“ELA ESTAVA CHEIA DE VIDA”: FILHO LAMENTA MORTE DE IDOSA ATINGIDA POR BALA PERDIDA EM SÃO JOSÉ
Maria Aparecida Barbosa, de 70 anos, havia acabado de sair de uma aula de dança e voltava para casa quando um disparo atravessou o vidro do carro e atingiu sua cabeça. Sem qualquer relação com a confusão que acontecia nas ruas da zona leste de São José dos Campos, ela teve a vida interrompida de maneira repentina na manhã de quinta-feira, 24 de setembro de 2026.
A idosa foi socorrida e levada à Unidade de Pronto Atendimento do Novo Horizonte, mas não resistiu ao ferimento. A morte deixou familiares profundamente abalados e transformou uma manhã de atividades em uma despedida marcada pela dor e pela cobrança por justiça.
Maria tinha Alzheimer, era acompanhada por uma cuidadora e participava de atividades voltadas ao público idoso em uma obra social da cidade. Mesmo diante da doença, mantinha uma rotina ativa, convivia com outras pessoas e encontrava nas aulas momentos de alegria.
Pouco antes de ser atingida, imagens mostraram Maria deixando uma atividade de dança. Ela entrou no automóvel, sentou-se no banco do passageiro e iniciou o trajeto para casa. Foi nesse momento que o tiro atravessou o vidro do veículo.
O filho da vítima, Waldir Gaioso, afirmou que a mãe atravessava um bom momento e destacou que ela não vivia uma situação de sofrimento que pudesse preparar a família para uma despedida.
“A família está extremamente abalada. É um crime sem tamanho. Minha mãe não tem como dizer que ela foi descansar porque ela não estava num momento difícil. Ela estava vivendo, estava num momento muito bom. As imagens mostram ela saindo da aula de dança, cheia de vida”, declarou.
A frase “ela estava cheia de vida” passou a resumir a imagem que os familiares querem preservar. Para eles, Maria não deve ser lembrada apenas como a idosa atingida durante uma perseguição, mas como uma mulher que, mesmo convivendo com o Alzheimer, continuava participando de atividades e mantendo uma rotina cercada de cuidados.
Maria Aparecida foi velada na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, no Cemitério e Memorial Bom Retiro, em São José dos Campos. O sepultamento estava marcado para ocorrer durante a tarde no mesmo local. Como o horário previsto já passou, a despedida deve ter sido concluída, mas não havia, até a última atualização, uma confirmação posterior divulgada pela família ou pelo cemitério.
A tragédia começou em uma adega localizada na Avenida Tancredo Neves. Segundo o registro policial, Allan Silva de Lima teria entrado no estabelecimento armado com duas facas durante uma tentativa de roubo.
Uma funcionária de 18 anos, identificada como Giovana Isabele Braga Cruz, foi ferida no pescoço e no abdômen. Ela recebeu os primeiros atendimentos na UPA do Novo Horizonte e depois foi transferida para o Hospital Municipal de São José dos Campos, na Vila Industrial.
Após o ataque, Allan teria deixado a adega e passado a ser perseguido por pessoas que estavam na região. Câmeras de segurança registraram parte da movimentação pelas ruas.
Durante a perseguição, um homem efetuou disparos contra o suspeito. Um dos tiros não atingiu o alvo, atravessou o vidro do carro em que Maria estava e acertou a idosa na cabeça.
Maria não conhecia os envolvidos, não participava da perseguição e não tinha qualquer relação com a ocorrência. Ela apenas estava dentro do veículo, acompanhada da cuidadora e voltando para casa.
Allan foi contido por moradores, ficou ferido e precisou receber atendimento médico. Ele foi preso em flagrante, e as duas facas que teriam sido usadas no ataque foram apreendidas.
A investigação sobre a tentativa de roubo e o esfaqueamento da funcionária tramita separadamente da apuração sobre o disparo que matou Maria. A Justiça converteu em preventiva a prisão do homem acusado de atacar a jovem.
O homem apontado como autor dos disparos apresentou-se voluntariamente ao 6º Distrito Policial de São José dos Campos na sexta-feira, 25 de setembro de 2026.
Segundo as informações registradas na investigação, ele seria padrasto de Giovana, a funcionária esfaqueada, e possui registro como Colecionador, Atirador e Caçador, o chamado CAC.
O homem entregou à Polícia Civil a arma que teria sido utilizada durante a perseguição e prestou depoimento. Após ser ouvido, foi liberado e responderá ao caso em liberdade.
A apresentação voluntária e a liberação não encerram a investigação. A arma deverá passar por perícia, e o depoimento será comparado com as imagens das câmeras de segurança, os relatos das testemunhas e os demais elementos reunidos no inquérito.
Os investigadores buscam determinar quantos disparos foram efetuados, qual era a distância entre o atirador e o homem perseguido, a posição do carro em que Maria estava e a trajetória do projétil que atravessou o vidro.
A Polícia Civil também deverá apurar as condições em que a arma era transportada e utilizada, além de verificar se a situação alegada pelo homem é compatível com as imagens e com os resultados dos exames periciais.
Até a conclusão dessas análises, não havia confirmação de indiciamento pelo homicídio de Maria. A eventual responsabilização dependerá das provas reunidas durante o inquérito e da avaliação posterior do Ministério Público e da Justiça.
O espaço permanece aberto para manifestação da defesa do homem apontado como autor dos disparos.
Para a família, nenhuma explicação será capaz de reparar a perda. Os parentes, no entanto, esperam que a investigação esclareça completamente a sequência dos acontecimentos e responsabilize quem provocou a morte.
Maria saiu de casa para participar de uma atividade e deveria retornar depois da aula. Em vez disso, a família recebeu a notícia de que ela havia sido atingida por um tiro disparado durante uma perseguição com a qual não tinha qualquer envolvimento.
Agora, permanece a lembrança registrada pouco antes da tragédia: Maria deixando a aula de dança, acompanhada e ativa. Uma mulher de 70 anos que, como definiu o próprio filho, ainda estava cheia de vida.


