Quarta-feira, Agosto 12, 2026
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AMEAÇAS PELO PIX: UNIVERSITÁRIA MORTA PELO EX EM PINDAMONHANGABA RECEBIA MENSAGENS DE MORTE


A morte da universitária Lívia Berthoud, de 23 anos, em Pindamonhangaba, ganhou um novo e alarmante capítulo com a revelação feita por familiares de que ela vinha sendo ameaçada de morte pelo ex namorado até mesmo por meio de transferências via Pix. Segundo os relatos, Carlos Eduardo Barbosa Vieira Leite utilizava o campo de mensagem da operação bancária para enviar textos direcionados à jovem depois que foi bloqueado por ela em redes sociais e aplicativos de conversa. O caso é investigado pela Polícia Civil e se soma ao histórico de ameaças já existente antes do crime.

Lívia, estudante de Direito da Universidade de Taubaté, a Unitau, foi morta a tiros na manhã de segunda feira (10), após sair de uma academia em Pindamonhangaba. As investigações apontam que ela caminhava pela Rua São Sebastião quando foi atacada. O crime foi registrado por câmera de segurança e, desde então, passou a repercutir intensamente em todo o país.

De acordo com familiares, o relacionamento entre Lívia e Carlos Eduardo durou cerca de quatro anos, mas o fim do namoro não teria sido aceito por ele. Após o rompimento, a jovem teria buscado se afastar do ex companheiro, bloqueando canais de contato e recorrendo à proteção judicial. Ela possuía medida protetiva contra o ex namorado, o que já evidenciava a gravidade do quadro vivido antes do assassinato.

Ainda conforme os relatos da família, mesmo impedido de manter contato direto pelos meios habituais, Carlos Eduardo encontrou no sistema de transferências bancárias uma nova forma de insistir na aproximação. A estratégia, segundo os familiares, consistia em enviar pequenas transferências acompanhadas de mensagens escritas no campo destinado à identificação da operação. Algumas dessas mensagens, de acordo com a denúncia da família, continham ameaças de morte.

Esse mecanismo permitia que o conteúdo chegasse até a conta bancária de Lívia em forma de notificação, mesmo depois do bloqueio nos aplicativos e redes sociais. A informação acrescenta um dado relevante à investigação, porque aponta para tentativas reiteradas de contato, insistência na perseguição e possível reforço ao conjunto de indícios sobre o comportamento do suspeito antes do crime.

Os registros dessas movimentações bancárias poderão se tornar peças importantes no inquérito. Uma transferência via Pix deixa dados como data, horário, contas envolvidas e, em determinadas situações, o texto anexado à operação. Caberá agora à Polícia Civil analisar o material, verificar o teor das mensagens e confrontar os registros com o histórico de ameaças relatado pela família e já apontado no boletim de ocorrência.

Os familiares também afirmam que Lívia havia mudado parte de sua rotina por causa do comportamento do ex namorado. A existência da medida protetiva e os relatos de perseguição mostram que a jovem já vinha adotando medidas para tentar se proteger. O caso, no entanto, terminou de forma trágica na manhã de segunda feira (10), quando ela foi surpreendida e morta a tiros.

Após o crime, policiais localizaram Carlos Eduardo no apartamento dele. Durante a ocorrência, a Polícia Civil apreendeu um revólver calibre 38, aparelhos celulares, uma carta manuscrita, o veículo relacionado ao suspeito e outros objetos que agora fazem parte da investigação. Também foi registrado no boletim de ocorrência que o nome de Lívia foi encontrado escrito com sangue em um espelho no imóvel onde o investigado foi localizado.

Carlos Eduardo recebeu atendimento médico após sofrer um ferimento por arma de fogo depois da morte de Lívia. Ele permanece internado em estado gravíssimo na UTI da Santa Casa de Pindamonhangaba, intubado, inconsciente e com edema cerebral. Mesmo hospitalizado, continua preso. A prisão em flagrante foi ratificada durante a ocorrência e posteriormente convertida em prisão preventiva pela Justiça. O suspeito permanece sob custódia do Estado e escolta policial no hospital.

A Delegacia de Defesa da Mulher de Pindamonhangaba segue à frente da investigação e trabalha para esclarecer toda a dinâmica do caso, inclusive as circunstâncias que antecederam o assassinato. A apuração deve considerar não apenas o ataque que tirou a vida da universitária, mas também o histórico de ameaças, a medida protetiva, as tentativas de contato por meios alternativos e os elementos apreendidos com o investigado.

O caso também chama atenção para uma forma incomum de perseguição, em que o sistema bancário teria sido usado como ferramenta de intimidação depois que a vítima rompeu os canais tradicionais de comunicação. A denúncia da família de que as ameaças chegavam pelo Pix reforça a necessidade de preservação de comprovantes, extratos, notificações e demais registros que possam comprovar ameaças em situações semelhantes.

As informações reunidas até agora mostram que Lívia tentava se afastar do ex namorado e já havia recorrido à Justiça para se proteger. Agora, com a revelação de que mensagens ameaçadoras teriam sido enviadas também por meio de transferências bancárias, a investigação ganha um novo ponto de atenção na busca pela reconstituição de tudo o que antecedeu a morte da jovem.

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