Quarta-feira, Setembro 9, 2026
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MORTE ANUNCIADA POR MENSAGENS: SUSPEITO MONITOROU VÍTIMA ANTES DE EXECUÇÃO, DIZ POLÍCIA


Mensagens sobre a localização da vítima, diálogos sobre armas, uma suposta promessa de vingança e a expressão “Check mate” enviada após o assassinato. A análise de celulares apreendidos ajudou a Polícia Civil a reconstruir os acontecimentos que antecederam a execução de Miqueias Daniel Santana Serafim, morto a tiros no Jardim Santa Maria, na zona leste de São José dos Campos.

A investigação concluiu que o homicídio teria sido resultado de uma emboscada planejada e motivada por disputas relacionadas ao tráfico de drogas. O principal acusado é Alisson Wilkson de Oliveira Paschoal, apontado pela polícia como responsável por monitorar os passos de Miqueias durante vários dias antes do crime.

Miqueias foi encontrado morto por volta das 12h33 de quinta-feira, dia 16 de outubro de 2025, na Rua Santa Maria. O assassinato ocorreu em plena luz do dia. Ao lado do corpo, a perícia encontrou uma pistola calibre .380 carregada.

Exames balísticos realizados posteriormente indicaram que a arma localizada ao lado da vítima havia sido utilizada no assassinato de João Domingos Quintino Silva, ocorrido quatro dias antes, no mesmo bairro. A partir dessa descoberta, a Polícia Civil passou a relacionar diretamente os dois homicídios.

João Domingos foi morto no domingo, dia 12 de outubro de 2025. Segundo o inquérito, ele teria sido atraído para uma emboscada. Alisson, que era primo da vítima, teria levado João ao local previamente combinado, enquanto Miqueias teria efetuado os disparos.

A motivação apontada pela investigação seria um conflito interno relacionado ao tráfico de drogas. Após a morte do primo, Alisson teria iniciado uma perseguição contra Miqueias, passando a acompanhar seus deslocamentos e buscar informações sobre os locais onde ele estava.

A análise dos aparelhos celulares revelou diversas mensagens que, segundo os investigadores, demonstram que a vítima era monitorada constantemente. Alisson teria recebido e compartilhado informações sobre a localização de Miqueias, perguntado se ele permanecia armado e afirmado que não deixaria o bairro antes de resolver a situação.

Em uma das conversas, o investigado afirmou que, caso encontrasse Miqueias novamente, “isso acaba”. Em outro diálogo, disse que estava acompanhado de um parceiro, que ambos estavam armados e que preparava uma forma de alcançar a vítima.

Para a Polícia Civil, o conteúdo mostra que o homicídio não teria ocorrido de maneira ocasional. A apuração aponta que houve preparação, acompanhamento dos passos de Miqueias e articulação para surpreendê-lo no Jardim Santa Maria.

No horário aproximado do assassinato, uma pessoa teria informado Alisson de que Miqueias provavelmente havia sido morto após vários disparos. Segundo o relatório policial, o investigado respondeu: “Deu certo”.

Em seguida, Alisson teria afirmado que havia vingado João Domingos. Pouco depois, enviou a outro contato a mensagem “Check mate”, expressão em inglês que significa xeque mate, acompanhada de uma figurinha.

A pessoa que recebeu a mensagem perguntou se havia certeza de que Miqueias estava morto. Os dois continuaram conversando sobre o homicídio. Para os investigadores, os diálogos reforçam os indícios de participação do suspeito no planejamento e na execução da emboscada.

A investigação também identificou que, logo após a morte de João Domingos, Alisson enviou uma fotografia em que aparecia armado. Em outra conversa, demonstrou preocupação com a possibilidade de existirem imagens do primeiro homicídio, afirmando que estaria “lascado” caso houvesse registros da execução.

Em outro trecho analisado pelos investigadores, o acusado teria afirmado que, depois dos acontecimentos, poderia viver “bem e feliz”. A declaração foi incluída entre os elementos considerados relevantes para a conclusão do inquérito.

Além das mensagens relacionadas aos assassinatos, a extração dos dados dos celulares revelou conversas sobre a comercialização de entorpecentes. Segundo a Polícia Civil, Alisson utilizaria sua residência para armazenar drogas e teria admitido que traficava ao lado do primo João Domingos.

Em uma das mensagens, o investigado também teria declarado que pretendia “ficar rico no tráfico”. Os diálogos foram utilizados para sustentar a conclusão de que os dois homicídios estariam ligados a uma disputa interna envolvendo o comércio de drogas no bairro.

A Polícia Civil também reuniu informações sobre os registros dos envolvidos. Miqueias possuía antecedentes por atos infracionais relacionados ao tráfico de drogas e havia sido investigado em casos de associação criminosa, incêndio e nova ocorrência envolvendo entorpecentes.

Alisson acumula registros desde a adolescência por tráfico de drogas e também responde por ocorrências de violência doméstica registradas nos anos de 2022 e 2024.

Após a conclusão do inquérito, o Ministério Público apresentou denúncia contra o investigado. A Justiça aceitou a acusação e decretou a prisão preventiva de Alisson, considerando a gravidade dos fatos, os indícios reunidos, a periculosidade apontada no processo e o risco de repetição de condutas criminosas.

Na decisão, o juiz da Vara do Júri destacou a existência de elementos indicando que o acusado teria articulado a execução de Miqueias por meio de uma emboscada, monitorando seus deslocamentos até o momento do assassinato.

A decisão judicial informa ainda que Alisson já estava preso por suspeita de envolvimento em outro homicídio ocorrido no Jardim Santa Maria. Ele permanece à disposição da Justiça enquanto o processo criminal segue em andamento.

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