DIA DOS PAIS DEPOIS DO MILAGRE: “ACHEI QUE NUNCA MAIS FOSSE ABRAÇÁ-LA”, DIZ PAI DE JOVEM QUE PASSOU 42 HORAS À DERIVA NO MAR
Neste Dia dos Pais, domingo, dia 9 de agosto, o abraço entre Sidney José da Silva e a filha Bruna Damaris carrega um significado que poucos conseguem imaginar. Há pouco mais de dois meses, Sidney passou por 42 horas de angústia, impotência e medo acreditando que talvez nunca mais pudesse ter a filha nos braços. Bruna havia desaparecido no mar depois de um acidente com uma moto aquática em Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo, e permaneceu à deriva até ser encontrada com vida por pescadores.
Hoje, ao olhar para a filha de 26 anos, Sidney ainda se lembra das horas em que qualquer notícia poderia mudar para sempre a história da família. Enquanto equipes realizavam buscas no oceano, o pai estava em terra firme, cercado pelas lembranças de Bruna e sem poder participar diretamente da procura.
Sidney trabalhava em São Paulo quando recebeu a notícia do desaparecimento. A família permanecia em São Sebastião e a informação chegou durante a madrugada. Por volta de uma hora da manhã, ele soube que a filha estava desaparecida no mar.
A partir daquele momento, dormir deixou de ser uma possibilidade.
Mesmo abalado, Sidney ainda tentou permanecer no trabalho. Conversou com o engenheiro responsável, explicou que a filha havia desaparecido e não conseguiu segurar o choro. Pouco depois, foi liberado para voltar para casa e ficar ao lado da família.
Foi durante o retorno e nas horas seguintes que começaram a surgir os pensamentos que mais machucavam.
Sidney se lembrava de momentos simples da rotina da filha, dela arrumando a casa, cantando, das conversas entre os dois e até das discussões comuns entre pais e filhos. Bruna tinha 26 anos, mas continuava chamando o pai carinhosamente de “papito”.
Era justamente essa palavra que não saía da cabeça dele.
O pai imaginava a filha perdida no meio do oceano, pedindo ajuda e chamando por ele. Para Sidney, essa foi uma das sensações mais dolorosas de toda a espera.
Se Bruna estivesse desaparecida em uma mata, ele acreditava que poderia entrar na busca, caminhar, procurar e fazer alguma coisa. No mar, porém, a realidade era completamente diferente.
Enquanto embarcações e equipes especializadas procuravam pela jovem, Sidney só podia esperar.
A sensação era de impotência.
O desaparecimento aconteceu em maio, quando Bruna Damaris estava em uma moto aquática acompanhada de Dheorge Bernardino. Durante o passeio, a embarcação afundou e os dois desapareceram no mar.
O passar das horas tornava a situação cada vez mais desesperadora.
Depois de aproximadamente 36 horas sem notícias, Sidney e a esposa se reuniram durante a madrugada para orar.
Cristão, o pai sabia que, diante do tempo transcorrido e das condições do oceano, as possibilidades de encontrar a filha com vida pareciam cada vez menores. Ainda assim, a família decidiu manter a esperança.
Sidney relata que entregou a situação a Deus.
Poucas horas depois, veio a notícia que aquela família esperava desde o início das buscas.
Bruna estava viva.
Por volta das 10 horas da manhã, Sidney havia saído de casa para comprar pão de queijo e um suco para a esposa, que estava profundamente abalada pela espera.
Foi nesse momento que recebeu a informação.
A filha havia sido encontrada.
Depois de aproximadamente 42 horas à deriva no mar, Bruna Damaris foi localizada com vida por pescadores.
A notícia transformou completamente aquela manhã.
O medo de nunca mais abraçar a filha deu lugar à expectativa de reencontrá-la.
Bruna foi socorrida e encaminhada para atendimento médico. Posteriormente, recebeu alta hospitalar e retornou para junto da família.
O mesmo desfecho, infelizmente, não aconteceu com Dheorge Bernardino, de 28 anos, que estava com Bruna na moto aquática. Ele foi encontrado morto.
Para Sidney, sobreviver àquelas 42 horas de espera também mudou sua maneira de enxergar a relação entre pai e filha.
Neste Dia dos Pais, o sentimento é diferente.
Cada abraço ganhou outro peso.
Cada conversa passou a ser valorizada.
Até os momentos considerados comuns antes do acidente agora carregam uma importância maior.
Sidney lembra que existem muitos pais e mães que enfrentaram situações semelhantes e não tiveram a oportunidade de reencontrar seus filhos. Por isso, depois do que viveu, decidiu aproveitar mais intensamente o tempo ao lado da família.
Neste domingo, ele convidou Bruna para tomar um café em casa.
Um encontro simples, mas que, depois de tudo o que aconteceu, passou a representar muito mais.
Sidney diz que independentemente da idade, a relação continuará a mesma. Mesmo quando ele chegar aos 70 anos e Bruna aos 50, ela continuará sendo sua filha.
A lembrança mais forte daquele período ainda é o medo de não conseguir abraçá-la novamente.
Hoje, o abraço existe.
E neste Dia dos Pais ele vale muito mais do que qualquer presente.


