Terça-feira, Setembro 1, 2026
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NÚMEROS QUE ASSUSTAM: LESÕES CORPORAIS SOBEM E VALE SEGUE ENTRE OS MAIS VIOLENTOS DO INTERIOR


Os dados mais recentes da segurança pública colocam o Vale do Paraíba e o Litoral Norte diante de um cenário que chama atenção. Mesmo com redução em crimes como roubos, furtos, homicídios e tentativas de homicídio em alguns comparativos, outros indicadores avançaram em 2026. As lesões corporais dolosas cresceram de forma significativa em julho, os furtos de veículos aumentaram em relação ao mês anterior e os casos de estupro de vulnerável subiram no acumulado do ano. Ao mesmo tempo, a região continua registrando um dos maiores números de mortes violentas entre as áreas do interior paulista.

A lesão corporal dolosa foi o crime que apresentou a maior alta em números absolutos na comparação entre julho de 2025 e julho de 2026. Foram 787 ocorrências no mesmo mês do ano passado contra 865 neste ano, um aumento de 78 registros, equivalente a aproximadamente 9,9%.

O crescimento fica ainda mais evidente quando julho é comparado com junho deste ano. Em apenas um mês, os registros de lesão corporal dolosa passaram de 766 para 865, uma elevação próxima de 13%. Na prática, foram 99 ocorrências a mais no intervalo de apenas um mês.

Os furtos de veículos também apresentaram aumento. Julho terminou com 177 registros, contra 172 no mesmo período de 2025. A diferença anual foi pequena, mas a comparação mensal revela uma mudança mais acentuada. Em junho haviam sido registrados 143 furtos de veículos, o que representa 34 ocorrências a mais em julho e um crescimento aproximado de 23,8%.

Os dados envolvendo violência sexual também exigem atenção. Considerando apenas os casos de estupro fora da classificação de vulnerável, julho registrou 15 ocorrências, contra 14 no mesmo mês de 2025 e 13 em junho deste ano.

Quando todas as modalidades de estupro são somadas, no entanto, julho terminou com 65 registros, diante de 72 no mesmo mês do ano passado. A redução foi influenciada principalmente pela queda dos estupros de vulnerável naquele recorte mensal, que passaram de 58 para 50 ocorrências.

A situação muda quando os números são analisados no acumulado dos primeiros sete meses do ano. Entre janeiro e julho de 2026, o Vale contabilizou 498 casos de estupro, contra 506 no mesmo período de 2025, uma redução geral de 1,58%.

Apesar da queda no total, os estupros de vulnerável cresceram. Foram 383 ocorrências entre janeiro e julho deste ano, diante de 370 no mesmo período do ano passado, aumento de 3,51%. Esse tipo de crime representa aproximadamente 77% de todos os estupros registrados na região em 2026.

Enquanto esses indicadores avançaram, homicídios e tentativas de homicídio apresentaram reduções importantes. Os homicídios dolosos passaram de 25 casos em julho de 2025 para 20 no mesmo mês deste ano.

As tentativas de homicídio tiveram uma queda ainda mais acentuada. Foram 40 ocorrências em julho do ano passado contra 19 neste ano, redução de 52,5%. Na comparação com junho de 2026, quando haviam sido registrados 30 casos, também houve diminuição.

Os crimes contra o patrimônio seguiram uma tendência semelhante de queda em diferentes modalidades. Os roubos em geral recuaram de 199 para 166 ocorrências na comparação entre julho de 2025 e julho de 2026. Os roubos de veículos caíram de 41 para 25 casos.

Os furtos em geral passaram de 1.799 para 1.633 registros, enquanto os roubos de carga diminuíram de quatro para três ocorrências.

No acumulado dos primeiros sete meses de 2026, os roubos também apresentaram queda expressiva. Foram 1.344 ocorrências, diante de 1.669 no mesmo período de 2025, redução de 19,5%.

Os roubos de veículos recuaram de 250 para 210 casos. Os furtos em geral diminuíram 6,18%, enquanto os furtos de veículos tiveram queda de 6,76%. As tentativas de homicídio também apresentam redução de 6,5% quando considerados os sete primeiros meses do ano.

Mesmo diante da melhora em diferentes indicadores, o número de mortes violentas continua colocando o Vale do Paraíba e o Litoral Norte em posição preocupante no cenário estadual.

Entre janeiro e julho de 2026, a região contabilizou 168 mortes violentas, sendo 166 vítimas de homicídios dolosos e duas de latrocínios. O total é exatamente o mesmo registrado nos sete primeiros meses de 2025.

Com esse número, o Vale permanece na liderança entre as regiões do interior paulista nesse levantamento. Ribeirão Preto aparece em seguida, com 123 mortes violentas. Sorocaba registra 112, Campinas soma 108 e Piracicaba aparece com 86.

O cenário fica ainda mais evidente quando é observado o período de 12 meses entre agosto de 2025 e julho de 2026. Nesse intervalo, o Vale acumulou 278 vítimas de homicídio e alcançou uma taxa de 10,99 mortes por 100 mil habitantes.

O índice representa mais que o dobro da média registrada no Estado de São Paulo, que ficou em 5,33 mortes por 100 mil habitantes.

Os dados revelam um cenário de contrastes na segurança pública regional. Enquanto determinadas modalidades de crimes apresentam redução, principalmente roubos, furtos e tentativas de homicídio, os aumentos das lesões corporais dolosas e dos estupros de vulnerável permanecem entre os indicadores de maior atenção. Ao mesmo tempo, o número de mortes violentas mantém o Vale entre as regiões com os resultados mais preocupantes do interior paulista.

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