“POR R$ 20, TIRARAM MEU FILHO DE MIM”: MÃE DE GUSTAVO DESABAFA APÓS PRISÃO DE SUSPEITO
Vinte reais. Um valor pequeno diante do preço irreparável de uma vida. Para Luciane Siqueira, mãe de Gustavo do Prado, de 32 anos, nenhuma explicação será capaz de preencher o vazio deixado pelo filho, executado a tiros diante da própria casa no bairro Capuava, na região sudeste de São José dos Campos. O homem apontado pela Polícia Civil como autor dos disparos está preso, mas a dor de uma mãe que perdeu o filho permanece sem medida.
Em uma manifestação publicada nas redes sociais, Luciane revelou a revolta e a incredulidade diante da principal linha investigada pela Delegacia de Homicídios. Segundo o depoimento de uma testemunha, o assassinato teria sido provocado por uma discussão relacionada a uma dívida de apenas R$ 20.
“Não dá para acreditar. Tirou a vida do meu filho por causa de 20 reais”, escreveu a mãe. Segundo Luciane, Gustavo tentou explicar ao homem que receberia dinheiro e realizaria o pagamento na terça-feira. A conversa, porém, terminou com uma sequência de disparos e com a vida de um filho arrancada diante do portão de casa.
O crime aconteceu por volta das 2h47 da madrugada de domingo, dia 2 de agosto. Gustavo estava em sua residência quando um automóvel parou em frente ao imóvel. Ele saiu para conversar com o motorista e, poucos instantes depois, foi surpreendido pelos tiros.
As imagens de câmeras de segurança mostram que Gustavo foi atingido e caiu. O atirador, entretanto, desceu do veículo, aproximou-se da vítima e continuou disparando enquanto ela permanecia no chão e sem qualquer possibilidade de defesa.
Depois da execução, o homem retornou ao carro e fugiu. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência foram acionadas, mas Gustavo não resistiu. A morte foi constatada ainda no local, diante da casa onde as luzes continuavam acesas, a televisão permanecia ligada e a porta havia ficado aberta.
A Polícia Civil identificou Daniel Wilson de Souza, de 36 anos, como o investigado apontado como autor dos disparos. A Justiça decretou sua prisão temporária pelo prazo de 30 dias, enquanto equipes realizavam buscas em diferentes endereços de São José dos Campos.
O veículo utilizado no homicídio foi localizado durante as diligências. Horas depois, após uma negociação entre a defesa e a Polícia Civil, Daniel apresentou-se na Delegacia de Homicídios. Durante o interrogatório, ele exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio e informou que deverá se manifestar apenas perante a Justiça.
Após a apresentação, o investigado permaneceu preso e à disposição do Poder Judiciário. A previsão era de que ele passasse por audiência de custódia antes de ser encaminhado ao Centro de Detenção Provisória.
Uma testemunha que estaria dentro do automóvel no momento do crime prestou depoimento por videoconferência a partir de Curitiba, no Paraná. Segundo a Delegacia de Homicídios, essa pessoa afirmou que Daniel estava embriagado e foi responsável por todos os disparos contra Gustavo.
Ainda conforme esse relato, aproximadamente três semanas antes do assassinato, Gustavo teria cobrado a dívida de R$ 20. Naquela ocasião, o investigado teria reagido de maneira violenta e efetuado disparos para o alto com o objetivo de intimidar a vítima.
Na madrugada do crime, os dois voltaram a se encontrar em frente à residência de Gustavo. A testemunha afirmou que houve uma conversa e que o assunto relacionado ao dinheiro foi novamente mencionado antes de Daniel sacar a arma e iniciar os disparos.
A pessoa ouvida pela polícia também declarou que não sabia que o investigado estava armado antes de chegar ao endereço. As circunstâncias descritas no depoimento ainda serão confrontadas com as imagens, os exames periciais e os demais elementos reunidos durante o inquérito.
Segundo a Polícia Civil, Daniel já havia sido preso em 2022 por tentativa de homicídio e posse ilegal de arma de fogo. Posteriormente, ele recebeu liberdade provisória por decisão judicial. Esse histórico deverá integrar a investigação, mas a responsabilidade pelo assassinato de Gustavo ainda será analisada durante o processo, com garantia do direito de defesa.
O telefone celular da vítima foi apreendido pelos investigadores. Projéteis encontrados na cena também foram recolhidos e encaminhados à perícia. O material poderá ajudar a esclarecer os contatos mantidos por Gustavo, possíveis ameaças anteriores e os acontecimentos que antecederam o crime.
O caso continua sendo investigado como homicídio qualificado. A principal linha apresentada até o momento aponta para a cobrança da dívida de R$ 20, mas a motivação definitiva ainda dependerá da conclusão do inquérito e da análise de todas as provas.
Além da violência registrada naquela madrugada, a morte de Gustavo interrompeu um projeto de transformação pessoal. Amigos afirmaram que ele desejava retomar sua vida espiritual, voltar a frequentar a igreja e reconstruir sua caminhada por meio da fé.
Pessoas próximas contaram que Gustavo compartilhava mensagens bíblicas, reflexões e áudios de pregações com familiares e amigos. Ele demonstrava o desejo de mudar, recomeçar e se aproximar novamente da igreja. Um plano que acabou interrompido diante do portão de casa.
Agora, para Luciane, permanecem as lembranças do filho e uma pergunta difícil de compreender. Como uma discussão por R$ 20 pode terminar com tantos disparos, uma família destruída e uma mãe obrigada a sepultar aquele a quem deu a vida?
A prisão do homem apontado como autor não devolve Gustavo ao convívio da família. Também não apaga o sofrimento provocado naquela madrugada. Para uma mãe, nenhum valor, nenhuma dívida e nenhuma explicação serão capazes de justificar a perda de um filho.


