“PREDADOR SEXUAL” CONDENADO: APONTADO PELA POLÍCIA COMO POSSÍVEL SERIAL KILLER PEGA MAIS DE 42 ANOS POR ESTUPROS EM SÃO JOSÉ
Anderson Pereira Guedes, homem apontado pela Polícia Civil como um “predador sexual” e que chegou a ser investigado com perfil de possível serial killer em São José dos Campos, recebeu duas condenações por estupro de vulnerável. As penas aplicadas pela Justiça em processos distintos chegam, somadas, a 42 anos, 2 meses e 20 dias de reclusão. Ele permanece preso e ainda enfrenta acusações relacionadas a mortes investigadas pela polícia na cidade.
As condenações foram determinadas pela 1ª Vara Criminal de São José dos Campos. Em uma das sentenças, Anderson recebeu pena de 26 anos e 8 meses de prisão por dois crimes de estupro de vulnerável praticados contra a mesma vítima em 2016. Na segunda decisão, relacionada a fatos de 2015, a pena foi de 15 anos, 6 meses e 20 dias por estupro de vulnerável contra uma menina que tinha apenas 9 anos na época. O regime inicial estabelecido é o fechado.
O caso da vítima de 2016 envolve dois episódios. Segundo a decisão judicial divulgada pela imprensa, Anderson teria se aproveitado de momentos em que a mulher estava dormindo para cometer os abusos. Um dos episódios ocorreu na residência da própria vítima e outro na casa onde Anderson vivia com sua então companheira. A Justiça considerou o depoimento apresentado pela vítima firme e coerente para fundamentar a condenação.
A mulher levou anos para denunciar os crimes. De acordo com as informações do processo, o medo do acusado teria contribuído para o silêncio. A denúncia somente ganhou força depois que Anderson foi preso e outras acusações contra ele começaram a aparecer. O caso revela um ponto importante da investigação: a prisão desencadeou uma sequência de novos relatos de mulheres que afirmavam ter sido vítimas dele.
Segundo a Deic, após a prisão de Anderson, quatro mulheres procuraram a polícia para relatar abusos sexuais sofridos anteriormente e atribuídos a ele. Todas foram encaminhadas à Delegacia de Defesa da Mulher de São José dos Campos, onde prestaram depoimento. Parte desses relatos posteriormente deu origem a procedimentos que chegaram à Justiça.
Entre os fatos considerados em uma das condenações aparece ainda o nome de Marimar Alves Moreira da Silva. Segundo a sentença divulgada, Marimar estava presente em um dos episódios envolvendo a vítima de 2016 e teria sido ameaçada por Anderson. Dois anos depois, Marimar seria encontrada morta. Anderson passou posteriormente a responder também pela acusação relacionada à morte da jovem.
O segundo processo que resultou em condenação envolve uma vítima ainda mais jovem. A menina tinha somente 9 anos quando os fatos aconteceram, em 2015, na região da Vila Ester. Segundo as informações da sentença, Anderson teria praticado atos de natureza sexual enquanto a criança dormia e posteriormente feito ameaças para que ela permanecesse em silêncio. A denúncia somente foi formalizada anos depois, quando a vítima já era adulta e tomou conhecimento da prisão do acusado.
A Justiça rejeitou a tese de que o longo período transcorrido até a denúncia enfraqueceria automaticamente a acusação. Nas decisões, foram considerados o contexto de vulnerabilidade das vítimas, as ameaças relatadas e a coerência dos depoimentos. Também foi reconhecida a reincidência de Anderson em uma das sentenças, fator que contribuiu para o aumento da pena.
Mas as condenações por crimes sexuais representam apenas uma parte de uma investigação muito maior que começou a ganhar repercussão em 2024. Na época, a Deic passou a apontar Anderson como suspeito de uma sequência de crimes violentos e afirmou que ele apresentava perfil compatível, na avaliação policial, com o de um possível serial killer. A polícia também o descreveu durante as investigações como violento, manipulador e sem demonstração de remorso.
Anderson foi preso em 31 de agosto de 2024, após ser localizado por policiais militares em um restaurante de São José dos Campos. A ordem de prisão estava relacionada inicialmente a outro episódio grave ocorrido em dezembro de 2018, quando, segundo a investigação, ele teria usado um automóvel para atingir propositalmente um casal que estava em uma motocicleta na Vila Ester.
Diogo Alexandre Batista, de 33 anos, morreu em consequência dos ferimentos. A mulher que estava com ele sobreviveu, mas, segundo a investigação divulgada na época, passou um longo período sem conseguir andar. A polícia afirmou que o ataque teria sido intencional e passou a relacioná-lo ao histórico de violência investigado contra Anderson.
Com Anderson preso, os investigadores passaram a revisitar outros episódios e ouvir novas testemunhas. Um deles era a morte de Marimar Alves Moreira da Silva, jovem encontrada morta em abril de 2018. Segundo a investigação policial divulgada em 2024, o corpo foi localizado em uma pequena vala, já em estado de decomposição, e apresentava sinais compatíveis com disparos de arma de fogo. Anderson acabou apontado pela investigação como suspeito e denunciado pelo caso.
Outro nome que passou a fazer parte da investigação foi o de Vitória Cristina Oliveira Souza, que tinha 12 anos. A Polícia Civil retomou um caso antigo envolvendo restos mortais encontrados em um canavial na zona leste de São José dos Campos. Durante a apuração, testemunhos levaram os investigadores a relacionar Anderson à morte da adolescente. Na investigação divulgada em 2024, a Deic sustentava que ele teria tentado abusar sexualmente da menina e a matado após ela reagir. Naquele momento, exames genéticos ainda eram aguardados para a confirmação formal da identidade dos restos mortais.
As investigações também chamaram atenção para o perfil das vítimas. Segundo a Deic, Marimar e Vitória eram jovens em situação de vulnerabilidade social e enxergavam Anderson como alguém de confiança. A polícia afirmou ainda que havia possibilidade de surgirem outras vítimas, especialmente porque Anderson teria passado um período longe de São José dos Campos e permanecido em Caraguatatuba.
Além disso, registros policiais divulgados durante a investigação indicavam que Anderson já possuía antecedentes relacionados a outros delitos, incluindo roubo, tentativa de homicídio e porte ilegal de arma de fogo. Com sua prisão, as autoridades passaram a reunir peças que antes estavam espalhadas em diferentes ocorrências e depoimentos.
Agora, as duas condenações por estupro de vulnerável representam decisões judiciais concretas dentro desse conjunto de acusações. Diferentemente das suspeitas de homicídio que ainda dependem dos respectivos julgamentos, nesses dois processos a Justiça já reconheceu a responsabilidade criminal de Anderson pelos crimes sexuais.
As penas individualizadas são de 26 anos e 8 meses por dois crimes praticados em 2016 e de 15 anos, 6 meses e 20 dias pelo crime cometido contra a menina de 9 anos em 2015, resultando em 42 anos, 2 meses e 20 dias quando consideradas em conjunto. As decisões ainda podem ser questionadas por meio dos recursos previstos na legislação.
Anderson negou as acusações durante os processos e sustentou sua inocência. Paralelamente às condenações pelos estupros, os demais procedimentos relacionados às mortes atribuídas a ele continuam no âmbito judicial e investigativo, cada um com necessidade própria de produção e análise das provas.


