Quarta-feira, Agosto 5, 2026
Cidades

“NEM VELÓRIO MINHA FILHA TEVE”: MÃE DE VANESSA CLAMA POR JUSTIÇA APÓS CORPO SER ENCONTRADO EM RIACHO


A dor de Gisele de Almeida não terminou quando o corpo da filha foi encontrado. Ao contrário, ganhou uma dimensão ainda mais cruel. Vanessa de Oliveira, de 33 anos, permaneceu desaparecida por quase uma semana e foi localizada morta, em avançado estado de decomposição, dentro de um riacho em uma área rural entre Tremembé e Taubaté. Sem poder realizar uma despedida como desejava, a mãe agora cobra respostas e justiça.

Vanessa desapareceu na terça-feira, dia 28 de julho, depois de sair de casa e não retornar. Segundo a família, ela teria deixado o imóvel de carro com amigos. Naquela mesma noite, Gisele chegou a perguntar onde a filha estava, mas não recebeu resposta.

“Na terça-feira à noite que ela saiu de casa, perguntei para ela onde ela estava, ela não respondeu. Apenas saiu e depois não voltou mais. Foi difícil para a gente, porque a gente não tinha para onde correr. Foi muito difícil para mim”, desabafou a mãe.

A partir daquele momento, a rotina da família passou a ser marcada por telefonemas sem resposta, buscas, publicações nas redes sociais e uma esperança que diminuía a cada dia. Os parentes registraram o desaparecimento e começaram a procurar informações que pudessem indicar o paradeiro de Vanessa.

A primeira pista encontrada pelas autoridades foi o carro da vítima. O veículo foi localizado completamente carbonizado em uma área rural de Tremembé. A descoberta aumentou a preocupação dos familiares e levantou a suspeita de que Vanessa pudesse ter sido vítima de um crime.

Na segunda-feira, dia 3 de agosto, a procura terminou da forma mais dolorosa possível. O corpo de Vanessa foi encontrado em um riacho às margens da Estrada Municipal Benedito Barreto de Moraes, em uma região rural entre os municípios de Tremembé e Taubaté.

Segundo informações da Secretaria da Segurança Pública, o corpo apresentava sinais de violência. Foram identificadas lesões nas regiões do tórax e do pescoço, além de um ferimento na mão esquerda. A causa exata da morte deverá ser confirmada pelos exames realizados durante a investigação.

O tempo transcorrido entre o desaparecimento e a localização do corpo impediu que a família realizasse um velório tradicional. Para Gisele, não poder olhar uma última vez para a filha ou promover uma despedida digna aumentou ainda mais o sofrimento.

“Foi muito difícil porque nem velório a minha filha teve. Estava o corpo todo decomposto, porque demorou muito para achar o corpo dela. Então, está sendo muito difícil para a gente”, declarou.

Vanessa era mãe de uma menina de 9 anos, tinha formação como técnica em radiologia e vivia com a mãe no bairro Estiva, em Taubaté. A morte deixou uma criança sem a presença materna e uma família tentando compreender como uma saída de casa terminou em um cenário de violência.

A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio. O ex-namorado de Vanessa é apontado como principal suspeito, mas nenhuma responsabilidade definitiva poderá ser atribuída antes da conclusão do inquérito e da manifestação da Justiça.

Até a última atualização, a defesa do investigado não havia se pronunciado publicamente sobre o caso. A polícia trabalha para reconstituir os últimos passos de Vanessa, identificar quem esteve com ela na noite do desaparecimento e esclarecer de que maneira o corpo e o veículo foram levados aos locais onde acabaram encontrados.

Os investigadores também deverão analisar o telefone da vítima, imagens de câmeras, possíveis mensagens, registros de deslocamento, depoimentos de familiares, amigos e pessoas que mantiveram contato com Vanessa antes do desaparecimento.

Para Gisele, a apuração precisa esclarecer não apenas quem cometeu o crime, mas também se outras pessoas participaram da morte ou da tentativa de esconder os vestígios. A mãe afirmou confiar no trabalho policial e pediu que todos os envolvidos sejam identificados.

“Nós queremos saber quem que é a pessoa. Se tiver mais de um, dois ou uma pessoa só, que seja desvendada. Eu confio muito na polícia que esse crime vai ser descoberto, porque não é fácil perder uma filha. Muita maldade quem fez isso. Então, eu quero justiça”, afirmou.

A busca por Vanessa terminou, mas a luta da família está apenas começando. Sem velório, sem uma despedida e ainda sem todas as respostas, Gisele enfrenta o vazio deixado pela filha e espera que a investigação revele o que aconteceu entre a saída de casa, o carro incendiado e o corpo abandonado no riacho.

Enquanto os exames e depoimentos são analisados, uma menina de 9 anos cresce com a ausência da mãe, e Gisele permanece diante da lembrança mais dolorosa de toda essa história: não ter conseguido se despedir da própria filha.

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