Perseguição terminou em morte: acusado de seguir motociclista em Caraguatatuba vai a júri popular
Uma discussão em uma adega, uma perseguição em alta velocidade e uma batida fatal contra uma van estacionada. Quase cinco meses depois da morte de Carlos Natã Azevedo de Moraes, de 21 anos, a Justiça decidiu que o principal acusado pelo caso deverá ser julgado pelo Tribunal do Júri, em Caraguatatuba.
A decisão foi proferida nesta terça-feira (22) pela 2ª Vara Criminal de Caraguatatuba. Henzo Henrique Alves dos Santos de Oliveira, de 19 anos, foi pronunciado por homicídio qualificado por motivo fútil e pelo uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
A pronúncia significa que a Justiça identificou indícios suficientes de autoria e materialidade para levar a acusação à análise dos jurados. A decisão, porém, não representa uma condenação antecipada. Caberá ao Tribunal do Júri avaliar as provas, ouvir as partes e decidir se Henzo deve ser absolvido ou condenado.
O jovem continuará preso preventivamente enquanto aguarda o julgamento. Ainda não foi divulgada uma data para a realização do júri.
O crime aconteceu na madrugada de 22 de abril de 2026. Segundo a investigação, Carlos Natã e Henzo teriam se desentendido dentro de uma adega. Após a discussão, o motociclista deixou o estabelecimento, mas teria passado a ser perseguido por um carro conduzido pelo acusado.
Testemunhas ouvidas durante a investigação relataram que os veículos seguiam em alta velocidade. A perseguição terminou quando Carlos perdeu o controle da motocicleta e atingiu violentamente a traseira de uma van que estava estacionada. O jovem não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento da colisão e passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pela Polícia Civil e pela Justiça. Os registros deverão ser novamente apresentados e debatidos durante o julgamento.
A perícia não encontrou evidências de contato direto entre o automóvel atribuído ao acusado e a motocicleta. Mesmo assim, o juiz considerou que os demais elementos reunidos no processo permitem que a hipótese de homicídio doloso seja submetida ao Tribunal do Júri.
No homicídio doloso, a acusação sustenta que existe intenção de matar ou que o acusado assumiu o risco de provocar a morte. Com a decisão, os jurados deverão analisar se a perseguição atribuída a Henzo contribuiu diretamente para a morte de Carlos Natã e se o acusado assumiu o risco de causar o resultado ao seguir o motociclista em alta velocidade.
O caso ganhou repercussão porque a vítima não teria sido atingida diretamente pelo carro. A acusação sustenta, entretanto, que a conduta durante a perseguição teria criado a situação de risco que terminou na colisão fatal.
Além de Henzo, outras duas pessoas haviam sido denunciadas pelo Ministério Público sob a suspeita de incentivar a perseguição ou a morte do motociclista. A Justiça, no entanto, decidiu impronunciar os dois acusados por considerar que não havia indícios suficientes para levá-los ao júri.
De acordo com a decisão, nenhuma testemunha, gravação ou mensagem confirmou que essas duas pessoas tenham ordenado ou estimulado o ataque. O magistrado também ressaltou que a simples presença delas dentro do veículo não seria suficiente para caracterizar participação no crime.
A impronúncia não representa necessariamente uma declaração definitiva de inocência, mas impede que os dois sejam julgados pelo Tribunal do Júri com base nas provas atualmente reunidas no processo.
A defesa de Henzo afirmou ter recebido a decisão com profundo inconformismo. Segundo os advogados, as provas produzidas durante a investigação demonstrariam que o jovem não causou a morte e não teve intenção de matar Carlos Natã.
A defesa informou ainda que pretende apresentar os recursos cabíveis às instâncias superiores para tentar reverter a pronúncia e buscar a liberdade do acusado. Henzo permanece preso preventivamente enquanto o processo continua.
A data do julgamento ainda deverá ser definida pela Justiça. Durante o júri, acusação e defesa poderão apresentar suas versões, interrogar testemunhas e sustentar suas teses diante dos jurados.

Carlos Natã Azevedo de Moraes, de 21 anos, morreu no acidente: Foto G1

