Sexta-feira, Agosto 28, 2026
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PIX DE R$ 3 MIL, VIGIA NA IGREJA E FUGA PELA RIO-SANTOS: POLÍCIA REVELA BASTIDORES DA EXECUÇÃO DE INSPETOR EM ANGRA


Quase um ano depois do assassinato do inspetor da Polícia Civil Élber de Freitas Fares, de 50 anos, morto a tiros diante do próprio filho de 10 anos após sair de uma igreja em Angra dos Reis, a investigação avançou sobre a estrutura que, segundo a polícia, teria sido montada para executar o agente. Três homens foram presos na quinta-feira, 27 de agosto, durante a Operação Legado e Honra, e os investigadores afirmam ter reconstruído diferentes etapas do crime, desde o dinheiro utilizado para adquirir um veículo até o monitoramento da vítima e a fuga pela Rodovia Rio-Santos. Um quarto investigado continua sendo procurado.

Élber foi assassinado na noite de 31 de agosto de 2025, no bairro Balneário. Ele deixava a Igreja da Reconciliação acompanhado do filho quando foi surpreendido pelo ataque. Segundo as informações reunidas durante a investigação, o policial entrou no veículo e, pouco depois, outro automóvel parou nas proximidades. O atirador se aproximou e efetuou vários disparos. Élber foi atingido no abdômen e no pescoço, chegou a ser socorrido ao Hospital da Japuíba, mas não resistiu. O menino presenciou a execução do pai e não foi ferido.

A operação realizada agora pela 166ª Delegacia de Polícia de Angra dos Reis levou à prisão de três investigados que, segundo a Polícia Civil, teriam desempenhado funções diferentes dentro do plano criminoso. Entre eles está Igor da Silva Moreira, de 44 anos, apontado como responsável por parte do suporte financeiro e logístico. A investigação afirma que ele realizou uma transferência de R$ 3 mil via Pix que teria sido utilizada para a compra do automóvel empregado na ação.

Igor possui registro como atirador esportivo e também passou a ser investigado por suspeita de fornecimento de armas para integrantes do tráfico de drogas da região. Um dos elementos analisados pela polícia é uma pistola registrada em seu nome que teria sido encontrada posteriormente com outro investigado apontado como liderança criminosa. A responsabilidade criminal de Igor e dos demais presos ainda será analisada pela Justiça.

Outro preso é Effer da Anunciação Falcão, conhecido como “Effinho”, de 38 anos. De acordo com a reconstrução feita pelos investigadores, ele teria sido responsável por acompanhar os movimentos de Élber na noite do assassinato. A suspeita é de que tenha permanecido próximo da igreja observando a vítima e transmitindo sua localização aos demais envolvidos enquanto o policial se preparava para deixar o local.

A participação atribuída a Effer não teria terminado com os disparos. Segundo a Polícia Civil, ele também teria auxiliado na fuga do executor e ficado responsável por esconder a arma utilizada no homicídio em uma região de mata. A investigação tenta localizar e reunir todos os elementos relacionados à arma e à movimentação realizada pelos envolvidos depois da execução.

O terceiro homem preso, Pedro Paulo Ribeiro Castor, de 43 anos, é apontado como motorista de apoio. A polícia afirma que ele teria conduzido um Fiat Palio azul utilizado para transportar Effer até as proximidades da igreja e, posteriormente, teria se deslocado para um ponto estratégico da BR-101, a Rodovia Rio-Santos, onde teria participado do esquema de fuga montado para retirar os envolvidos da região após o assassinato.

As prisões ajudam a revelar aquilo que os investigadores consideram uma estrutura organizada, com divisão de tarefas. A suspeita é de que o grupo tenha utilizado pessoas diferentes para financiar, monitorar, transportar e executar a vítima, além de garantir a retirada do atirador depois dos disparos.

Um quarto investigado, identificado como Raian Faria Rezende, ainda é procurado. Segundo a Polícia Civil, ele teria exercido funções relacionadas ao recrutamento e à logística do crime, sendo apontado como responsável por providenciar um veículo clonado utilizado pelo executor e por recrutar outros participantes. As investigações indicam a possibilidade de que ele esteja escondido no Complexo da Penha, na cidade do Rio de Janeiro.

Ao todo, a Polícia Civil trabalha com a participação de seis pessoas na execução. Três foram presas durante a Operação Legado e Honra, uma permanece foragida e outras duas apontadas como peças importantes do plano morreram anteriormente em confrontos com agentes de segurança.

Entre os mortos está Erivelte de Souza Oliveira Júnior, conhecido como “Veltinho”, de 31 anos, apontado pela investigação como o homem que teria efetuado os disparos contra Élber. Ele foi localizado poucos dias depois do assassinato, em 3 de setembro de 2025, na região dos Predinhos da Banqueta. Segundo a Polícia Civil, houve troca de tiros durante a tentativa de prisão. Um policial chegou a ser atingido, mas estava protegido por colete balístico. Erivelte morreu durante o confronto e uma pistola foi apreendida.

Outro nome que passou a ocupar posição central na investigação foi Pablo Miguel Rodrigues Pereira, conhecido como “Bigode”. Ele era apontado pela polícia como liderança do tráfico de drogas na região e possível mandante da execução. Pablo morreu em fevereiro deste ano, em Paraty, também durante confronto com policiais civis.

A investigação também recuperou mensagens e publicações que teriam sido feitas antes do assassinato. Segundo a Polícia Civil, aproximadamente uma semana antes da morte de Élber, Pablo teria publicado ameaças contra policiais da delegacia de Angra dos Reis nas redes sociais. Entre os agentes mencionados estaria o próprio inspetor que seria morto dias depois.

Esse material reforçou uma das linhas investigadas para a motivação do crime. Élber atuava no setor de inteligência da 166ª DP e participava de trabalhos de investigação voltados ao crime organizado e ao tráfico de drogas em Angra. Para a Polícia Civil, a execução teria relação com essa atuação profissional, embora a responsabilização individual de cada acusado ainda dependa do processo judicial.

O assassinato provocou forte repercussão em Angra dos Reis. Além de ocorrer diante do filho da vítima, o crime atingiu diretamente uma equipe policial envolvida em investigações de inteligência. No dia seguinte à morte de Élber, a Prefeitura decretou três dias de luto oficial em homenagem ao inspetor.

A Operação Legado e Honra recebeu esse nome justamente em referência ao policial assassinado. Segundo a corporação, “Legado” representa o trabalho desenvolvido por Élber durante sua carreira e “Honra” simboliza o compromisso dos investigadores em esclarecer o crime e responsabilizar os envolvidos.

Com as três novas prisões, a investigação entra agora em uma fase voltada à consolidação das provas e à localização do investigado que permanece foragido. A Polícia Civil também continua analisando movimentações financeiras, veículos, armas e comunicações que possam revelar detalhes ainda desconhecidos sobre a preparação e execução do assassinato.

Quase um ano depois dos disparos que tiraram a vida de Élber diante do filho, a polícia afirma ter reconstruído uma parte importante do quebra-cabeça: um Pix de R$ 3 mil para ajudar na compra de um carro, um suspeito monitorando a vítima perto da igreja, outro motorista aguardando na Rio-Santos e um veículo clonado inserido na logística da fuga. Agora, a principal missão é localizar o último investigado procurado e fechar o cerco sobre todos os suspeitos apontados como integrantes do plano.

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