Quarta-feira, Agosto 5, 2026
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APETRECHO DE PESCA PRESO AO CORPO: PSEUDORCA RARA É ENCONTRADA MORTA NO LITORAL NORTE


Uma descoberta no mar acendeu o alerta sobre os impactos das atividades humanas na vida marinha do Litoral Norte de São Paulo. Uma pseudorca fêmea, com aproximadamente quatro metros de comprimento, foi encontrada morta e com um apetrecho de pesca enroscado ao corpo durante um monitoramento realizado pela equipe do Instituto Argonauta.

O animal foi localizado a aproximadamente quatro quilômetros da Ponta do Sepituba, nas proximidades de Ilhabela. Depois do avistamento, a equipe responsável pelo Programa de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos iniciou a operação para retirar a carcaça do mar.

A pseudorca foi rebocada até a Praia Grande, em São Sebastião, onde funciona uma Unidade de Estabilização do Instituto Argonauta. No local, pesquisadores iniciaram a necropsia e coletaram amostras biológicas que serão encaminhadas para análises em laboratórios especializados.

O material de pesca preso ao corpo chama a atenção dos pesquisadores, mas ainda não é possível afirmar que tenha provocado diretamente a morte do animal. Somente o resultado da necropsia e dos exames laboratoriais poderá apontar se houve afogamento, ferimentos, comprometimento da alimentação ou algum outro problema relacionado ao enroscamento.

Também não foi detalhado até o momento qual era exatamente o tipo de apetrecho encontrado, como rede, linha, cabo ou equipamento utilizado em alguma modalidade específica de pesca. A procedência do material e o período em que permaneceu preso ao animal também são desconhecidos.

Após os procedimentos, a carcaça deverá receber uma destinação de acordo com os protocolos de biossegurança e as normas ambientais. Os estudos poderão fornecer informações sobre a saúde da pseudorca, seu estado nutricional, possíveis doenças, idade aproximada e circunstâncias que possam ter contribuído para a morte.

Apesar do nome, a pseudorca não é uma orca. A espécie, cujo nome científico é Pseudorca crassidens, pertence à família Delphinidae, a mesma dos golfinhos, e está entre os maiores representantes desse grupo. Alguns exemplares podem alcançar cerca de seis metros de comprimento e ultrapassar uma tonelada.

A semelhança com a orca está principalmente em algumas características do crânio. Estudos apontam que a pseudorca possui maior proximidade genética com animais como o golfinho de Risso, a orca pigmeia e as baleias piloto.

Esses animais costumam viver em águas oceânicas profundas de regiões tropicais e temperadas quentes. São considerados extremamente sociáveis e podem ser encontrados em grupos formados por dezenas de indivíduos. A alimentação é composta principalmente por peixes e lulas.

No Brasil, a espécie é considerada pouco abundante e ocorre predominantemente em áreas oceânicas e na parte externa da plataforma continental. Há registros de encalhes e avistamentos em diferentes estados do país, incluindo São Paulo, mas encontros próximos à costa continuam sendo pouco frequentes.

A avaliação disponível no Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade coloca a pseudorca na categoria Dados Insuficientes. Isso significa que ainda não existem informações suficientes sobre a distribuição, a abundância e os efeitos das ameaças para uma avaliação mais precisa sobre o estado de conservação da espécie no Brasil.

Entre as ameaças identificadas pelo ICMBio estão a contaminação dos oceanos e a interação negativa com atividades pesqueiras. Há registros de pseudorcas feridas ou capturadas acidentalmente durante pescarias com espinhel e redes de emalhe.

Quando esses animais ficam presos em redes, linhas ou cabos, podem ter dificuldades para nadar, respirar e se alimentar. O enroscamento também pode provocar ferimentos profundos, infecções, perda de circulação e desgaste físico, mas será necessário aguardar os exames para saber se alguma dessas situações ocorreu no caso encontrado no Litoral Norte.

O Programa de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos acompanha ocorrências envolvendo mamíferos marinhos, tartarugas e aves. O trabalho inclui o atendimento a animais vivos, o recolhimento de carcaças e a produção de dados científicos que auxiliam pesquisas e medidas de proteção da fauna.

Segundo o Instituto Argonauta, cada ocorrência envolvendo uma espécie pouco registrada oferece aos pesquisadores a oportunidade de ampliar o conhecimento sobre sua biologia, distribuição e ameaças. No caso da pseudorca encontrada morta, a necropsia poderá revelar se o apetrecho de pesca teve relação direta com o óbito ou se outros fatores estavam envolvidos.

Enquanto os resultados não ficam prontos, a imagem do animal morto no mar, com um material de pesca preso ao corpo, reforça um problema enfrentado por diferentes espécies: o risco silencioso representado por equipamentos abandonados, perdidos ou utilizados nas áreas onde a fauna marinha circula.

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