Quarta-feira, Agosto 12, 2026
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MAIS DE QUATRO SÉCULOS DE VIDA: BRASIL TEM QUATRO BISPOS CATÓLICOS COM 100 ANOS OU MAIS


Quatro homens, 401 anos de vida somados e uma trajetória que atravessa boa parte da história recente da Igreja Católica. O Brasil passou a contar com quatro bispos centenários vivos depois que Dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto, arcebispo emérito de Curitiba, completou 100 anos nesta terça-feira (11). Ele se juntou a Dom Manuel Edmilson da Cruz, de 101 anos, Dom Hildebrando Mendes Costa, de 100, e Dom Heitor de Araújo Sales, também com 100 anos.

O grupo chama atenção não apenas pela longevidade. Os quatro nasceram durante o pontificado do Papa Pio XI e acompanharam, ao longo da vida, nove pontificados: Pio XI, Pio XII, São João XXIII, São Paulo VI, João Paulo I, São João Paulo II, Bento XVI, Francisco e, atualmente, Leão XIV. Suas histórias atravessaram mudanças profundas na Igreja, na sociedade brasileira e no mundo.

O mais idoso entre eles é Dom Manuel Edmilson da Cruz, bispo emérito de Limoeiro do Norte, no Ceará. Nascido em 3 de outubro de 1924, em Acaraú, Dom Manuel está atualmente com 101 anos e deverá chegar aos 102 em outubro. Ele entrou no seminário ainda adolescente, foi ordenado sacerdote em 1948 e recebeu a ordenação episcopal em 1966. Ao longo do ministério, atuou como bispo auxiliar de São Luís do Maranhão, bispo auxiliar de Fortaleza e, posteriormente, bispo de Limoeiro do Norte.

A trajetória de Dom Manuel também ficou marcada por uma atuação voltada aos pobres e às questões sociais. A Arquidiocese de Fortaleza recorda que ele se destacou pela defesa de presos políticos, pela atuação durante o período da ditadura militar e pelo trabalho junto às populações mais vulneráveis. Em 1994, quando era bispo auxiliar de Fortaleza, ele estava ao lado do cardeal Dom Aloísio Lorscheider durante um episódio em que religiosos foram feitos reféns durante uma visita a um presídio.

Ao completar 100 anos, em 2024, Dom Manuel ainda era descrito pela Arquidiocese de Fortaleza como um homem dedicado à leitura, à meditação e à oração, mantendo interesse pelos acontecimentos do país e do mundo. Ele reside em Fortaleza e é bispo emérito da Diocese de Limoeiro do Norte.

Outro integrante desse grupo é Dom Hildebrando Mendes Costa, bispo emérito de Estância, em Sergipe. Nascido em 16 de junho de 1926, em Porto Real do Colégio, Alagoas, ele completou 100 anos em junho deste ano. Foi ordenado sacerdote em dezembro de 1951 e tornou-se bispo em 1981. Inicialmente, exerceu o ministério como bispo auxiliar de Aracaju e depois assumiu a Diocese de Estância.

O centenário de Dom Hildebrando foi celebrado em Arapiraca, Alagoas, com uma missa que reuniu integrantes da Província Eclesiástica de Aracaju. Participaram da celebração, entre outros religiosos, o arcebispo metropolitano de Aracaju, Dom Josafá Menezes da Silva, e os bispos das dioceses de Estância e Propriá. A homenagem recordou a atuação de Dom Hildebrando na Igreja sergipana e sua influência sobre diferentes gerações de sacerdotes, religiosos e leigos. Atualmente, ele reside em Arapiraca.

No Rio Grande do Norte está outro nome que ultrapassou a marca de um século. Dom Heitor de Araújo Sales, arcebispo emérito de Natal, completou 100 anos em 29 de julho. Natural de São José de Mipibu, ele teve atuação de destaque na Diocese de Caicó, onde foi bispo entre 1978 e 1993, antes de assumir a Arquidiocese de Natal, que governou até 2003.

Dom Heitor carrega ainda uma ligação histórica com uma das principais iniciativas anuais da Igreja Católica no Brasil: a Campanha da Fraternidade. Ainda sacerdote, ele participou das primeiras mobilizações que ajudaram a dar origem à campanha. Após conhecer uma experiência desenvolvida na Alemanha durante a Quaresma, Dom Heitor levou a ideia para o Rio Grande do Norte e a apresentou a seu irmão, Dom Eugênio de Araújo Sales.

A primeira coleta relacionada à experiência ocorreu no Domingo de Ramos de 1962. No ano seguinte, a iniciativa foi adotada por 19 dioceses do Nordeste e, em 1964, passou a alcançar todo o episcopado brasileiro, consolidando a Campanha da Fraternidade em âmbito nacional. A contribuição de Dom Heitor para esse processo foi destacada pela própria Conferência Nacional dos Bispos do Brasil durante as comemorações de seu centenário.

O integrante mais recente do grupo dos centenários é Dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto, que chegou aos 100 anos nesta terça-feira (11). Arcebispo emérito de Curitiba, ele nasceu em 11 de agosto de 1926, na Colônia Antônio Rebouças, em Campo Largo, no Paraná, em uma família de descendência italiana. Foi ordenado sacerdote em dezembro de 1953 e tornou-se bispo em 1966.

Dom Pedro foi nomeado arcebispo de Curitiba no final de 1970 e tomou posse em 1971, permanecendo à frente da Arquidiocese por mais de três décadas. Também presidiu durante 28 anos o Regional Sul 2 da CNBB, responsável pelas dioceses do Paraná. Ao longo de sua atuação pastoral, participou da criação de dezenas de paróquias e teve papel na organização da visita de São João Paulo II a Curitiba.

Ao completar um século de vida, Dom Pedro recebeu uma homenagem da Presidência da CNBB. A Conferência destacou os 60 anos de episcopado do religioso e sua longa presença na história da Igreja brasileira. A celebração pelos 100 anos ocorreu no Seminário São José, em Curitiba, onde o arcebispo emérito reside.

A chegada de Dom Pedro ao centenário transformou 2026 em um ano particularmente marcante para a longevidade do episcopado brasileiro. Somente entre junho e agosto, três bispos alcançaram os 100 anos: Dom Hildebrando em junho, Dom Heitor em julho e Dom Pedro em agosto. Dom Manuel já havia atingido essa marca em outubro de 2024 e, atualmente, aos 101 anos, permanece como o bispo mais velho entre os quatro.

Os números ganham dimensão quando comparados ao tamanho do episcopado do país. Em abril de 2026, a CNBB informou que o Brasil possuía 497 bispos, sendo 324 no exercício do governo pastoral de dioceses ou arquidioceses e 173 eméritos. Os quatro centenários fazem parte justamente desse grupo de pastores que, depois de deixarem o governo direto de suas dioceses, permanecem ligados à vida da Igreja.

Entre Ceará, Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraná, as histórias de Dom Manuel Edmilson da Cruz, Dom Hildebrando Mendes Costa, Dom Heitor de Araújo Sales e Dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto formam um registro raro de longevidade dentro da Igreja Católica brasileira. Aos 100 ou mais anos, os quatro carregam trajetórias episcopais iniciadas ainda no século XX e que chegam a 2026 como testemunhas de diferentes momentos da história religiosa brasileira.

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