Terça-feira, Setembro 1, 2026
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GOLPE DE R$ 200 MIL: GRUPO USAVA MORADORES DE RUA COMO “LARANJAS” EM ESQUEMA DESMONTADO EM SÃO JOSÉ


Uma operação da Polícia Civil colocou fim a um esquema que teria movimentado mais de R$ 200 mil por meio de fraudes bancárias em São José dos Campos. O que mais chama atenção na investigação é a forma utilizada pelos suspeitos para alimentar o esquema: pessoas em situação de vulnerabilidade social, incluindo moradores de rua, eram recrutadas e recebiam pequenas quantias em dinheiro para entregar dados pessoais e permitir o uso de cartões bancários que posteriormente eram utilizados nas movimentações fraudulentas.

A ação foi realizada nesta terça-feira (1º) pela 1ª Delegacia de Investigações Gerais, a DIG, ligada à Divisão Especializada de Investigações Criminais, a Deic. Ao todo, os policiais cumpriram 12 mandados de busca e apreensão em residências e estabelecimentos comerciais localizados em diferentes pontos de São José dos Campos.

Durante as buscas, foram apreendidos cartões bancários registrados em nome de terceiros, aparelhos celulares, terminais de pagamento utilizados para operações com cartões e outros equipamentos eletrônicos. Todo o material deverá passar por perícia e análise detalhada para que os investigadores consigam reconstruir o caminho do dinheiro e identificar a participação de cada pessoa envolvida.

Segundo a investigação, o grupo procurava pessoas em situação de vulnerabilidade e obtinha seus dados pessoais e bancários. Em troca, essas pessoas recebiam valores considerados pequenos diante do montante movimentado pelo esquema. A partir dessas informações, os investigados conseguiam abrir contas digitais e obter limites de crédito em nome dos titulares.

Depois dessa etapa, começava a movimentação financeira. As informações obtidas eram utilizadas para realizar compras em estabelecimentos comerciais por meio de maquininhas de cartão. As transações permitiam transformar os limites disponíveis nas contas em valores que posteriormente eram distribuídos entre os integrantes investigados.

A Polícia Civil apura ainda uma segunda etapa utilizada para dificultar o rastreamento das movimentações. Parte das transações realizadas nas maquininhas era cancelada parcialmente posteriormente, mecanismo que, segundo a investigação, teria sido utilizado para confundir o caminho do dinheiro e dar aparência regular às operações financeiras.

O prejuízo identificado até agora ultrapassa R$ 200 mil. O valor, entretanto, poderá aumentar conforme os policiais avançarem na análise dos celulares, cartões bancários, equipamentos eletrônicos e movimentações financeiras recolhidas durante a operação.

A forma como os valores obtidos eram posteriormente distribuídos entre os envolvidos também levou a Polícia Civil a investigar possíveis crimes de lavagem de dinheiro. O caso envolve apurações por estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Os 12 mandados cumpridos nesta terça-feira representam uma nova fase da investigação. O conteúdo dos celulares poderá revelar conversas, contatos, transferências, registros de transações e outros elementos capazes de apontar quem comandava as operações, quem intermediava o recrutamento das pessoas usadas no esquema e quem recebia os recursos provenientes das fraudes.

Os cartões bancários em nome de terceiros também serão analisados para verificar quantas pessoas tiveram os dados utilizados e se todos os titulares tinham conhecimento da verdadeira finalidade das movimentações. A Polícia Civil pretende ainda identificar a existência de outras contas digitais relacionadas ao esquema.

As maquininhas apreendidas devem ajudar os investigadores a reconstruir as operações realizadas nos estabelecimentos comerciais. A apuração busca descobrir quais transações estavam ligadas às fraudes, quanto dinheiro passou pelos equipamentos e se outras empresas ou pessoas participaram das movimentações.

Até o momento, não foram divulgados os nomes dos investigados nem o número total de pessoas que podem ter participado do esquema. Também não foi informada oficialmente a quantidade exata de vítimas atingidas pelas fraudes. A Polícia Civil continua analisando o material apreendido para verificar se o grupo atuava em uma estrutura maior do que a inicialmente identificada.

A investigação também deverá apurar se existem outras vítimas e novos estabelecimentos relacionados às operações. O prejuízo superior a R$ 200 mil corresponde ao que já foi identificado pelos investigadores, podendo sofrer alteração conforme novas movimentações financeiras sejam descobertas durante a perícia.

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