UM PEDIDO DE PROTEÇÃO A CADA 32 MINUTOS: VALE REGISTRA QUASE 11 MIL MEDIDAS EM OITO MESES E CASOS EM SÃO JOSÉ ACENDEM ALERTA
A violência contra a mulher segue apresentando números preocupantes no Vale do Paraíba e na região bragantina. Entre janeiro e agosto de 2026, foram registradas 10.893 medidas protetivas, uma média de aproximadamente 45 por dia. Na prática, isso representa um novo pedido de proteção a cada cerca de 32 minutos. O volume registrado em apenas oito meses já se aproxima do total de todo o ano de 2024, quando foram contabilizadas 10.974 medidas. Em 2025, o número chegou a 15.377.
Os dados ganham ainda mais peso diante de dois casos graves registrados nesta semana em São José dos Campos. Na segunda-feira, 12 de outubro, Tatimara Pereira da Silva, de 33 anos, foi morta a facadas na Zona Leste da cidade. O companheiro foi preso e é investigado por feminicídio. Um dia antes, no domingo, 11, outro homem foi preso após uma mulher relatar agressões, ameaças de morte e um histórico de violência dentro do relacionamento, desta vez no Parque Industrial, na Zona Sul.
No caso registrado no Parque Industrial, a vítima relatou que vinha sofrendo um processo contínuo de controle e violência psicológica. Segundo as informações apuradas, ela teria sido agredida com socos, chutes, empurrões e puxões de cabelo diante do filho do casal, de apenas três anos. O relato também aponta que o companheiro teria tentado obrigá-la a pular de uma sacada e ameaçado fazer a morte parecer um suicídio. O suspeito foi preso e o caso passou a ser investigado como tentativa de feminicídio, violência psicológica e injúria.
Os episódios reforçam um alerta importante: a violência doméstica nem sempre começa com agressões físicas. Muitas vezes, ela aparece de forma gradual, por meio de controle excessivo, ciúmes, humilhações, isolamento e restrições impostas à rotina da mulher. Entre os sinais de um relacionamento abusivo estão monitoramento constante do celular, controle sobre roupas, amizades e horários, proibição ou limitação do trabalho, fiscalização do dinheiro, afastamento de familiares, chantagens, ameaças, perseguições e tentativas de controlar onde a mulher vai e com quem se relaciona.
Esses comportamentos não devem ser confundidos com cuidado, preocupação ou demonstração de amor. A violência psicológica também é reconhecida pela Lei Maria da Penha e pode ocorrer mesmo antes de qualquer agressão física. A legislação brasileira também considera como formas de violência doméstica a violência moral, sexual e patrimonial, além da física e psicológica.
O crescimento dos pedidos de proteção mostra que milhares de mulheres têm procurado o Judiciário antes ou depois de episódios de violência. As medidas protetivas podem determinar, entre outras providências, o afastamento do agressor do lar, a proibição de aproximação e contato com a vítima e outras restrições destinadas a reduzir o risco de novas agressões.
Essas medidas podem ser concedidas mesmo sem a existência prévia de processo criminal ou inquérito, desde que a situação apresentada demonstre risco à mulher. Elas também podem permanecer válidas enquanto persistir a situação de ameaça, não ficando obrigatoriamente limitadas a um curto período.
Em São José dos Campos, mulheres em situação de violência podem procurar os Centros de Referência Especializados de Assistência Social. O Creas Sul funciona na Avenida Cidade Jardim, 5.431, no Bosque dos Eucaliptos. O Creas Centro-Norte está localizado na Rua Conselheiro Rodrigues Alves, 224, no Centro. Já o Creas Leste funciona na Rua Saigiro Nakamura, 50, na Vila Industrial. O atendimento informado é realizado de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
A cidade também possui outros serviços de apoio. O Centro Dandara atende na Avenida Tenente Névio Baracho, 261, no Jardim Bela Vista, e disponibiliza atendimento por telefone e WhatsApp. Outro canal é o SOS Mulher, voltado ao acolhimento e orientação de mulheres em situação de violência.
Em outras cidades da região também existem estruturas de atendimento. Em Taubaté, o Instituto Há Braços atua no acolhimento de mulheres. Em Guaratinguetá, a Casa da Mulher Zeila Pozzatti oferece suporte especializado. Em Jacareí, o acesso ao abrigo sigiloso é feito por encaminhamento dos Centros de Referência Especializados de Assistência Social. Caçapava também mantém atendimento pelo Creas.
Além dos serviços municipais, mulheres em situação de violência podem procurar ajuda pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher. O serviço funciona 24 horas, recebe denúncias, presta orientação sobre direitos e informa os serviços disponíveis em cada município. Em situações de risco imediato, agressão em andamento ou ameaça direta, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.
Os números registrados no Vale mostram que a violência doméstica não é um problema isolado. São milhares de pedidos de proteção em poucos meses, ao mesmo tempo em que casos de feminicídio e tentativa de feminicídio continuam sendo registrados na região. Reconhecer os sinais de controle, ameaça e violência psicológica antes que a situação avance pode ser decisivo para que a vítima procure ajuda e consiga acesso à rede de proteção.

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