CHOROU EM DEPOIMENTO, MAS SEGUE PRESO: JUSTIÇA MANTÉM PRISÃO DE TENENTE-CORONEL RÉU PELO FEMINICÍDIO DE GISELE
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto seguirá preso preventivamente no processo em que responde pelo feminicídio da esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos. A decisão foi proferida nesta terça-feira, 13 de outubro, pela juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro, da 5ª Vara do Júri de São Paulo, que rejeitou o pedido de liberdade apresentado pela defesa. O oficial, que chorou durante depoimento recente à Justiça, permanece detido desde março.
Geraldo é acusado de matar Gisele com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde o casal morava, no Brás, região central da capital paulista. A policial foi encontrada morta em fevereiro deste ano. Inicialmente, o caso chegou a ser tratado como possível suicídio, mas a investigação avançou em outra direção após exames periciais e laudos técnicos afastarem essa hipótese.
Um laudo complementar do Instituto de Criminalística apontou que os vestígios encontrados no apartamento eram incompatíveis com um disparo autoinfligido. Segundo a investigação, a análise dos padrões de sangue e da dinâmica da cena indicou a participação de outra pessoa. A partir dessas conclusões, Geraldo passou a responder por feminicídio.
Além da acusação pela morte da esposa, o tenente-coronel também responde por fraude processual. A Polícia Civil trabalha com a suspeita de que a cena teria sido alterada após o disparo, hipótese que passou a integrar o processo e foi considerada durante a investigação que resultou no pedido de prisão preventiva.
Geraldo foi preso em 18 de março, cerca de um mês depois da morte de Gisele. Ele recebeu o mandado de prisão no apartamento que mantinha em São José dos Campos. Natural de Taubaté, o oficial também teve atuação profissional na Polícia Militar no Vale do Paraíba.
A defesa tentou obter a liberdade do réu alegando que a fase de produção de provas havia avançado significativamente. As testemunhas já haviam sido ouvidas e o próprio Geraldo já tinha prestado interrogatório, motivo pelo qual os advogados sustentaram que a manutenção da prisão seria desnecessária. Também foram sugeridas medidas cautelares alternativas.
O Ministério Público se posicionou contra a soltura e a Justiça decidiu manter a prisão. Um dos principais fundamentos foi o risco de interferência sobre testemunhas.
A decisão destacou que o próprio réu admitiu ter tentado contato com Sheila Aparecida Magrini, policial militar e amiga de Gisele considerada testemunha importante no processo. Segundo o que consta nos autos, Geraldo teria ligado para o batalhão onde ela trabalhava com a intenção de apresentar sua versão sobre os acontecimentos.
Para a magistrada, esse episódio mantém válida a preocupação com a preservação dos depoimentos. Mesmo com a conclusão de parte da instrução processual, a Justiça ressaltou que, caso o réu seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri, testemunhas poderão ser chamadas novamente para depor diante dos jurados.
O interrogatório de Geraldo aconteceu em 5 de outubro e durou mais de oito horas. Durante a audiência, o tenente-coronel chorou ao prestar depoimento. Ele nega ter matado Gisele.
Ao longo da fase de instrução, cerca de 30 testemunhas foram ouvidas. O processo agora entra na etapa de alegações finais, quando Ministério Público e defesa apresentam seus argumentos antes da decisão sobre o próximo passo da ação penal.
Depois das manifestações das partes, caberá à juíza decidir se Geraldo será pronunciado. Caso isso aconteça, ele será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri, responsável por analisar crimes dolosos contra a vida.
A competência para julgar o caso também foi objeto de disputa. Como Gisele e Geraldo eram integrantes da Polícia Militar, houve discussão sobre a possibilidade de o processo seguir pela Justiça Militar. O Superior Tribunal de Justiça decidiu, porém, que o caso deve permanecer na Justiça comum e sob responsabilidade da Vara do Júri.
Paralelamente ao processo criminal, Geraldo também responde a procedimento administrativo dentro da Polícia Militar. Dependendo do resultado dessa apuração, ele poderá enfrentar consequências na carreira, inclusive relacionadas ao posto e à patente.
A acusação também apresentou durante o processo mensagens e relatos que, segundo familiares e investigadores, apontariam conflitos no relacionamento do casal. A defesa contesta essas interpretações e sustenta a inocência do oficial.
Com a nova decisão, Geraldo Leite Rosa Neto permanece preso enquanto o processo se aproxima de uma definição sobre eventual julgamento pelo Tribunal do Júri. A negativa de liberdade reforça, neste momento, o entendimento da Justiça de que ainda existem motivos para manutenção da prisão preventiva, especialmente diante do risco apontado em relação às testemunhas.


