Domingo, Agosto 9, 2026
Cidades

CRIMES VIOLENTOS CAEM 14%, MAS VALE TEM 145 HOMICÍDIOS E SEGUE COM A MAIOR TAXA DO ESTADO


Os números da segurança pública no Vale do Paraíba apresentam dois movimentos bastante diferentes no primeiro semestre de 2026. De um lado, a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte registrou uma queda de 14% no conjunto dos chamados crimes violentos. De outro, os homicídios aumentaram e a região continua apresentando a maior taxa de assassinatos do Estado de São Paulo. Os dados são da Secretaria da Segurança Pública e abrangem os registros realizados entre janeiro e junho.

O indicador de crimes violentos reúne homicídio doloso, latrocínio, roubo, estupro e extorsão mediante sequestro. Foram 1.938 ocorrências no primeiro semestre deste ano, contra 2.247 no mesmo período de 2025. Na comparação direta, são 309 registros a menos em seis meses.

O levantamento divulgado aponta uma média de 10,77 crimes violentos por dia em 2026, contra 12,48 no primeiro semestre do ano passado. A redução, entretanto, precisa ser observada junto com o comportamento de cada tipo de crime, porque nem todos seguiram a mesma trajetória.

A principal queda ocorreu nos roubos. A região passou de 1.466 registros no primeiro semestre de 2025 para 1.175 neste ano, uma redução de aproximadamente 19,8%. Esse recuo ajuda a explicar boa parte da diminuição do indicador geral de crimes violentos.

Quando o foco passa para os crimes que terminam em morte, porém, o cenário é diferente.

A RMVale contabilizou 145 homicídios dolosos entre janeiro e junho de 2026, contra 141 no mesmo intervalo de 2025. O crescimento foi de aproximadamente 2,8%. Os latrocínios permaneceram estáveis, com dois casos em cada período. Dessa forma, homicídios e latrocínios somaram 147 mortes violentas no primeiro semestre deste ano.

Os dois latrocínios registrados na região ocorreram em Caçapava e Igaratá, com um caso em cada município.

Os estupros, por sua vez, praticamente não apresentaram alteração. Foram 434 registros no primeiro semestre de 2025 e 433 em 2026, uma redução de apenas 0,2%.

O contraste entre a queda dos crimes violentos como um todo e o aumento dos homicídios mostra que o resultado positivo do indicador geral não significa redução uniforme em todas as modalidades. A forte diminuição dos roubos puxou o total para baixo, enquanto os assassinatos tiveram movimento contrário. Essa é uma leitura dos próprios números divulgados pela SSP.

Outro dado reforça a preocupação com os homicídios. Considerando os últimos 12 meses, a RMVale atingiu uma taxa de 11,14 homicídios por 100 mil habitantes, contra 10,52 no período anterior. Segundo o levantamento baseado nos dados da SSP, essa é a maior taxa entre as regiões do Estado.

A diferença para a média paulista é expressiva. A taxa estadual ficou em 5,43 homicídios por 100 mil habitantes. Isso coloca o índice regional cerca de 105% acima da média do Estado. Em relação à capital, cuja taxa apontada foi de 4,33, a diferença chega a 157%. Na comparação com o interior paulista, que registrou 6,26, o Vale aparece 78% acima.

Em números absolutos de mortes violentas, a RMVale também ficou à frente das demais regiões do interior. Foram 147 vítimas no primeiro semestre, contra 108 em Ribeirão Preto, 103 em Sorocaba, 100 em Campinas, 72 em Piracicaba, 69 na Baixada Santista, 67 em Bauru, 47 em São José do Rio Preto, 33 em Araçatuba e 32 em Presidente Prudente.

Em todo o Estado de São Paulo, foram contabilizadas 1.237 mortes violentas no primeiro semestre, sendo 1.193 vítimas de homicídio doloso e 44 de latrocínio. O interior respondeu por 778 mortes, e a RMVale concentrou aproximadamente 19% desse total.

Os números também interrompem, ao menos no primeiro semestre, a trajetória observada em 2025. No ano passado, a região encerrou o período anual com 286 mortes violentas, considerado o menor resultado da série histórica iniciada em 2001, segundo o levantamento regional baseado nas estatísticas da SSP.

Entre os municípios, Caraguatatuba liderou o número de homicídios dolosos no primeiro semestre de 2026, com 23 casos. São José dos Campos apareceu em seguida, com 17. Taubaté, Lorena e Pindamonhangaba tiveram 12 homicídios cada.

Cruzeiro registrou nove homicídios, enquanto Guaratinguetá e Ubatuba contabilizaram oito cada. Cachoeira Paulista e São Sebastião apareceram com seis casos cada. Somadas, as dez cidades com maior número de assassinatos concentraram 113 homicídios, o equivalente a cerca de 78% do total regional.

A distribuição geográfica dos homicídios também chama atenção.

As sub-regiões de Guaratinguetá, área também associada ao chamado Vale da Fé, e do Litoral Norte somaram 78 homicídios, equivalentes a aproximadamente 54% dos 145 assassinatos registrados na região no primeiro semestre. Essas duas áreas concentram cerca de 28% da população regional, segundo o levantamento publicado a partir das estatísticas da SSP.

A sub-região de Guaratinguetá teve 40 homicídios, aproximadamente 27,6% do total. O Litoral Norte apareceu logo atrás, com 38 mortes, representando cerca de 26%. Já as sub-regiões de São José dos Campos e Taubaté registraram 28 homicídios cada, enquanto o Vale Histórico teve 11.

Os dados gerais da criminalidade revelam ainda outros movimentos importantes.

Os crimes contra a pessoa aumentaram 13% na RMVale. Foram 25.710 registros no primeiro semestre deste ano, contra 22.719 no mesmo período de 2025. Isso significa 2.991 ocorrências a mais.

Em direção contrária, os crimes contra o patrimônio caíram 6%, passando de 38.842 ocorrências para 36.445. Foram 2.397 registros a menos na comparação entre os dois primeiros semestres.

As ocorrências relacionadas a entorpecentes aumentaram. Foram 1.456 casos em 2026, contra 1.289 no primeiro semestre do ano passado, crescimento de aproximadamente 13% e uma diferença de 167 registros.

As contravenções também tiveram alta. O número passou de 1.391 para 1.654, crescimento de 19%, representando 263 ocorrências adicionais.

Considerando o conjunto de delitos contabilizado pelo levantamento, a RMVale passou de 69.420 registros no primeiro semestre de 2025 para 70.408 em 2026, aumento de 1,42%. São 988 delitos a mais.

As ocorrências classificadas como não criminais também avançaram, de 58.477 para 61.461, aumento aproximado de 5% e diferença de 2.984 registros entre os dois períodos.

Portanto, o balanço do primeiro semestre apresenta um cenário que não pode ser resumido apenas pela queda de 14% nos crimes violentos. Houve redução expressiva dos roubos e dos crimes contra o patrimônio, mas, ao mesmo tempo, cresceram os homicídios, os crimes contra a pessoa, as ocorrências envolvendo drogas, as contravenções e o número total de delitos.

A própria Secretaria da Segurança Pública informa que suas estatísticas mensais são divulgadas antes da publicação oficial no Diário Oficial e podem passar por retificações posteriores, que são incorporadas ao banco de dados.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

error: Content is protected !!