Quinta-feira, Outubro 1, 2026
Manchete

NOSSA SENHORA NO CENTRO DA ELEIÇÃO: CNBB REBATE FLÁVIO E DIZ QUE “MENTIRA NÃO SE COMBATE COM OUTRA MENTIRA”


A imagem de Nossa Senhora Aparecida, maior símbolo da devoção católica no Brasil, entrou no centro da disputa presidencial de 2026 e provocou um confronto público entre o candidato Flávio Bolsonaro e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

A CNBB divulgou uma nota oficial no domingo, 27 de setembro de 2026, depois que Flávio afirmou que integrantes da entidade teriam ajudado o PT a disseminar uma informação falsa envolvendo a Padroeira do Brasil.

A Conferência negou qualquer participação na produção, autorização ou divulgação de conteúdos falsos relacionados ao processo eleitoral. A instituição também rejeitou a acusação de que faria parte de uma articulação político-partidária.

“A mentira não se combate com outra mentira”, declarou a CNBB no trecho mais contundente do comunicado.

A manifestação ocorreu depois de Flávio Bolsonaro afirmar, durante um evento de campanha realizado em Goiânia, que “gente de dentro” da Conferência teria colaborado para espalhar a informação de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

O candidato do PL não apresentou publicamente provas da participação de integrantes da CNBB na disseminação do conteúdo.

Flávio negou apoiar qualquer proposta para alterar o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida e classificou o episódio como a maior informação falsa da campanha eleitoral de 2026.

Segundo o candidato, nunca existiu um movimento de sua parte ou de sua família para retirar o título concedido à santa. Ele também afirmou que não existe projeto atual com esse objetivo.

A controvérsia ganhou força nos últimos dias do primeiro turno, quando publicações começaram a associar Flávio Bolsonaro a uma suposta tentativa de mudança do título de Padroeira do Brasil.

O assunto atingiu rapidamente milhões de usuários nas redes sociais e passou a mobilizar eleitores, lideranças religiosas, campanhas políticas e integrantes do Poder Judiciário.

A polêmica possui como pano de fundo uma proposta antiga apresentada na Câmara dos Deputados em 2007. O texto não foi apresentado por Flávio Bolsonaro e acabou arquivado em 2008.

Apesar disso, conteúdos publicados durante a campanha de 2026 passaram a relacionar o candidato e sua família à proposta, provocando uma reação jurídica da campanha.

A informação também foi mencionada em uma transmissão da GloboNews. Posteriormente, o canal corrigiu o conteúdo, esclareceu que a proposta era antiga e pediu desculpas pelo erro.

Mesmo depois da correção, a associação continuou circulando nas redes sociais e passou a ser reproduzida por diferentes perfis.

Um levantamento citado em reportagens nacionais indicou que o assunto gerou quase 1 milhão de publicações em menos de três dias, demonstrando a velocidade com que o conteúdo ganhou repercussão durante a reta final da campanha.

Na sexta-feira, 25 de setembro, o ministro André Mendonça, atuando no Tribunal Superior Eleitoral, determinou a retirada de 1.125 publicações que relacionavam Flávio Bolsonaro e sua família à suposta iniciativa contra o título de Nossa Senhora Aparecida.

Na decisão, Mendonça considerou sem fundamento a afirmação de que o candidato ou sua família tivessem proposto, articulado ou apoiado a retirada da santa da condição de Padroeira do Brasil.

A determinação atingiu publicações feitas em plataformas como X, Facebook, TikTok e YouTube.

Entre os conteúdos removidos estava uma publicação do ator e humorista Antonio Tabet. Ele recorreu ao Supremo Tribunal Federal contra a retirada da postagem.

No domingo, 27 de setembro, o ministro Flávio Dino derrubou a decisão que havia determinado a remoção do conteúdo de Tabet e estendeu o entendimento a outras publicações retiradas pelo mesmo fundamento.

Dino considerou que a postagem analisada não apresentava grau de ilicitude suficiente para justificar uma restrição tão severa à liberdade de expressão.

O ministro também destacou a gravidade de medidas capazes de funcionar como censura durante um período eleitoral, especialmente diante do direito constitucional à crítica e à livre manifestação.

A decisão determinou que o Tribunal Superior Eleitoral e as plataformas digitais fossem comunicados para restabelecer a publicação de Tabet e outros conteúdos excluídos com base na mesma justificativa.

Flávio Bolsonaro criticou a medida e classificou a decisão de Dino como um “canetaço”. O candidato afirmou que o ministro havia permitido a atuação do que chamou de “Liga da Mentira do PT”.

Foi durante essa manifestação que Flávio acusou integrantes da CNBB de terem ajudado na circulação da informação.

A declaração provocou a reação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que publicou uma nota de esclarecimento para negar qualquer envolvimento.

No documento, a CNBB afirmou que não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou da divulgação de informações falsas relacionadas às eleições.

A entidade declarou ainda que repudia a produção e a utilização de conteúdos falsos, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar.

A Conferência também afirmou que não integra qualquer estrutura político-partidária, seja de partido ou candidatura.

Segundo a CNBB, seus posicionamentos durante o período eleitoral resultam de sua missão pastoral e de princípios públicos apresentados nos documentos da própria Igreja.

Entre os valores citados pela instituição estão a dignidade humana, o bem comum, a democracia e a liberdade de consciência.

A entidade afirmou que atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas, atinge injustamente a instituição.

Para a Conferência, acusações sem comprovação também não contribuem para o ambiente de serenidade e responsabilidade que deveria marcar o processo eleitoral.

A nota termina com a reafirmação do compromisso da CNBB com a verdade, o diálogo e a paz.

A reação ganhou uma dimensão ainda maior porque a controvérsia envolve Nossa Senhora Aparecida, declarada oficialmente Padroeira do Brasil e centro de uma das maiores manifestações religiosas do país.

Todos os anos, milhões de devotos visitam o Santuário Nacional, em Aparecida, no Vale do Paraíba. A fé na santa atravessa diferentes regiões, classes sociais e posições políticas.

Por esse motivo, a associação entre um candidato e uma eventual tentativa de retirada do título possui forte impacto emocional e eleitoral entre os católicos.

A polêmica também expõe o risco da utilização de símbolos religiosos em disputas políticas, especialmente quando informações sem comprovação ganham grande alcance nas redes sociais.

De um lado, Flávio Bolsonaro nega qualquer intenção de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida e afirma ter sido alvo de uma campanha de desinformação.

Do outro, a CNBB nega ter ajudado na divulgação do conteúdo e afirma que também foi atingida injustamente por uma acusação apresentada sem provas.

As decisões de André Mendonça e Flávio Dino acrescentaram ao debate uma discussão jurídica sobre os limites entre o combate à desinformação e a proteção da liberdade de expressão durante as eleições.

O episódio deverá continuar repercutindo durante a campanha, principalmente entre o eleitorado católico e nas redes sociais.

Até o momento, não foi apresentada evidência pública de que Flávio Bolsonaro tenha apoiado um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Também não foram apresentadas provas públicas de que integrantes da CNBB tenham participado de uma articulação com o PT para disseminar a informação.

O que diz Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro afirma que a informação envolvendo Nossa Senhora Aparecida é falsa e que jamais existiu projeto ou articulação de sua parte para retirar o título da Padroeira do Brasil.

O candidato sustenta que o conteúdo foi explorado por adversários durante a campanha e acusa integrantes da CNBB de terem colaborado com a disseminação. Até a última atualização, ele não havia apresentado provas públicas dessa participação.

O que diz a CNBB

A CNBB nega ter produzido, autorizado ou participado da elaboração e divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral.

A entidade também rejeita qualquer vínculo com estruturas partidárias e afirma que suas manifestações públicas são orientadas pela missão pastoral, pela dignidade humana, pelo bem comum, pela democracia e pela liberdade de consciência.

A Conferência encerrou o posicionamento reafirmando seu compromisso com a verdade, o diálogo e a paz.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

erro: Content is protected !!