos muito próximos uns dos outros e ambientes fechados e sujos. Também foram encontrados animais feridos, embora ainda não tenha sido divulgado quantos apresentavam lesões nem a gravidade dos casos.
O secretário municipal de Proteção e Defesa Animal, Paulinho AP, informou que os estabelecimentos já haviam recebido prazo para adequação anteriormente. Na nova vistoria, segundo ele, ficou constatado que as medidas determinadas não haviam sido cumpridas de maneira satisfatória, o que resultou na retirada dos animais.
Diante das condições encontradas, os 173 animais foram apreendidos. O procedimento agora prevê avaliação individual para verificar o estado de saúde de cada exemplar e definir os cuidados necessários. Após essa etapa, os animais deverão ser encaminhados para fiéis depositários, conforme os procedimentos legais.
Os fiéis depositários passam a assumir a responsabilidade pelos cuidados dos animais durante o período determinado pelas autoridades, enquanto a situação administrativa e jurídica do caso é analisada. Essa destinação busca garantir que os bichos sejam mantidos em condições adequadas de alimentação, higiene, espaço e acompanhamento.
A ocorrência foi apresentada na 93ª Delegacia de Polícia de Volta Redonda, onde o caso deverá seguir sob investigação. A participação da perícia da Polícia Civil também permitirá que sejam produzidos registros técnicos das condições encontradas durante a operação, elementos que poderão integrar a apuração.
Até o momento, não foram divulgados publicamente os nomes dos dois estabelecimentos comerciais nem a identidade do responsável por eles. Também não há confirmação oficial de prisão ou condução do responsável à delegacia durante a operação.
Outro ponto que permanece sem detalhamento é a aplicação de eventuais multas ou outras sanções administrativas decorrentes da fiscalização realizada ontem. As informações divulgadas até agora concentram-se na apreensão dos 173 animais, nas condições encontradas e no histórico de notificações anteriores.
A investigação também deverá esclarecer se as irregularidades encontradas configuram responsabilidade criminal e administrativa, além de verificar se houve descumprimento de determinações anteriores impostas pelos órgãos fiscalizadores.
A operação recebeu o nome de “Animal Não é Produto”, em referência à necessidade de garantir condições mínimas de bem-estar aos animais mantidos em estabelecimentos comerciais. A fiscalização busca verificar se locais que trabalham com venda ou manutenção de animais cumprem as exigências relacionadas a higiene, acomodação, alimentação e proteção contra sofrimento.
A Prefeitura ressaltou ainda que denúncias feitas pela população tiveram papel importante para que o caso chegasse aos órgãos de fiscalização. Em Volta Redonda, situações de maus-tratos podem ser denunciadas pelo telefone 156, canal utilizado para encaminhar informações às equipes responsáveis.
Segundo a chefe da Fiscalização da Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Animal, Ana Cléia Andrade, a participação da população é importante para localizar situações que muitas vezes não são identificadas durante fiscalizações rotineiras.
Com a retirada dos animais, o trabalho entra agora em uma nova etapa, voltada à avaliação dos bichos e ao encaminhamento para responsáveis temporários. As autoridades também deverão acompanhar a evolução do estado de saúde dos animais que apresentavam ferimentos ou outros problemas.
A quantidade de 173 animais faz da operação uma ação de grande porte dentro da fiscalização municipal de proteção animal. A variedade de espécies e as condições descritas pelos agentes ampliam a investigação sobre a forma como os bichos eram mantidos nos dois estabelecimentos.
Enquanto os animais recebem avaliação e são preparados para uma nova destinação, o caso continua sob apuração para definir responsabilidades e eventuais novas medidas contra o responsável pelos comércios.


